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Rating
5from
This podcast has
471 episodes
Language
Portuguese (Brazil)Publisher
Maitê ProençaExplicit
No
Date created
2020/01/15
Latest episode
2024/02/26
Average duration
3 min.
Release period
11 days
Description
Histórias inspiradoras de grandes mulheres. Novos episódios todas as segundas, quartas e sextas. Disponível por vídeo no: YouTube: https://www.youtube.com/canaldamaiteproenca Instagram: https://www.instagram.com/eumaiteproenca/
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Martha Rocha
2024/02/26
Martha Rocha foi a primeira Miss Brasil, e segunda colocada no concurso de Miss Universo. Foi a musa que ajudou a levantar a autoestima nacional em um dos períodos mais turbulentos do século passado. Nascida em 1932, em Salvador, Maria Martha Hacker Rocha cresceu em uma família de 11 irmãos. Em 1954, a jovem baiana dos olhos azuis foi coroada como Miss Brasil na primeira edição oficial deste concurso por aqui, no Hotel Quitandinha, em Petrópolis. Martha dizia ter 18 anos à época do concurso, mas tinha 21. Alguns meses depois, no mesmo ano, MR foi aos EU tentar a sorte como Miss Universo. A vitória era tida como certa pelos brasileiros, encantados pela jovem musa. Martha, no entanto, ficou em segundo lugar, perdendo para a americana Miriam Stevenson. Apesar da derrota, Martha continuou sendo tão idolatrada quanto antes pelos brasileiros. Martha Rocha se tornou um ícone nacional na época em que a autoestima brasileira estava abalada pelo suicídio de Getúlio Vargas, e graves derrotas da Seleção Brasileira. Com sua graça, ela se tornou a personalidade favorita do país. Em 1956, Martha Rocha se casou, e teve dois filhos em menos de um ano. Menos de três anos após o casamento, seu marido morreu em um acidente aéreo, e Martha alega ter tido seu patrimônio roubado pelo cunhado. Após a falência, Martha passou ganhar a vida como jurada paga dos concursos de miss que ela própria tanto ajudou a popularizar, e vendendo quadros pintados por ela própria. Em 1961, casou-se novamente e teve mais uma filha. Nos anos 2000, Martha Rocha foi diagnosticada com câncer de mama, e passou a viver uma vida mais reclusa. Em 2020, aos 87 anos, ela faleceu por consequência de uma parada cardiorespiratória.
Yeshe Tsogyal
2024/02/26
Yeshe Tsogyal é uma das principais figuras femininas do budismo, adorada por inúmeros praticantes. Nasceu no ano de 777, na região do Karchen, no Tibete. Muito de sua biografia é embelezado com detalhes fantásticos que parecem pouco críveis para quem não é adepto da filosofia Conta-se no entanto, que Yeshe Tsogyal teve um nascimento digno de uma Buda: sua mãe não sofreu ao dar à luz e o som de mantras era ouvido no local. Além disso, um lago próximo dobrou de tamanho quando Yeshe Tsogyal nasceu, daío significado de seu nome “a rainha do lago da sabedoria”. Nascida em uma família proeminente da região, Yeshe Tsogyal era uma princesa muito cobiçada por homens poderosos do Tibete – inclusive o próprio imperador. Afeita às práticas religiosas desde a infância, a princesa nunca quis se casar. Aos 16 anos, ela foi forçada a se casar com o imperador tibetano Tri Songdetsen. Pouco tempo depois do casamento, o grande mestre budista Padmasambhāva chegou da Índia para espalhar o conhecimento budista no Tibete. Como sinal de sua devoção, o imperador ofereceu sua esposa, Yeshe Tsogyal, para o guru. Padmasambhāva aceitou Yeshe Tsogyal como sua consorte e principal aluna. Sob a orientação do guru, Yeshe Tsogyal passou a maior parte de sua vida em retiro, completamente isolada para cultivar a estabilidade meditativa mesmo nas condições mais adversas – desabrigada na neve, por exemplo. Após anos de prática incessante, Yeshe Tsogyal se tornou uma mestre espiritual do mesmo nível de Padmasambhāva ( uma espécie de vice-Buda). Sua disciplina e conduta são consideradas exemplos para todos os praticantes budistas até hoje, e inúmeros milagres são atribuídos a ela. Para os tibetanos e para praticantes budistas de outras nacionalidades, Yeshe Tsogyal é um ser atemporal, continua ativa e eternamente presente, atenta às preces de seus devotos.
Dona Flor
2024/02/26
Dona Flor a heroína de uma obra-prima de Jorge Amado. Fez sucesso não só na literatura, mas também no cinema, teatro e telenovelas. Florípides Guimarães era uma menina simples, criada para salvar a família da pobreza através de um bom casamento – mas que, antes disso, já precisava contribuir com a renda da casa após sua mãe enviuvar. Professora de culinária na escola “Sabor e Arte” e cozinheira de mão cheia, Dona Flor leva a mãe à loucura ao fugir de casa para se casar com um cafajeste alcoólatra, mulherengo e viciado em jogos de azar – que, além de não sustentá-la roubava seu dinheiro! Apesar de tudo, nunca faltou paixão e volúpia no primeiro casamento de Dona Flor, que durou sete anos, até a morte de Vadinho. Já seu segundo casamento,esse sim, foi com um homem direto, respeitoso e que a idolatrava – mas a quem faltava fogo. Graças à magia da Bahia e à força dos orixás, Dona Flor consegue recuperar Vadinho do mundo dos mortos, e passa a viver feliz e completa com seus dois maridos: inteira, sem abrir mão nem da ternura de um nem da sensualidade perigosa do outro. Tudo isso, é claro, com muito cuidado para não sacrificar sua honra de mulher casada, correta, só se dando para homens com quem casou no cartório e na igreja. “Dona Flor e Seus Dois Maridos” é o suprassumo da literatura nacional, um retrato delicioso de uma Salvador nostálgica e mística, “uma história moral e de amor”, como diz Jorge Amado no subtítulo do próprio livro. O livro começa, aliás, justamente com uma grande folia de carnaval! Caso a leitura não seja sua praia, o filme de Bruno Barreto, estrelado por Sônia Braga e José Wilker é tb um primor.
Noella Coursaris
2024/02/26
Noella Coursaris é uma modelo congolesa, idealizadora de projetos sociais de auxílio a meninas pobres em seu país. Nascida na República do Congo em 25 de dezembro, foi separada de sua família com cinco anos de idade. A morte repentina de seu pai fez com que a mãe de Noelle não tivesse mais dinheiro para criá-la. Para que Noelle pudesse crescer com dignidade, sua mãe a entregou a parentes que viviam na Europa. Durante 13 anos, Noelle se comunicou por cartas com sua família, sem conseguir reencontrá-los. Para ela, o Natal era a data mais triste. Determinada a agir para que nenhuma outra família jamais fosse separada por questões econômicas, Noella usou dos conhecimentos que adquiriu na faculdade de Administração, e do privilégio financeiro conquistado com seu trabalho como modelo para grandes marcas e revistas, para fazer um mundo melhor. Em 2007, ela fundou a Malaika, uma ONG que dá oportunidades a jovens congolesas, oferecendo acesso gratuito a educação e saúde de qualidade. A ONG impacta positivamente a vida de milhares de pessoas: são mais de 400 alunas estudando em tempo integral, além de 5000 pessoas contempladas com bolsas de estudos e treino esportivo; além disso, mais de 30.000 pessoas recebem água potável através da Malaika, que também oferece refeições diárias a seus alunos. Se depender de Noella Coursaris, nenhuma menina jamais passará o Natal sozinha!
Rosa Egipcíaca
2024/02/26
Rosa Egipcíaca foi a primeira mulher negra a publicar um livro no Brasil. Religiosa, africana, libertou-se da escravidão e foi considerada uma santa antes de ser aprisionda pela Inquisição. Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz nasceu em 1719, em Ajudá, atual Benim, na África. Com seis anos, foi sequestrada por traficantes de escravos e trazida para o RJ, onde foi vendida. Era ainda uma menina quando seu senhor a “desonestou” (estuprou), e aos 14 anos foi vendida novamente e enviada para Minas Gerais. Durante mais de 15 anos, R.E. foi obrigada a se prostituir, até contrair uma doença misteriosa que inchava todo seu corpo. Passou a ter visões místicas; abandonou o meretrício e doou para os mais pobres todas as poucas riquezas que tinha acumulado nesses anos de serviço. Suas visões, cada vez mais frequentes e intensas, trouxeram problemas permanentes: acusada de feiticeira, R. E. foi tão açoitada até ficar com o lado direito de seu corpo permanentemente paralisado. Fugiu de Minas para o RJ, onde foi acolhida pelos franciscanos, que admiravam a intensidade de sua fé e disciplina: seus prolongados jejuns, a autoflagelação, o empenho em aprender e ler e escrever. Em 1751, R. fundou Recolhimento do Parto, um local destinado a receber ex-prostitutas, e passou a atrair mais e mais fiéis em seus rituais que misturavam o catolicismo com tradições religiosas africanas. Em 1763, após desentendimentos com o clero, R.E. é denunciada e passa a ser considerada uma herege pela Igreja Católica. Aprisionada pela Santa Inquisição e levada a Portugal para julgamento, Rosa jamais renegou ou desmentiu suas visões e experiências místicas. Autora de a “Sagrada Teologia do Amor Divino das Almas Peregrinas”, R.E. é a primeira mulher negra a escrever um livro no Brasil. Das suas mais de 250 páginas, poucas sobreviveram: o livro foi queimado por ser considerado heresia. R.E., a santa africana, morreu em 1771, ainda sob o domínio dos inquisidores. Em 2023, a Unidos da Viradouro usou sua trajetória como inspiração para o enredo do carnaval da escola.
Narges Mohammadi
2024/02/26
Narges Mohammadi é uma defensora dos direitos humanos iraniana premiada com o Nobel da Paz. Nascida em 1972, viveu sua infância durante a Revolução Iraniana, iniciada em 1979. A execução de um tio e um primo marcaram sua juventude, mas foi durante seus anos universitarios que Mohammadi passou a refletir com mais seriedade sobre o tratamento dado a prisioneiros políticos no país. Durante sua graduação em Física, fundou um grupo de debate político para os estudantes, se envolveu fortemente com o ativismo social. Nesta época, conheceu seu marido, com quem teve um casal de filhos gêmeos. Formada e trabalhando como engenheira, N.M. escrevia artigos sobre os direitos humanos e das mulheres para jornais reformistas. Em 2003, se juntou ao Centro de Defensores dos Direitos Humanos, liderado por Shirin Ebadi (#mulherdefibra). Depois, Mohammadi viraria vice-presidente da organização. Ela e Ebadi são as únicas mulheres iranianas a conquistarem um Nobel. Além da luta pelos direitos das mulheres em um país notoriamente conservador, uma de suas principais causas é a defesa dos direitos humanos dos presos políticos do Irã. A ativista já foi presa treze vezes, e atualmente cumpre uma pena de dez anos. Todas suas condenações são relacionadas ao seu trabalho em defesa dos direitos humanos. Somando todos seus processos, ela foi sentenciada a um total de 31 anos de prisão e a 154 chicotadas. Mesmo presa, e pondo a vida em risco, a ativista não para de trabalhar: durante os protestos que tomaram o Irã após a morte da jovem Mahsa Amini (#mulherdefibra), Mohammadi conseguiu entrar em contato com a BBC para denunciar o abuso físico e sexual que estava sendo imposto às detentas. Em outubro de 2023, Narges Mohammadi foi premiada o Nobel da Paz “pela sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e pela sua luta para promover os direitos humanos e a liberdade para todos”; ela celebrou essa conquista dentro de sua cela.
Jina Mahsa Amini
2023/12/07
Jina Mahsa Amini foi uma jovem curda, assassinada pela polícia moral iraniana por não usar o traje determinado pelo islã. Sua morte provocou a maior onda de protestos das últimas décadas no Irã. Milhares de mulheres tomaram às ruas para queimar seus véus. Jina Mahsa Amini nasceu em 1999, em uma família curda. “Mahsa” era seu nome persa, usado somente para facilitar a retirada de documentos, já que às vezes nomes curdos não são aceitos; todos a chamavam de Jina. Aos 22 anos, Jina Amini vivia uma vida tão normal quanto possível para uma jovem mulher em um país ultraconservador, e estava prestes a começar a estudar Biologia na universidade. Em 13 de setembro de 2022, no entanto, Jina e duas primas suas foram detidas pela polícia da moralidade iraniana em uma estação de metrô, por estarem usando um “traje não islâmico”. Jina foi a única a ser levada para a prisão, supostamente por ter resistido às ordens dos policiais, e suas primas seguiram a viatura. Duas horas depois, algumas jovens saíram da delegacia gritando “Eles a mataram!”. Antes de morrer, Amini passou dois dias em coma, entubada no hospital. Os exames comprovam que a causa de sua morte foi uma hemorragia cerebral, causada pelas agressões que sofreu na cabeça após ser presa. As autoridades iranianas negaram as acusações. Desde o assassinato de Jina Mahsa Amini, uma onda de protestos tomou as ruas do Irã. Milhares de mulheres foram às ruas, e queimaram seus véus e cortaram os cabelos em público. A repressão, no entanto, foi e segue sendo severa: até agora, mais de 500 pessoas foram assassinadas pelas forças policiais que tentam conter os manifestantes, e a liberdade de imprensa foi cerceada, assim como o acesso à internet. Dezenas de jornalistas que divulgaram o caso seguem presos, alguns podendo ser condenados à prisão perpétua. Os protestos e a repressão, infelizmente, ainda parecem longe de acabar.
Ella Adelia Fletcher
2023/12/07
Ella Adelia Fletcher foi uma escritora, pensadora e pioneira dos exercícios de respiração e bem-estar no ocidente. Seu livro “The Philosophy of Rest”, (ou “A Filosofia do Descanso”) foi publicado no já acelerado mundo da virada do século XIX para o século XX. Na obra, Ella defende a importância de estar em meio à natureza e de não fazer nada, e atribui a essa pausa um aumento significativo na sua produtividade. Pode-se dizer que ela foi a pioneira do conceito do “ócio criativo”, cunhado pelo sociólogo Domenico De Masi quase cem anos depois da publicação do livro de Fletcher, e do ainda mais recente conceito de “savoring”, este, da psicologia. Outra obra de Ella é um guia de beleza chamado “A Mulher Bonita”, com mais de 500 páginas com conselhos sobre cosméticos, exercícios e outros rituais de beleza. Longe de ser fútil, esse livro exalta um padrão de beleza absolutamente contrário ao imposto no início do século passado, negligenciando o sedentarismo, a palidez e a magreza que estavam na moda na época. Para Ella, a beleza não podia andar separado de hábitos saudáveis! Ella Fletcher já dividia com suas leitoras recomendações de exercícios de respiração. Em 1908, porém, publica um livro inteiro sobre o assunto: “The Law of the Rhythmic Breath”, (ou “A Lei da Respiração Rítmica”). Publicado muitas décadas antes da popularização da Yoga no Ocidente, Fletcher já apresentava ali conceitos centrais da Yoga, com ênfase na respiração. Ella descreve como é possível entrar em harmonia e se sintonizar com os ritmos da natureza e do cosmos através do ritmo da respiração, e ressaltando o quanto nosso vigor e longevidade dependem da maneira como respiramos.
Madalena Schwartz
2023/12/07
Madalena Schwartz foi uma fotógrafa brasileira de origem húngara, conhecida por retratar travestis e transformistas no auge da repressão da ditadura. Inicious sua carreira depois dos 40 e se tornou “a grande dama do retrato” no Brasil. Madalena Schwartz nasceu em 1923, em Budapeste. Quando tinha 12 anos, se mudou com sua família para a América do Sul, fugindo do nazismo. Os Schwartz se estabeleceram primeiro em Buenos Aires, e foi só na década de 1960 que Madalena se mudou em São Paulo, onde viveria o resto da vida. Residente do Edifício Copan, Madalena administrava uma lavanderia e viveu uma vida “comum” por 45 anos. Mas um dia, seu filho ganhou uma câmera fotográfica em um concurso, e não deu muita atenção ao prêmio. Madalena se encantou pela máquina, e passou a estudar fotografia. Como morava no centro de São Paulo, Madalena via uma realidade extraordinária em sua própria vizinhança: a vida das travestis e transformistas durante os anos mais repressivos da ditadura. A subversão e a vida noturna “underground” paulista foram os principais temas de seu trabalho, mas logo Schwartz ganhou proeminência no mundo artístico e tirou retratos também de Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque, Clarice Lispector, Elke Maravilha, Jorge Amado, Ney Matogrosso e outras figuras ilustres da cultura brasileira. Sua própria casa virou um estúdio de fotografia improvisado, e nele Madalena Schwartz clicou diversas das mais espetaculares obras fotográficas do Brasil. Seu acervo com mais de 16 mil negativos pertence hoje ao Instituto Moreira Salles, que fez uma exposição em homenagem à artista em 2021. Madalena Schwartz faleceu em 1993, e é uma referência artística inegável.
Jezebel
2023/12/07
Jezebel foi rainha consorte do reino de Israel. Por interferir com o culto monoteísta do deus hebreu, por ter se aliado a cidadãos comuns e insultado os profetas, ela deu origem a um longo conflito em Israel, e seu nome é lembrado até hoje como um sinônimo para “megera”. Jezebel foi uma princesa fenícia, filha de um rei–padre que comandava toda a costa do território onde hoje fica o Líbano. O historiador Josefo, e outras fontes clássicas, sugerem que ela era sobrinha-neta da lendária rainha Dido (#mulherdefibra). Quando Jezebel se casou com Acabe, rei de Samaria, ela o incentivou a introduzir o culto ao deus pagão Baal ao reino, interferindo com as práticas monoteístas do povo hebreu, e causando horror por seus rituais sangrentos, que incluíam o sacrifício de crianças. Isso provocou a revolta dos devotos de Yahweh (Javé); muitos dos praticantes e dos profetas inimigos de Jezebel foram assassinados pela rainha consorte. Por se opor a ela, o profeta Elias precisou fugir de Israel a fim de conservar a própria vida. Quando, enfim, o comandante Jeú se rebelou contra a família real pagã, Jezebel foi defenestrada (jogada pela janela) e teve seu corpo comido por cães – tal morte já tinha sido profetizada por Elias, como punição por seus pecados. Sua história foi eternizada no Livro de Reis do Antigo Testamento.
Isabel de Olvera
2023/11/08
Isabel de Olvera foi uma aventureira mexicana, que participou das expedições de colonização da Nova Espanha, nos Estados Unidos, durante o século XVII. Isabel de Olvera nasceu no final do século XVI, em Querétaro, no México. Filha de pai africano e mãe indígena, ela era uma mulher livre quando decidiu partir em expedição rumo ao território que hoje se estende pelos estados do Arizona, Flórida e Novo México. Uma mulher miscigenada, com a pele negra, poderia encontrar sérios problemas em viagem como essa, naquela época. Para garantir que estaria segura durante a expedição, Isabel solicitou que as autoridades locais emitissem um documento comprovando sua liberdade, “livre tanto de casamento como da escravidão”. O final da sua petição dizia: “solicito um documento que proteja meus direitos. Eu exijo Justiça”. Após um processo jurídico de 8 meses, Olvera teve sua liberdade legalmente comprovada, e partiu em sua jornada de mais de 2 mil quilômetros através de rios, desertos e montanhas, rumo à Nova Espanha. Nada se sabe sobre a vida de Isabel de Olvera após a partida da expedição, mas sabemos que ela chegou lá, e isso confronta a narrativa de que os negros só chegaram na América do Norte à força, escravizados. Sua vida é também um registro de uma das primeiras mulheres negras lutando por seus direitos no Novo Mundo.
Olympe de Gouges
2023/10/30
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