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This podcast has
264 episodes
Language
Portuguese (Brazil)Publisher
Jornal da USPExplicit
No
Date created
2019/05/30
Latest episode
2026/10/13
Average duration
8 min.
Release period
18 days
Description
Um podcast que fala sobre os problemas enfrentados pela sociedade e as soluções apresentadas através dos estudos realizados na Universidade de São Paulo, em especial da área de humanas
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Sociedade em foco #292 Radicalização
2026/10/13
No episódio 292 do sociedade em foco, José Luiz Portella analisa como a radicalização eleitoral, prejudica as relações sociais e o funcionamento das instituições. Segundo ele, a intolerância entre grupos políticos dificulta o diálogo entre familiares, amigos e até integrantes de um mesmo partido, além de estimular uma dinâmica em que a radicalização de um lado provoca a reação do outro.
Esse cenário também compromete a formulação e a implementação de políticas públicas. A oposição tende a dificultar iniciativas do adversário, mesmo quando positivas, enquanto a polarização pode provocar a paralisação de projetos e o desgaste de medidas já implementadas. O especialista destaca ainda que mudanças constitucionais dependem de quórum qualificado no Congresso, o que limita a capacidade de aprovação de determinadas propostas.
Por fim, Portela alerta que os principais prejudicados são os cidadãos, que podem deixar de receber políticas públicas eficazes ou sofrer os efeitos de medidas inadequadas. Para ele, a fragmentação política e as agressões durante o período eleitoral deixam ressentimentos que dificultam a reconstrução dos partidos e ampliam os riscos de um cenário de instabilidade social e política.
Sociedade em Foco #291: O pós-eleições 2026
2026/10/06
https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/10/SOCIEDADE-EM-FOCO_05_OUT_ELEICOES_PORTELLA.mp3
José Luiz Portella aponta que o avanço da direita nas eleições pode se refletir nas políticas públicas, especialmente em três áreas: costumes, economia e políticas sociais. Segundo ele, deve haver uma agenda de costumes mais forte, uma política econômica mais orientada ao ajuste fiscal e uma revisão de programas sociais.
O pesquisador também critica a ausência de um projeto nacional de desenvolvimento de longo prazo. Ele defende que o País precisa de políticas públicas articuladas em torno de algumas grandes prioridades, em vez de uma série de medidas isoladas. Como referência histórica, cita o governo de Juscelino Kubitschek e seu projeto de industrialização.
Por fim, Portella destaca que os vencedores precisam evitar o revanchismo político, especialmente diante da forte polarização existente no País. Para ele, o resultado eleitoral deve levar todos os setores políticos a uma reflexão sobre os erros e acertos do processo e pode provocar uma reorganização dos grupos responsáveis pela formulação das políticas públicas no Brasil.
Momento SociedadeO Momento Sociedade vai ao ar na Rádio USP todas as segundas-feiras, às 8h30 – São Paulo 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz e também nos principais agregadores de podcast
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Sociedade em Foco #290: Eleições 2026 e políticas públicas
2026/09/30
No próximo dia 4 de outubro os brasileiros vão às urnas para votar. Serão seis cargos: deputado federal, deputado estadual, primeiro senador, segundo senador, governador e presidente da República.
Neste episódio, o especialista José Luiz Portella explica que, após as eleições, os governos começam a se organizar para a posse em janeiro, e as mudanças nas políticas públicas devem aparecer principalmente a partir desse período. O próximo governo deverá lidar com o aumento das despesas obrigatórias e buscar reduzir a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta. O tamanho desse ajuste dependerá do governo eleito.
Para ele, o Brasil precisaria de um projeto de desenvolvimento de longo prazo, compatível com a capacidade de arrecadação do País. Além disso, ele defende melhorar a fiscalização dos programas para evitar pagamentos indevidos e direcionar os recursos a quem realmente precisa.
Na visão de Portella é fundamental criar também políticas públicas que pensem nos jovens e adolescentes e que os incentivem a buscar formação e desenvolvimento profissional, sem que isso necessariamente implique aumento expressivo dos gastos públicos.
Sociedade em Foco #289: Impacto da IA nas políticas públicas
2026/09/22
A inteligência artificial está por toda parte. Seja na educação, saúde, ciência e indústria de entretenimento. Na visão de José Luiz Portella, é preciso enxergar esse tipo de tecnologia com cautela. Existem os pontos negativos e os pontos positivos, assim como qualquer novidade. As IAs vão fazer com que alguns empregos deixem de existir, mas ao mesmo tempo irão criar novas oportunidades.
Ele explica que é importante saber lidar com o novo, pois as novidades, sobretudo as inovações que compõem mudanças no mundo do jeito que conhecemos, podem gerar receio nas pessoas. Ele cita o exemplo dos ludistas, que foram integrantes de um movimento operário inglês do início do século 19 que destruíram máquinas fabris como forma de protesto contra a exploração e a substituição da mão de obra na Revolução Industrial.
Portella explica que as políticas públicas devem ser pensadas para incorporar as mudanças de maneira não excludente com as pessoas que já enfrentam desigualdades.
Sociedade em Foco #288: Ajuste fiscal e reformulação de políticas
2026/09/15
O ritmo da economia brasileira está entre os temas em destaque nesta semana, marcada pela reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e pela divulgação de novos dados sobre a inflação. Diante desse cenário, o Sociedade em Foco discutiu a necessidade de um ajuste fiscal e os possíveis efeitos sobre as políticas públicas.
Para José Luiz Portella, pós-doutor em História Econômica pela FFLCH-USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP), o principal problema não está apenas no tamanho da dívida pública, mas em como esse dinheiro é utilizado. Segundo ele, uma dívida destinada a investimentos pode contribuir para a geração futura de renda e riqueza. Já o aumento dos gastos de custeio, sem capacidade de arrecadação suficiente, pode tornar a trajetória das contas públicas insustentável.
Nesse cenário, o ajuste fiscal seria necessário para melhorar a situação das contas públicas e criar condições para a redução da taxa Selic, ampliando o acesso ao crédito e estimulando a atividade econômica. Portella, porém, ressalta que esse processo não pode ignorar as desigualdades sociais e as necessidades da população.
Para o pesquisador, políticas sociais voltadas à população mais pobre devem ser preservadas, especialmente aquelas destinadas às pessoas em situação de extrema pobreza. Em contrapartida, ele defende uma revisão de gastos tributários e benefícios concedidos a setores específicos, além de mudanças na Previdência diante das transformações demográficas e do alto nível de informalidade no mercado de trabalho.
A expectativa, segundo Portella, é que um ajuste realizado de forma gradual possa gerar dificuldades no curto prazo, mas, ao melhorar a trajetória da dívida e contribuir para a redução dos juros, permitir a recuperação da capacidade de investimento do País nos anos seguintes.
Sociedade em Foco #284: Bets representam uma ameaça à sociedade brasileira em vários aspectos
2026/08/11
https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/SOCIEDADE-EM-FOCO_BETS_PORTELLA-1.mp3
De acordo com dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), as famílias brasileiras perderam mais de R$ 62,5 bilhões com apostas on-line, as chamadas bets, em 2025. José Luis Portella, pós-doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA), argumenta que as perdas financeiras das famílias brasileiras com apostas esportivas revelam uma falha na formulação de políticas públicas. Segundo ele, o principal problema é a “desconexão” entre as políticas pensadas para um ser humano ideal e o comportamento real das pessoas.
A partir disso, Portella defende que as restrições às bets deveriam ter sido implementadas antes da expansão do problema, e não apenas depois que as apostas já estavam disseminadas.
Outro ponto levantado pelo especialista é o impacto social das apostas. Portella relaciona o dinheiro perdido nas bets a problemas como endividamento, insegurança alimentar e questões de saúde mental, especialmente quando recursos destinados às necessidades familiares são utilizados em apostas.
Sociedade em foco 283# Quando as políticas públicas falham
2026/08/04
https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/SOC-EM-FOCO_FALHA-NAS-POLITICAS-PUBLICAS_PORTELLA-1.mp3
De acordo com especialista, o conceito do jeitinho brasileiro que exemplifica a forma improvisada, informal e flexível que as pessoas usam para resolver problemas, sair de situações difíceis ou contornar regras burocráticas. O conceito foi estudado por especialistas como Roberto DaMatta e Sérgio Buarque de Holanda.
Para Portella, o “jeitinho brasileiro” representa uma das características culturais que influenciam o comportamento da população. Para ele, políticas públicas mais eficazes precisam considerar essas formas de agir, em vez de pressupor que todas as pessoas seguirão as regras exatamente como os formuladores imaginam. Ignorar esse fator, segundo o pesquisador, aumenta as chances de a política não alcançar os resultados esperados.
É importante lembrar que nenhum modelo é definitivo. Ele afirma que políticas públicas precisam passar por processos permanentes de avaliação e aperfeiçoamento, corrigindo falhas à medida que surgem. Na sua visão, esse trabalho exige método, organização e disciplina.
Ao concluir sua análise, o pesquisador afirma que a ineficiência de muitas políticas públicas contribui para o desperdício de recursos e dificulta o enfrentamento de problemas estruturais, como a desigualdade social. Para ele, melhorar os resultados depende também de compreender o comportamento das pessoas e adaptar as ações às realidades locais.
Sociedade em Foco #282: Impacto das IAs nas políticas públicas
2026/07/29
José Luís Portella explica que a inteligência artificial representa uma oportunidade para transformar a elaboração e a implementação de políticas públicas, tornando-as mais eficientes e adaptadas às necessidades da população.
Segundo Portella, as plataformas de IA são capazes de reunir experiências bem-sucedidas de diferentes países, identificar estratégias que deram resultados positivos e auxiliar os gestores na construção de soluções voltadas a problemas específicos. No entanto, essas políticas não devem ser simplesmente copiadas, mas adaptadas à realidade, à cultura e às características do público que será atendido.
O especialista avalia que esse potencial ainda é pouco explorado no Brasil. Para ele, o poder público ainda utiliza a inteligência artificial de forma superficial e não investe suficientemente na capacitação de gestores e equipes para o uso dessas ferramentas. Assim, a adoção mais ampla da inteligência artificial, aliada ao treinamento dos profissionais responsáveis pelas políticas públicas, pode representar um salto na qualidade dos serviços oferecidos à população.
Sociedade em Foco #274: População de rua na cidade de São Paulo
2026/05/26
O número de pessoas que vivem nas ruas tem crescido no Brasil, principalmente na região Sudeste do País. Com as quedas de temperatura e chegada do inverno, são feitas ações de cuidado paliativos que, apesar de importantes, não resolvem a estrutura do problema.
José Luiz Portella, doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, explica que a questão dos moradores de rua não deveria ser tratada como uma coisa só. Essa população é muito diversa e existem diversos fatores que fazem com que essas pessoas estejam em condição de vulnerabilidade.
O professor destaca a geração de empregos e moradia como ações primordiais para ajudar pessoas nessas situações. Ele explica que durante a gestão de Alda Marco Antônio como secretária municipal da Assistência e Desenvolvimento Social foram criadas medidas que conseguiram conectar e gerar confiança nessa população. É fundamental que o trabalho seja feito em camadas justamente para atender a todas as necessidades dessas pessoas.
Momento SociedadeO Momento Sociedade vai ao ar na Rádio USP todas as segundas-feiras, às 8h30 – São Paulo 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz e também nos principais agregadores de podcast
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Sociedade em Foco 273#: Programa Desenrola 2.0
2026/05/19
Neste episódio, José Luiz Portella, doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, fala sobre o programa Desenrola 2, um programa do governo para renegociação de dívidas. O objetivo é ajudar pessoas endividadas a limpar o nome e voltar a ter acesso ao crédito.
O professor critica o programa e afirma que ele mostra a falta de avaliação de impacto das políticas públicas no Brasil. Segundo ele, se o primeiro Desenrola tivesse sido acompanhado e analisado corretamente, o governo corrigiria seus problemas em vez de lançar uma nova versão.
Outro ponto levantado é que o Desenrola age apenas no “efeito” do problema, ou seja, não investiga as razões pelas quais as pessoas estão ficando endividadas. Ele diferencia “dívida boa”, usada para investimento e aumento de renda, de “dívida ruim”, ligada ao consumo imediato.
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Sociedade em Foco #271: A importância não reconhecida da autoridade metropolitana de transportes
2026/04/27
Neste episódio, José Luiz Portella, doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, discorre sobre a importância da chamada autoridade metropolitana de transportes, uma figura que nosso sistema jurídico e político não reconhece, mas que seria fundamental para gerir e facilitar a mobilidade das pessoas entre as diferentes regiões metropolitanas circunscritas às capitais do País. O grande problema, segundo ele, é que o sistema de transporte é gerido pelos diferentes prefeitos dos vários municípios, gerando conflitos na maneira de tratar o transporte, pois a tendência é que cada prefeito olhe apenas o seu lado da questão, para o deslocamento interno, “e a maior parte dos deslocamentos numa região metropolitana é um deslocamento que transborda as fronteiras dos municípios”.
Portella defende a criação da figura da autoridade metropolitana de transportes, que ficaria sob escolha dos respectivos prefeitos, assim como seria responsável pela criação de políticas públicas para o setor, estando acima dos secretários de Transporte, “uma questão transversal em termos de política, agora mais ainda com o avanço da tecnologia e da inteligência artificial”, propiciando mais eficiência, mais eficácia e menor custo. “Isso é o máximo para política pública.” Ele acrescenta, ainda, que esse tipo de política poderia ser aplicado para a saúde, a educação e o saneamento. Seria um avanço. “Os dirigentes políticos não olham para isso e fingem não olhar.” É preciso ter alguém pensando no todo, defende Portella, mas isso não acontece em nenhuma região metropolitana do País, o que faz com que as pessoas percam um tempo indevido no transporte diário.
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Sociedade em Foco # 269: Calçadas ruins atestam descaso das políticas públicas com mobilidade urbana
2026/04/06
As calçadas nem sempre são valorizadas, embora sejam importantes para a mobilidade das pessoas, principalmente nos grandes centros urbanos. Neste episódio do Podcast Sociedade em Foco, José Luiz Portella, pós-doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, aborda a negligência e o descaso com que as calçadas são tratadas nas cidades brasileiras, principalmente nas zonas mais periféricas. De acordo com ele, 33% das pessoas na cidade de São Paulo se utilizam das calçadas para sua locomoção, o que parece não sensibilizar o poder público nem os proprietários responsáveis pela sua conservação. “O próprio comércio se prejudica por não ter as calçadas em bom estado”, diz Portella.
A Prefeitura, por sua vez, não faz a devida fiscalização. Calçadas esburacadas e irregulares podem provocar acidentes, sobretudo em pessoas idosas. Além do mais, muitas calçadas são sujas, servindo mesmo como descarte irregular de lixo. Tudo isso vai provocando tensão nas pessoas e afeta as políticas públicas de mobilidade. “Isso mostra um descuidado de política pública com o dia a dia da população”.
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Sociedade em Foco #265: Prevenção de chuvas e desastres no Brasil: como as políticas públicas podem amenizar o problema
2026/03/09
As últimas semanas têm sido marcadas por inúmeros incidentes envolvendo fortes chuvas torrenciais que acabam em desastres para a população brasileira. Em Minas Gerais, por exemplo, nas cidades de Ubá e Juiz de Fora foram confirmadas 72 mortes e nessa mesma região cerca de 8.500 pessoas estão desabrigadas.
José Luiz Portella, mestre e doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, disserta sobre a problemática. “Nesses últimos incidentes, ocorridos em Minas Gerais, apareceram os números que o governador Romeu Zema, de Minas Gerais, não havia utilizado quase nenhum dos recursos para a prevenção. Isso não é nada novo, já aconteceu no Rio, em São Paulo e em outros lugares do Brasil, com vários atores como protagonistas, não são só os governadores, mas toda uma cadeia de indivíduos.”
“Não é uma falha de um momento, é um problema constante do País e que precisa ser solucionado. O cerne das políticas públicas é a prevenção, só que a prevenção não é uma marca do Brasil. O ideal é realizar um planejamento prévio, durante o ano todo, antes de começar o período de chuvas e não após os desastres acontecerem.”
Portella, por fim, também chama atenção para a intensificação das mudanças climáticas e como isso pode complicar ainda mais a situação. “Essas mudanças não acontecem só de uma maneira mais dura, mais pesada no seu período de atuação, como às vezes acontecem fora do período agora. Então todos nós devemos estar mais atentos.”
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Sociedade em Foco #264: Aumento da mortalidade no trânsito é um problema urbano que precisa de atenção
2026/02/24
Os problemas relacionados à mobilidade são comuns dentro dos grandes centros urbanos, entre eles está o aumento das mortes no trânsito. Os acidentes fatais são muito associados às grandes cidades por serem lugares naturais de movimentação de pessoas e recursos. Segundo José Luiz Portella, pós-doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA), o transporte é um aspecto da qualidade de vida que impacta a maioria das pessoas, porque outros quesitos, como a educação, não afetam as classes médias e altas.
“Certos problemas que a gente acaba elencando, saúde, educação, não atingem todo mundo, porque quem tem dinheiro, mesmo sendo de classe média e média alta, são pessoas que não têm problema, porque colocam os filhos em escola particular, têm plano de saúde, então educação e saúde não são problemas. Agora, o trânsito pega todo mundo, só não pega quem anda de helicóptero, ou não se desloca porque vai a pé, porque o escritório é perto de casa. Esse problema é desprezado e ele é tratado como se fosse natural, e não é. Ele pode ser muito mitigado”.
O professor complementa o tópico falando sobre a importância de políticas públicas eficientes. “A política pública deve priorizar a vida das pessoas e o seu dia-a-dia. Tem uma máxima que fala que: ‘ninguém mora na União, ninguém mora no Estado, as pessoas moram no município’, muito falada pelo governador André Franco Montoro. Só que fica uma frase e depois as pessoas não atuam dentro dessa frase. Você me pergunta, as políticas públicas podem resolver? Sim, elas podem resolver, com certeza. Nunca vai ser nada 100%, nada que você fizer de política pública resolve um problema 100%. Ele avança bem e depois as políticas são incrementais, as próximas políticas vão enfrentando os problemas novos, os defeitos que surgem da aplicação das políticas anteriores e vai se corrigindo”.
Portella destaca os problemas de trânsito associados às motos. “ As condições da moto, motos com condição muito ruim, tem que haver um sistema de blitz todo dia em vários pontos da cidade, zona norte, zona sul, zona oeste e tal. Você vai mudando nos dias, mas vai pegando, tem que haver um sistema até que você perceba que isso melhorou bastante. A condição da moto, a documentação, se a pessoa está em dia com o trânsito, se a carteira dele está em dia, se ele não cometeu nenhuma irregularidade”.
A redução de mortalidade e de acidentes depende de um trânsito mais calmo e seguro. “Outra coisa é reestudar essa questão do tráfico calmo. O Brasil costuma importar essas políticas e fazer de qualquer jeito só para que ela funcione, mas não de forma eficaz. Você tem que diminuir a velocidade em certos lugares. Só que, em alguns lugares, você não tem o que leva as pessoas a desviarem a rota e fazer infração numa paralela. O que acontece é que as pessoas fogem de grandes avenidas e pegam as paralelas, que, sem a fiscalização adequada, tornam propícias as infrações de trânsito”.
O professor destaca diversas políticas públicas que podem ajudar a reduzir os problemas no trânsito, entre elas estão as políticas de estacionamento. “Precisa ter uma política de estacionamento. Não é só você tirar o carro de estacionar em lugares que podem atrapalhar o fluxo. O comércio, a vida econômica vivem também de carro. Até existe um ditado: ‘no park, no business’. Você precisa dar prioridade para o transporte coletivo, mas não vai sumir o transporte individual do dia para o outro. Ele já foi em torno de 50%, hoje ele é menos, mas ainda sempre será significativo. Além disso, é muito importante ter ciclovias. As ciclovias têm que ligar um lugar ao outro, não pode ser aleatório pintar faixa na rua, como foi feito em São Paulo. Pinta faixa para dar quilometragem e servir para as campanhas eleitorais”.
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Sociedade em Foco #263: STF determina o fim dos "penduricalhos" fora do teto na administração pública
2026/02/10
O ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que os Três Poderes revisem e suspendam os “penduricalhos” da administração pública sem fundamento legal que permitam que a remuneração do servidor público ultrapassasse o teto salarial, atualmente em R$ 46.366,19. José Luiz Portella, pós-doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA), explica os impactos da decisão na política brasileira.
“Um dos impactos é a descrença no poder público, consequência muito grave para as políticas públicas. O povo acredita que o poder público vai ser o principal motor das políticas e, sobretudo, o Congresso, que perde força. O posicionamento de Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, ao acatar a decisão, leva a uma contribuição negativa que é a descrença no poder. Outro impacto é a tensão entre os Poderes Legislativo e o Judiciário. Este caso está alimentando uma disputa que já é grande, em que o Congresso diz que o STF está legislando, o STF alega que o Congresso não legisla e o Executivo acaba dividido, porque em um momento ele defende o Judiciário através de uma declaração do presidente, mas depois precisa ceder ao Congresso através de acordos, tudo isso paralisa o processo de políticas públicas.”
Portella também explica que a decisão tem impactos na percepção da sociedade em relação a fatores sociais, como desigualdade: “Há um aumento da percepção de desigualdade no País, é uma desigualdade grande que causa revolta e um cenário de ‘cada um por si’, onde as políticas públicas passam a ser feitas de forma menos coletiva, como no caso das emendas Pix. Nós também temos a sensação de um país que não quer se corrigir e que ainda insiste no erro, porque o mesmo Congresso, que muitas vezes fala em cortar despesas e menos impostos, impõe à população um gasto que é desigual e a favor da desigualdade e do privilégio”.
“Outro impacto dessa decisão é a perda da noção de um plano nacional de desenvolvimento. Você olha para tudo isso e pensa: se estamos cada um por si, não dá para pensar no todo, que é justamente o que falta para o Brasil. Por último, surge a demonização da política, pois a população vê esse cenário e, além da perda de credibilidade, a política fica sempre retratada como algo que é ruim, corrupta e que faz mal. Nós perdemos todas essas coisas no processo.”, finaliza o professor.
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