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Balanço e Fúria

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This podcast has
92 episodes
Explicit
No
Date created
2020/09/28
Latest episode
2026/07/09
Average duration
69 min.
Release period
38 days

Description

Um podcast dedicado a interpretar as relações entre música e política.

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Cyberpunk do subúrbio – Cristiano Onofre como testemunha do apocalipse
2026/07/09
Cristiano Onofre (AKA Fora de Compasso, AKA Crizin da Z.O.) é um artista que traz em suas obras a síntese do colapso, o testemunho da lixificação e a relação com a fragmentação da linguagem, mobilizando de forma singular aquilo que hoje pode ser chamado de pós-ironia. Nesta conversa, remontamos sua trajetória, marcada pelo punk, pelo autodidatismo nas artes visuais e pela relação com a cultura digital, elementos que atravessam tanto seu trabalho como artista visual quanto o projeto Crizin da Z.O. A partir desse percurso, especulamos formas de fazer e narrar uma realidade cyberpunk do terceiro mundo.
O estado da arte do funk carioca, com Taísa Machado
2026/06/11
Durante a última década, pudemos acompanhar a ampliação do ecossistema artístico que compõe o funk, reverberando o que está presente na dimensão musical e na cultura de baile para outros campos, como a pintura, a fotografia, o cinema, a instalação e a performance.Imaginar que essas produções possam encontrar espaço em ambientes institucionais, receber outras chancelas e alcançar novos públicos pode dar a impressão de que estejam relativamente protegidas das violências que acontecem nas ruas. Mas isso não é necessariamente verdade. Nas últimas semanas, vimos a repercussão da censura à exposição “Funk: Um grito de ousadia e liberdade”, no Museu da Língua Portuguesa, encerrada antecipadamente em 31 de maio, e como ações desse tipo transformam os debates sobre arte, mais uma vez, em conversas sobre violência.Diante dessa velha realidade que é a perseguição ao funk, nesta conversa com Taísa Machado, uma das curadoras da exposição, tentamos mapear a diversidade dessa atuação funkeira que insiste em subverter espaços, que não abre mão da contradição em nome da assimilação e que, a cada dia, refina ainda mais suas propostas estéticas em diversas frentes. Na capa do episódio, arte de Bruno Lyfe
Sound System guerrilha – cartografias, práticas e vibrações, com Dani Pimenta e Natan Nascimento
2026/05/14
A relevância de uma cultura pode ser constatada não apenas por sua capacidade de mobilizar público e alcançar visibilidade, mas também pelas diversas iniciativas que surgem daqueles que constroem essa comunidade, articulando outras frentes, que, no caso desta conversa, se dedicam à preservação da memória e à criação de um arquivo voltado ao mapeamento da diversidade territorial e formal dos Sound Systems no Brasil. Em tempos de vulnerabilidade dos registros e de sequestro de dados, o Mapa Sound System Brasil, encabeçado por Dani Pimenta e Natan Nascimento, realiza um importante trabalho de cartografar iniciativas Brasil afora e tornar visível a expansão dessa cultura. Nesta conversa, a festa é fundamental, mas a pesquisa e a prática são o mote para pensar território, engenharias e vibrações.
Da fábrica de bico à fábrica de Marighella – pesquisas e tecnologias entre funk, trap e grime, com Fleezus
2026/04/28
A música Fábrica de Bico, do MC Zói de Gato, pode ser considerada um dos marcos em termos de consumo de música pela internet no Brasil. O registro mais antigo no YouTube é de 16 anos atrás, e o vídeo mais acessado tem cerca de 13 milhões de visualizações. Mas a música é mais antiga que isso, e seu impacto foi maior. Muito provavelmente, essa é uma impressão localizada, especialmente para quem cresceu no estado de São Paulo no começo dos anos 2000 e estudou em escola pública. Ainda assim, a combinação de MC Zói de Gato, MC Bill e Bolinho com “Buffalo Bill” e “Bonde da Juju”, do Backdi e Bio G3, remonta a uma paisagem que pode ser enriquecida por três elementos: o celular Motorola V3, a Escola da Família e as lan houses. Por um lado, esses sons foram virais. Jovens periféricos, independentemente do gênero musical que preferiam, não escapavam de refrões que se tornavam clássicos quase instantaneamente. Por outro, vemos ali um modo de produção, da música aos clipes, que não só antecipou, mas pautou produções futuras, como as do Kondzilla, e contaminou, de um jeito ou de outro, linguagens mais recentes, como o trap e o grime. Pegando o bonde dessa história a partir de Zói de Gato, conversamos com Fleezus sobre o que marca o gosto e as pesquisas dessa geração paulistana no começo dos anos 2000 e como isso representa um fio que liga outras estéticas e discursos.
Quantos latinos um gringo aguenta? com Claudia Manzo
2026/04/06
2026 começou marcado por uma série de acontecimentos que colocaram a América Latina no centro de disputas culturais e políticas. Do sequestro de Maduro, passando pela apresentação de Bad Bunny no Super Bowl, até o estrangulamento ainda mais violento dos Estados Unidos em relação a Cuba, vemos como cada um desses momentos produz impactos distintos no público. A euforia, o engajamento, ou a ausência deles, oferecem pistas para pensar aquilo que chamamos de “latinidade”: qual nos querem vender e qual estamos dispostos a comprar. Sabemos que, na velocidade dos acontecimentos, tomar os fatos mencionados acima como baliza para a conversa, já os coloca, em alguma medida, como ultrapassados. Mesmo assim, independentemente do timing ou do hype, é possível identificar uma tendência: a emergência de uma era “latin-core” no norte global, impulsionada tanto pelo esgotamento das linguagens estadunidenses e europeias quanto pela crescente circulação de produções latino-americanas. Nesse contexto, a tensão entre a latinidade como produto e a realidade histórica das produções que há muito tempo existem por aqui tende a se intensificar. Diante disso, junto de Claudia Manzo, recuperamos parte da história de uma produção musical que se coloca de forma radical, latino-americana e anti-imperialista, das experiências atravessadas pelas ditaduras, como a nueva canción, nueva trova e afins, até os desdobramentos que chegam às produções mais recentes, como o reggaeton, a cumbia e o funk.
Breves notas sobre o privilégio (ou a falta dele), com Lê Almeida
2026/02/26
Sonic youths de quebrada,  Pavements da baixada, Guided by voices do subúrbio, Built to spills do interior… o começo dos anos 2000 no Brasil foi prolífico no que diz respeito à criação de uma cena daquilo que podemos chamar de "indie”, que nos anos 90 chamariam de “guitar”, mas com um frescor de descentralização ainda maior. A razão de isso ter acontecido talvez esteja diretamente relacionada à forma incipiente como a internet se colocava naquele momento e à sensação de que você recebia um fluxo de informação na medida certa, compatível com o tempo de ler, ouvir e assimilar. CD-Rs, fóruns, Soulseek, MySpace e derivados.Mas a questão prática que marca a circulação e a longevidade dessas bandas e pessoas é o traquejo desenvolvido no meio do caminho quando não se está no centro da produção dessa estética. A malícia e o desenrolo precisam ser desenvolvidos no deslocamento até o centro, pra que às vezes as coisas possam dar certo e as vezes não.Nessa conversa com Lê Almeida falamos disso, das coisas que deram certo, que não deram e que vão dar.
Keep the faith – o northern soul e o swing das margens com Lovesteady
2026/01/28
Depois de uma semana inteira trancafiados por quase 10 horas diárias em uma fábrica qualquer de alguma cidade ao norte da Inglaterra, jovens entediados ansiavam pelos finais de semana e pelo encontro nos clubes que celebravam os singles mais raros de soul estadunidense dos anos 60. A camisa de botão mais bem passada, o sapato mais bem lustrado, anfetamina no bolso e acrobacias na pista de dança. Os clássicos da Motown e da Stax não eram o suficiente para eles. KEEP THE FAITH
Uma extrema-direita pra cada um – capitalistas, militares e cidadãos comuns com Odilon Caldeira Neto
2026/01/22
De 2016 para cá, já passou tempo suficiente para que deixemos de tratar a variada gama que compõe o espectro da extrema-direita mundial como uma novidade. Nesse intervalo, surgiram novas nuances, impulsionadas sobretudo pelo desenvolvimento tecnológico e pelas expressões culturais oriundas dos ambientes digitais, mas hoje nada disso nos surpreende. Após dez anos da primeira eleição de Trump e do golpe no Brasil, reconhecemos que a atuação das extremas-direitas deixou de ser apenas uma ameaça para se tornar um dado concreto, instaurado, normalizado e radicalizado em diferentes contextos do mundo. Nessa conversa com Odilon Caldeira Neto, partimos dos dilemas que se intensificaram nos últimos dez anos e cruzamos as conexões da extrema-direita que se estendem do fascismo histórico às formas contemporâneas da contracultura, passando pela política institucional e por suas expressões aceleracionistas e masculinistas. Trata-se de um campo capaz de arrebanhar não apenas homens brancos e velhos afetados pela crise de 2008, que escancarou as portas para um certo tipo de reacionarismo no norte global, mas também jovens precarizados dos países do sul. Acesse o link na bio para ouvir.
Deus para ateus – espiritualidade, relação, negrume e alumbramento com Nathalia Grilo
2026/01/12
Nas últimas conversas que tive com a Nathalia, em 2025, a ideia de gravar um episódio dedicado ao disco A Love Supreme, de John Coltrane, aparecia como algo recorrente, principalmente por conta da celebração dos 60 anos de seu lançamento.A gravação desse episódio não chegou a acontecer, mas a conversa que trazemos hoje, embora não seja sobre Coltrane nem sobre esse disco, pode ser lida como um tributo indireto àquela ideia: a de uma obra capaz de produzir uma imagem possível de “Deus para ateus”, para quem escuta com atenção e se permite penetrar por ela. Neste episódio, o exercício é deslocar as compreensões que costumam situar as experiências do “espiritual”, do “espiritualizado” ou do “espiritualizante” no campo da religião, da doutrina ou dos códigos que organizam práticas voltadas à transcendência e ao metafísico. O movimento aqui é outro: pensar o espiritual como aquilo que afeta o espírito, que opera como uma mediação sensível nas nossas relações com a realidade. Acompanhados de Djalma Corrêa, Sun Ra, Elza Soares, 24 Carat Black, Juçara Marçal, Hugh Mundell, Édouard Glissant, Nei Lopes e Suzanne Césaire, percorremos caminhos que encontram nas artes uma arma espiritual necessária para enfrentar este mundo.
Saravah soundz – discos como memória da música de terreiro com Éden Barbosa
2025/10/21
Os discos de vinil de macumba revelam uma camada complexa da vida cultural brasileira, em que o som dos terreiros, dos pontos cantados e das giras se transformava em mercadoria, objeto de curiosidade e também de devoção. Essas gravações, ao mesmo tempo em que documentavam práticas religiosas afro-brasileiras, circulavam num mercado que oscilava entre o fascínio e o preconceito, a exotização e o respeito. Ouvir e colecionar esses discos hoje é revisitar essa ambiguidade histórica – em que o país consumia e admirava aquilo que, socialmente, insistia em marginalizar – e reconhecer neles um arquivo sonoro fundamental da espiritualidade e da criatividade popular brasileira.
Baile na favela do maranhão – políticas do prazer e territórios em desaparecimento por Thaís Regina
2025/08/22
A luta pelo espaço é também a luta pelo tempo. O tempo como lugar na história e o tempo em que é possível gozar, viver, ser. Neste episódio especial, produzido por meio do edital “Memórias do presente: comunicação em direitos humanos”, do Memorial da Resistência, a jornalista Thaís Regina investiga a história da Favela do Maranhão, território que nunca esteve nos mapas oficiais da cidade de São Paulo e que foi varrido definitivamente pelo processo de desfavelamento empreendido nos anos 1970, durante os anos de chumbo da ditadura militar. Em um ensaio que vai da Favela do Maranhão à Favela do Moinho, da Carolina Maria de Jesus à prisão do Poze do Rodo, esse episódio reúne diferentes arquivos, depoimentos e vestígios que desenham a paisagem da cidade a partir de práticas de solidariedade, resistência e prazer.  Pesquisa e produção: @apropriathaisregina Colaboração: @rodrigoxcorrea e @dvanessinha Edição: @vanrozendo
A vanguarda da desesperança – o punk brasileiro entre a crise e a mobilização [FREQUÊNCIA PARALELA]
2025/06/08
A falta de horizonte, a dificuldade de articular alternativas e de experimentar outra vida têm marcado nosso tempo de forma determinante, inaugurando sentimentos ainda sem nome e afetando nossa capacidade de mobilizar vontades e ações. Mas, se a desesperança é a condição que conseguimos reconhecer, por que não tomá-la como insumo para exercitar a criação de um novo vocabulário – capaz de deslocar a atomização e o sofrimento? Talvez o punk tenha sido a maior expressão cultural a transformar a desesperança em combustível para elaborações estéticas que reverberaram em ações coletivas e formas de vida. Neste episódio, visitaremos algumas produções do punk nacional dos anos 1980 que ajudam a articular noções que atravessam os dilemas do presente – da precarização do trabalho ao sofrimento psíquico, do genocídio na Palestina ao avanço tecnológico em direção a uma inteligência artificial geral.
Por uma estética do conflito – arte como política de rua com Raphael Escobar
2025/03/25
A prática artística de Raphael Escobar é também educacional e política. Marcada pelo trânsito entre museus, galerias e a rua – especialmente a Cracolândia – vemos nela a proposição do conflito como chave para subversão dos espaços e o escancaramento das contradições dos lugares tidos como públicos. Contra a tecnologia de morte aplicada pelo Estado sobre populações vulneráveis, blocos de carnaval, rodas de samba e rima e práticas das artes visuais são usadas como tecnologias de vida na ativação de pessoas e lugares onde a opressão é regra. E a conversa de hoje é sobre isso. Confundir para organizar, organizar para tomar. A alegria, os museus, a criação, a dignidade.
A crise é cognitiva – a guerra cultural e os fins da internet com Leonardo Foletto
2025/02/06
Quem teve acesso à internet do fim dos anos 90 e começo dos anos 2000 jamais imaginaria que ela se tornaria um dos principais instrumentos para a elaboração do fascismo de nosso tempo, um impulsionador da crise política e estética, seguido da crise cognitiva que determinaria uma nova subjetividade em seus usuários, assim como uma nova definição de capitalismo ultraprecarizado e ultraliberal, que confundiu ainda mais os limites do trabalho, das liberdades e da democracia liberal. Da guerra cultural à plataformização, passando pela monopolização das Big Techs e a disputa geopolítica baseada nas tecnologias criadas a partir do que resta da internet, Leonardo Foletto caminha sobre uma breve história das redes de compartilhamento, da pirataria, do hackativismo até o apodrecimento algorítmico fascista em que nos encontramos agora.
Contrapolíticas da noite – entre a festa, a crítica e a produção de memória com Laboratório Noturno
2025/01/28
A noite nessa conversa não é só uma metáfora. Falamos, sim, de uma política rastejante, que se dá nas sombras, no descuido dos que descansam, capaz de revelar uma outra cidade sobre a cidade, mas que, no seu sentido literal, não tem como momento de reverberação a luz do dia. O Laboratório Noturno é um coletivo/grupo/laboratório que reúne pessoas que fazem, vivem e pensam a noite em espaços para articulações multidisciplinares que usam da crítica, da performance, da arquitetura e das artes visuais para amplificar a potência e preservar a memória dessas produções. Saiba mais sobre o Laboratório Noturno: instagram.com/labnoturno

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