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Uma palavra no seu caminho

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This podcast has
1143 episodes
Date created
2020/01/17
Latest episode
2026/02/04
Average duration
4 min.
Release period
2 days

Description

Um podcast que marca o ritmo da vida, através da liturgia dominical.

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Vídeo de apresentação
2026/02/04
Vídeo de apresentação
IV Domingo do Tempo Comum - Evangelho
2026/02/01
IV Domingo do Tempo Comum - Evangelho
IV Domingo do Tempo Comum - Segunda Leitura
2026/01/31
IV Domingo do Tempo Comum - Segunda Leitura
IV Domingo do Tempo Comum - Primeira Leitura
2026/01/30
IV Domingo do Tempo Comum - Primeira Leitura
III Domingo do Tempo Comum - Homilia
2026/01/25
Se mais não fosse pelo gesto que fizemos antes da proclamação do Evangelho, acordamo-nos de que hoje celebramos o Domingo da Palavra. Neste domingo, a Igreja lembra-nos, de modo muito concreto, que vivemos guiados e orientados pela Palavra de Deus. Por isso, a Palavra merece de nós carinho e respeito, mas também uma curiosidade boa: ela é a narração da experiência de Deus feita por homens e mulheres ao longo da história e, inspirados pelo Espírito Santo, ensina-nos um caminho certo para fazermos, aqui e agora, uma experiência viva de Deus. Importa, porém, retirar uma ideia que às vezes nos acompanha e que pode até causar choque quando começamos a ler a Bíblia. A Escritura não conta apenas histórias “limpas” e edificantes; nela encontramos também quedas, conflitos e verdadeiras misérias humanas. E alguém pode perguntar: “Mas isto é Palavra de Deus?” Sim, porque Deus não Se revela num mundo artificial, mas na realidade concreta, com as suas sombras e contradições. A Bíblia não romantiza a existência: mostra que, mesmo quando a vida se torna dura, Deus continua presente e continua a falar, com uma palavra de esperança e de recomeço. Essa esperança é anunciada na primeira leitura. O povo vive oprimido e humilhado, como quem caminha nas trevas. E é então que o profeta ousa dizer: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz.” Esta palavra não nega a dor nem nos pede que a ignoremos. Pelo contrário, convida-nos a dar nome ao que nos faz sofrer, ao que nos oprime, ao que parece roubar vida por dentro. Este é um passo espiritual fundamental: não fugir da realidade, mas colocá-la diante de Deus, com verdade. No meio da dor, pede-se luz; e Deus não responde com evasões, responde com presença. E aqui o Evangelho faz coincidir promessa e cumprimento. A luz anunciada na Galileia concretiza-se quando Jesus vai para a Galileia: Ele próprio é a luz que Se levanta sobre os que habitam na sombra da morte. E repare-se: a luz não é um holofote virado para nós, para exibirmos virtudes ou para chamarmos atenção. A luz é para iluminar o mundo e nos ajudar a vê-lo como ele é. Por isso precisamos de deixar que o Senhor converta o nosso olhar, para vermos como Ele vê e para aprendermos a ler a vida sem ilusões, mas com esperança. Daqui nasce a necessidade de um contacto assíduo com a Palavra. Uma das tentações mais comuns é pensar que já sabemos: “Eu já li, eu já conheço, eu já sei.” Mas a Palavra de Deus não é, sobretudo, para “saber”; é para dialogar, para meditar, para nos deixar surpreender. Às vezes digo, com alguma ironia, que há alguém que sabe mais do que nós — o diabo — e, mesmo assim, isso não o conduz à vida. A liturgia dá-nos este alimento todos os dias, para que a Escritura não seja um recurso ocasional, nem apenas quando estamos bem-dispostos, nem apenas quando estamos tristes. A Palavra é um diálogo contínuo: Deus fala-nos e nós respondemos, até que a nossa vida comece, pouco a pouco, a ganhar o ritmo e o horizonte do Evangelho. O cristianismo, de resto, não é apenas “uma religião do livro”. O cristianismo é a religião de uma Pessoa: Jesus Cristo, a Palavra feita carne. Conhecer Deus não é apenas repetir informações sobre Ele; é amar e deixar-se amar. Isto implica tempo, como acontece com as relações verdadeiras. Penso que ninguém conhece melhor uma pessoa do que a sua própria mãe e, no entanto, as mães não se cansam de estar com os filhos, porque não se trata de acumular dados, mas de saborear a presença. Assim também com a Palavra: o objetivo principal não é saber mais, mas saborear a presença de Deus e deixar que essa presença nos molde, converta o coração, ilumine a inteligência e purifique o desejo. E assim, mesmo na vida real, com as suas lutas e limites, vamos aprendendo a reconhecer na nossa história a história misericordiosa de Deus, que nos ama, nos liberta e nos abre um caminho de luz. Por isso, andemos com Jesus, andemos com a Palavra: nela está a alegria que não passa e a esperança que não desilude.
III Domingo do Tempo Comum - Evangelho
2026/01/25
III Domingo do Tempo Comum - Evangelho
III Domingo do Tempo Comum - Segunda Leitura
2026/01/24
III Domingo do Tempo Comum - Segunda Leitura
III Domingo do Tempo Comum - Primeira Leitura
2026/01/23
III Domingo do Tempo Comum - Primeira Leitura
II Domingo do Tempo Comum - Homilia
2026/01/18
O Evangelho de hoje faz-nos recordar o de domingo passado, quando celebrámos a festa do Batismo do Senhor. Agora, na versão de São João, voltamos ao mesmo acontecimento, mas com outro olhar. E pode surgir a pergunta: “Isto não se repete? Não está já dito?” A verdade é que o batismo não é apenas um episódio do passado; é uma realidade que se fez em nós e que continua a fazer-se em nós. Ser batizado é entrar num caminho, numa identidade e num projeto de vida que se vai concretizando dia após dia. Estamos também a celebrar o segundo domingo do Tempo Comum, o tempo dos paramentos verdes. Começa depois do Natal, é interrompido pela Quaresma e pela Páscoa, e retoma até ao fim do ano litúrgico. Às vezes, este tempo pode parecer um “tempo de segunda”, menos importante. Se pensássemos numa prova de ciclismo, como a Volta a Portugal, diríamos que é uma “etapa de rolar”: parece que não decide nada, parece apenas para cumprir. Na liturgia, poderíamos achar que o essencial são os tempos “roxos” da Quaresma e os tempos “brancos” do Natal e da Páscoa. E é verdade que esses tempos são belíssimos e muito intensos. Mas o Tempo Comum é decisivo, porque é no comum do dia a dia que nós nos identificamos, ou não, com o Senhor Jesus. Nos tempos fortes, tudo nos desperta e nos recorda Deus; no comum, distraímo-nos com mais facilidade. Por isso, hoje, recordar o batismo é importante. Não para o ver como uma obrigação imposta, mas como um projeto de vida sonhado e querido por Deus. A primeira leitura diz-o com força: “Tu és o meu servo, em ti manifestarei a minha glória.” E ainda: “Ele formou-me desde o seio materno.” Nós fomos escolhidos por Deus não por sermos melhores, nem por termos méritos especiais, mas porque Ele quis, porque nos amou desde sempre, porque nunca deixa de tomar a iniciativa. E depois nós respondemos. Cantámos no salmo: “Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.” E, se me permitem, tantas vezes eu sinto vontade de mudar uma palavra e dizer: “Eu venho, Senhor, para fazer a nossa vontade.” Não porque deixemos de seguir Deus, mas porque a conversão é precisamente este processo: deixar que a vontade de Deus se torne também a nossa vontade. Aquilo que Deus nos pede e sonha para nós é sempre maior e mais realizador do que aquilo que, sozinhos, conseguimos desejar. É neste contexto que a segunda leitura, no início da carta de São Paulo aos Coríntios, faz todo o sentido. Paulo saúda a comunidade com palavras que a liturgia conserva: “A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco.” Reparemos na ordem: a graça vem primeiro. O amor de Deus vem antes de tudo. É sempre Deus quem dá o primeiro passo. E João aponta para Jesus e diz: “Eis o Cordeiro de Deus.” Cordeiro de Deus lembra-nos o Cordeiro Pascal: a Páscoa, a libertação, a alegria de uma vida nova, plena. E a paz, para nós, não é apenas ausência de conflitos. Isso é pouco. Paz é harmonia interior: comigo, com os outros e com Deus. É a consequência da ação de Deus na nossa vida. Por isso somos capazes de viver tendencialmente em paz: aceitando quem somos, compreendendo a complexidade do mundo e até as feridas que por vezes nos chegam através dos outros, mas amando mesmo assim ao estilo de Deus, construindo pontes e laços. São Paulo diz ainda: “Aos que foram santificados em Cristo, chamados à santidade.” A santidade não é privilégio de alguns; é vocação de todos. Em Cristo, somos santos e, ao mesmo tempo, estamos a caminho de o ser de forma concreta. E assim se cumpre a promessa: “Vou fazer de ti a luz das nações.” Tornamo-nos luz quando somos homens e mulheres de paz, moldados pela graça de Deus, levando aos lugares onde estamos uma presença mais pascal, mais reconciliada e mais humana.
II Domingo do Tempo Comum - Evangelho
2026/01/18
II Domingo do Tempo Comum - Evangelho
II Domingo do Tempo Comum - Segunda Leitura
2026/01/17
II Domingo do Tempo Comum - Segunda Leitura
II Domingo do Tempo Comum - Primeira Leitura
2026/01/16
II Domingo do Tempo Comum - Primeira Leitura
Festa do Batismo do Senhor - Homilia
2026/01/11
Ao passarmos do tempo do Natal para o tempo comum, a liturgia faz-nos celebrar a festa do Batismo do Senhor. No Evangelho, João Batista batiza no Jordão com um batismo de penitência e de conversão, para lavar e purificar os pecados. É neste contexto que Jesus se aproxima para ser batizado. João estranha e resiste: “Eu é que preciso de ser batizado por Ti, e Tu vens ter comigo?” Mas Jesus responde: “Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça.” Aqui vê-se o projeto de vida de Jesus: Ele assume por inteiro a nossa condição humana. Por vezes imaginamos Jesus como um “super-homem”. É verdade que Jesus Cristo é verdadeiro Deus, mas é igualmente verdadeiro homem; e, para viver até ao fim a missão recebida, entra na nossa história com a densidade real da vida humana: com as suas dúvidas, escolhas e lutas interiores, com dificuldades, tentações e contradições, permanecendo fiel ao Pai até às últimas consequências. Depois do batismo, os céus abrem-se, o Espírito de Deus desce como pomba e uma voz proclama: “Este é o meu Filho muito amado, em Quem pus toda a minha complacência.” Quem é este Filho, e que Messias esperava o povo? A primeira leitura de Isaías dá-nos o retrato do Servo eleito: sustentado por Deus, cheio do Espírito, enviado para levar justiça às nações. Não se impõe pela força, nem pelo grito, nem pela violência; impõe-se pelo serviço e pela dedicação. “Não quebrará a cana já fendida” e “não apagará a torcida que ainda fumega.” A imagem é belíssima: quando a cana já está rachada e frágil, Ele não a parte; como numa candeia a azeite, quando o pavio já só fumega e já só resta um fio de brasa, Ele não apaga; guarda esperança. “Complacência” é uma palavra pouco usada, mas diz isto: o olhar de Deus com alegria, ternura e prazer, como o olhar de um pai e de uma mãe sobre o seu filho. Deus olha para Jesus e põe n’Ele toda a sua alegria e todo o seu cuidado. Ao celebrarmos o batismo de Jesus, recordamos também o nosso batismo. Muitos não se lembram, porque foram batizados em bebés, mas, mais tarde, cada um foi confirmando o seu “sim” a Cristo. Por isso, aquilo que hoje ouvimos acerca de Jesus toca a nossa identidade: também sobre nós Deus diz, no batismo, “tu és meu filho muito amado”. Aqui está o motor da vida cristã. Não somos cristãos por obrigação, por medo, nem para “fazer pontos”. Somos cristãos porque, antes de tudo, nos sabemos amados; e desse amor nasce um estilo: não levantar a voz para nos impormos, não quebrar a cana fendida, não apagar a torcida que ainda fumega. Isto é relativamente fácil com desconhecidos e com os fortes; custa mais com quem está “na mão de baixo” e, sobretudo, com os de casa, onde conhecemos as feridas e os erros repetidos. Aí, ser cristão é aprender a esperar contra toda a esperança: voltar a olhar, recomeçar, oferecer uma palavra e um gesto que não fecham a porta ao futuro. E de onde vem a força para isto? Não vem apenas das nossas energias. Vem do amor de Deus: um amor total, alegre, fiel e eterno, um amor em que Deus sente prazer só em amar-nos. Por isso, quando a liturgia nos envia, as fórmulas do Missal podem resumir tudo como programa de vida: “Glorificai a Deus com a vossa vida” e “A alegria do Senhor seja a vossa força.” Se aceitarmos, de verdade, que somos batizados a partir da experiência de sermos amados por Deus, então esse amor transforma-nos, redime-nos e liberta-nos.
Festa do Batismo do Senhor - Evangelho
2026/01/11
Festa do Batismo do Senhor - Evangelho
Festa do Batismo do Senhor - Segunda Leitura
2026/01/10
Festa do Batismo do Senhor - Segunda Leitura

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