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Histórias de ter.a.pia

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★★★★★
5
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This podcast has
265 episodes
Publisher
ter.a.pia
Explicit
No
Date created
2021/05/25
Latest episode
2026/09/18
Average duration
11 min.
Release period
10 days

Description

Histórias reais, de gente como a gente, para você ouvir e se inspirar.

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Depois da morte do filho, ela passou a cuidar de pessoas com deficiência
2026/09/18
Em poucos anos, Keila Maria perdeu o filho, o pai, o marido e a mãe. Mas, em meio a tantos lutos, encontrou uma missão que fez com que ela continuasse de pé: cuidar de 110 pessoas com deficiência. Em 2017, seu filho morreu em um acidente de carro no interior do Ceará, aos 24 anos. A notícia chegou de forma inesperada, e Keila entrou em um período de profunda depressão. Ela, que tinha uma vida confortável e muitos bens, percebeu que nada daquilo era capaz de preencher o vazio que ficou. Foi então que recebeu um convite para assumir um instituto que estava fechado e cuidar de pessoas com deficiência. Começou com sete assistidos. Um ano depois, já eram 30. Enquanto reconstruía a própria vida, Keila precisou enfrentar outros lutos: do pai, marido e da própria mãe. Nesse meio tempo, já havia 110 pessoas esperando por ela no Instituto Léa Rosenberg. Compre o livro do ter.a.pia "A história do outro muda a gente" e se emocione com as histórias : https://amzn.to/3CGZkc5 Quer nos ajudar a contar mais histórias, considere apoiar o Histórias de ter.a.pia com um pix de qualquer quantia: [email protected]
Fui coagida aos 12 anos para enviar fotos do meu corpo para um adulto
2026/09/10
Aos 12 anos, Bianca era uma criança que acreditou ter encontrado na internet um amigo que finalmente enxergava nela tudo aquilo que ela mesma não conseguia ver. Do outro lado da tela, porém, estava um homem adulto de 24 anos. Durante três anos, enquanto ela ainda crescia, ele foi transformando aquela amizade em uma relação de controle, até fazer Bianca acreditar que obedecê-lo era uma forma de não perdê-lo. Tudo começou quando ela, aos 7 anos, começou a jogar um jogo para crianças no computador. Nesse jogo, ela fez muitos amigos virtuais, mas todos jogavam de forma anônima. Até que um adulto, se passando por criança, começou a demonstrar interesse não pelas partidas, mas por saber quem era a Bianca. Ele começou a encher ela de elogios, e isso a motivava a continuar naquela relação digital. Aos poucos, o homem passou a influenciar suas roupas, seu cabelo e sua rotina, e o que parecia cuidado começou a se transformar em controle. Ele queria saber onde Bianca estava, com quem falava e o que fazia. Fez com que ela se afastasse de outras pessoas, inclusive da própria mãe, e passou a usar cobranças e ameaças para controlar suas emoções. A relação chegou a um ponto em que Bianca era pressionada a enviar imagens do próprio corpo diariamente. Ela se sentia mal, mas tinha mais medo de desobedecer. Foi quando ele pediu que ela viajasse sozinha até sua casa para acompanhá-lo em uma suposta cirurgia. Nesse momento, Bianca finalmente percebeu que precisava interromper aquilo. O fim não trouxe alívio imediato. Durante anos, Bianca acreditou que a culpa era dela, pensava que não deveria ter respondido a um adulto, que não deveria ter confiado, que talvez tivesse provocado tudo aquilo. Só muito tempo depois começou a compreender: ela era uma criança. Quando conseguiu contar para a mãe, foi à delegacia e reuniu tudo o que ainda tinha sobre aquele homem. Ele desapareceu depois do fim da relação, e o processo segue em sigilo. Bianca decidiu transformar aquilo que viveu em informação. Criou um canal para falar sobre violência e passou a ajudar outras pessoas a reconhecer situações que, assim como ela, talvez ainda não consigam nomear. Porque uma criança não tem como saber se proteger da manipulação de um adulto. E Bianca passou anos precisando aprender isso depois que tudo aconteceu.
Denunciei meu pai aos 15 anos por abuso infantil
2026/08/27
Durante toda a infância, Ana Beatriz acreditou que o pai era o homem que mais cuidava dela. Até descobrir que o que os “carinhos” dele, na verdade, escondiam uma violência que ela só conseguiu nomear após ver uma matéria sobre abuso infantil na TV. Como a mãe trabalhava fora para sustentar a família, Bia passava muito tempo em casa com o pai. Ele brincava com os filhos, jogava bola, fazia tranças no cabelo dela. Era presente, amoroso, e talvez por isso ela tenha demorado tanto para entender o que estava acontecendo. A ficha caiu quando uma reportagem sobre abuso infantil passou na TV. Pela primeira vez, ela reconheceu algo que também fazia parte da sua vida. E percebeu que a violência não vinha de um desconhecido, mas do próprio pai. O conflito ficou ainda maior porque ela o amava e tinha medo de perdê-lo. Também tinha medo de que a mãe não acreditasse nela e de destruir a família que conhecia. Aos 16 anos, Bia encontrou coragem para denunciar o pai ao Conselho Tutelar. A denúncia não encerrou o sofrimento. Foram anos de espera, audiências e perguntas que fizeram Bia reviver aquilo muitas vezes. O pai permaneceu em casa por um período, até que sua mãe, que nunca duvidou da filha, encontrou forças para tirá-lo de lá. Depois de sete anos de processo, ele foi preso. Hoje, Bia transformou a própria experiência em trabalho. Formada em Serviço Social, pesquisa formas mais humanas de acolher crianças vítimas de violência e escreveu um livro para ensinar outras crianças a se protegerem, chamado Carro Cris (https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/hagsxd-carro-cris-bvqz6/O103370091J) Ela sabe que não pode mudar o que aconteceu. Mas pode fazer com que outras crianças sejam ouvidas antes. E talvez essa seja a maior transformação da sua história: aquilo que um dia fez Bia acreditar que estava sozinha hoje é justamente o que a faz lutar para que nenhuma criança precise passar por isso sem alguém que a escute.
Vitiligo me deixou 'branco' e as pessoas passaram a me tratar melhor
2026/08/20
O Carlos é um homem preto que vive com vitiligo universal, o que fez com que ele perdesse a pigmentação de toda a pele e passasse a ser lido socialmente como um homem branco. Mas se a cor da pele dele mudou, as experiências que ele viveu como homem preto no Brasil continuam e se acentuam quando ele passa a ser lido como um homem branco. O vitiligo começou a se manifestar quando ele tinha cerca de oito anos. A primeira mancha apareceu no joelho. Quando o Carlos finalmente recebeu o diagnóstico, ouviu que a doença não tinha cura e que poderia ficar completamente branco. Carlos passou a esconder o corpo. Evitava bermudas, deixava de participar das aulas de educação física e tentava mostrar o mínimo possível das manchas. O que não doía, não coçava e não transmitia começou a produzir sofrimento de outra forma: pelo olhar das pessoas. E enquanto tentava entender o que estava acontecendo com sua pele, Carlos também começava a compreender que havia outra questão atravessando sua história: ele era um homem preto. Conforme o vitiligo avançava, sua aparência mudava. E ele percebeu isso de uma forma inesperada no trabalho de vendedor numa loja na Barra da Tijuca, no Rio. Quanto mais branca sua pele ficava, melhor ele passava a ser tratado pelos clientes. Sua conversão em vendas chegou a aumentar nesse período. Carlos começou a perceber que talvez não fosse apenas a sua pele que estivesse mudando. Era como as pessoas o enxergavam agora: como um homem branco. E essa nova leitura não apaga as experiências de racismo que viveu antes da despigmentação. Nem as situações que continuam acontecendo quando está ao lado do pai, um homem preto, ou quando alguém se sente confortável para fazer um comentário racista acreditando que Carlos pensa como eles. Quando finalmente percebeu que estava completamente branco, ele não sentiu que tinha vencido alguma coisa. Pelo contrário, ele não se reconhecia no espelho. Foi na terapia que começou a reconstruir essa relação com a própria imagem e entender que aquela mudança não apagava quem ele era.
Casal gay adota menina devolvida ao abrigo pela família adotiva e também sua irmã
2026/08/06
Rodrigo passou boa parte da vida acreditando que precisava escolher entre a própria fé e quem ele era. Criado na igreja, ouviu desde cedo que amar outro homem significava viver longe de Deus. Até encontrar uma comunidade que lhe mostrou um Deus diferente: um que não fazia acepção de pessoas, mas de amor. Foi ali que também encontrou Willian. A amizade virou companheirismo, a oração virou namoro e, depois, casamento. Os dois tinham um sonho em comum desde o início: serem pais. Quando entraram na fila da adoção, recusaram qualquer preferência. Cor, idade ou gênero nunca importou para os dois. Queriam apenas um filho. Um ano e meio depois, o telefone tocou, mas havia uma surpresa: não era uma criança. Eram duas irmãs. A mais velha, Daniela, tinha apenas quatro anos e carregava uma história que ninguém deveria viver. Ela já havia sido adotada por outra família e, por motivos que Rodrigo e Willian nunca souberam, tinha sido devolvida ao abrigo. Foi justamente quando ela voltou que sua irmã caçula, Maria Vitória, chegou bebê ao mesmo lugar. Diante de uma simples foto 3x4 das duas, eles tiveram certeza. Aquelas meninas eram suas filhas. Quando Daniela entrou na sala, segurou a mão dos dois e fez uma descoberta que mudaria a vida de todos: agora ela tinha dois pais. E, pela primeira vez, também tinha uma irmã. Naquele instante, Rodrigo entendeu que ninguém havia salvado ninguém. Eles também estavam sendo adotados. As meninas deram um novo sentido à sua fé, ao seu casamento e à própria ideia de família. Os desafios de uma paternidade dupla surgiram: escolas que só escreviam "querida mamãe" nos bilhetes, banheiros sem espaço para um pai acompanhar a filha, olhares curiosos e preconceitos silenciosos. Em vez de responder com revolta, eles decidiram ensinar. Com paciência, abriram caminhos para que outras famílias também encontrassem acolhimento. Hoje, Rodrigo costuma dizer que sua família não é diferente de nenhuma outra. Tem contas para pagar, dificuldades, aprendizados e muito amor. A maior prova disso talvez seja Daniela: uma menina que um dia foi devolvida como se pudesse ser descartada, mas que encontrou um lar onde nunca mais precisaria perguntar se era suficiente. Porque família não nasce da forma como ela começa. Nasce da decisão de permanecer. Compre o livro do ter.a.pia "A história do outro muda a gente" e se emocione com as histórias : https://amzn.to/3CGZkc5 Tenha acesso a histórias e conteúdos exclusivos do canal, seja um apoiador http://apoia.se/historiasdeterapia
Minha filha trans tirou a própria vida por conta do preconceito
2026/07/30
Até onde o discurso “meninos vestem azul, meninas vestem rosa” pode impactar a vida de uma pessoa trans? Desde muito pequena, a Vic já demonstrava que era uma menina trans. A Alessandra, sua mãe, demorou para compreender, mas quando a filha revelou sua identidade, ela a acolheu e começou a lutar pelos direitos da filha. Comprou seu primeiro sutiã, dividiu roupas, segurou sua mão e tentou fazer com que os olhares de julgamento não a atingissem. Mas eles atingiam. Na rua. Na escola. Nas pequenas violências diárias. Victória passou a viver com medo e, aos poucos, a alegria foi dando lugar à depressão. Ela já não queria sair da cama, estudar ou sonhar. Naquele período, um discurso público feito por uma autoridade política, logo após a posse do novo governo federal, afirmando que "meninos vestem azul e meninas vestem rosa", teve um impacto profundo sobre Victória. Para Alessandra, ouvir esse tipo de mensagem partindo de alguém em posição de liderança reforçava o preconceito que a filha já enfrentava diariamente e transmitia a sensação de que a exclusão era aceitável. Não foi um único discurso que provocou sua dor, mas ele se somou às inúmeras violências e discriminações que Victória já carregava. Em 04 de janeiro de 2019, aos 18 anos, Victória tirou a própria vida. Um dia após o tal discurso. A partida da Vic ainda reservava outra batalha para mãe e filha, já que a Alessandra enfrentou dias de sofrimento para conseguir que o nome social da filha fosse reconhecido em seus documentos póstumos. A Justiça do DF negou o registro póstumo da Victória, mas em em 2021, foi sancionada a Lei nº 6.804/2021, conhecida como Lei Victória Jugnet, que assegura o direito ao uso do nome social de pessoas trans e travestis em lápides, certidões de óbito e demais documentos póstumos. 7 anos depois, Alessandra ainda convive com as marcas desse trauma. Mas decidiu que a vida da filha não terminaria naquele janeiro. Porque, para ela, Victória não passou pelo mundo em vão. Sua história continua lembrando que nenhuma pessoa deveria perder a esperança de viver por causa do preconceito e que reconhecer a humanidade do outro nunca deveria ser motivo de debate, mas de respeito.
Meu cachorro aprendeu a salvar minha vida
2026/07/13
Desde pequena, Sabrina carregava a sensação de não pertencer a lugar algum. Na escola, era a criança que ficava sem recreio porque não conseguia acompanhar a aula, sofria bullying e acabou encontrando abrigo justamente entre os “desasjusados”. Sem entender o que acontecia dentro de si, cresceu tentando anestesiar uma dor. Aos 13 anos, encontrou no álcool uma fuga, que só a fez afundar. Na vida adulta, suas crises emocionais passaram a afetar o trabalho, os relacionamentos e a própria vontade de continuar vivendo. Durante muito tempo, todos enxergavam apenas uma mulher emocionalmente descontrolada. Até que vieram os laudos. Autismo, TDAH, ansiedade, depressão e síndrome de Tourette. O diagnóstico trouxe respostas, mas também o peso de aceitar que aquela diferença tinha alguns nomes. Nessa época, o Glück já fazia parte da sua vida. Ele chegou filhote e, logo nos primeiros meses, Sabrina descobriu que ele era surdo. Em vez de desistir, aprendeu uma nova forma de se comunicar com seu cãozinho. Adaptou comandos, treinou cada gesto e construiu uma linguagem com ele.. Anos depois, aquele cachorro que já era companhia se tornou seu cão de assistência, que auxilia a Sabrina em momentos de crise. Hoje, antes mesmo que Sabrina perceba uma crise chegando, o Glück percebe. Ele encosta a cabeça na sua perna, cutuca suas mãos e tenta chamar sua atenção. Quando ela começa a se machucar, batendo a cabeça ou arranhando o próprio rosto, ele salta sobre seu corpo e faz o que os especialistas chamam de terapia de pressão. O peso do seu corpo interrompe o caos. Sabrina respira, acaricia seu pelo e, aos poucos, volta para a realidade. Ela costuma dizer que existe uma diferença enorme entre sair sozinha e sair ao lado dele. Antes, uma crise no meio da rua podia fazê-la ficar totalmente perdida. Hoje, ela sabe que não está sozinha. Porque, às vezes, o que salva uma vida não é apenas encontrar um diagnóstico, mas um ser vivo que, mesmo sem ouvir uma única palavra, aprende exatamente como cuidar de você.
Depois de muitas relações abusivas, me apaixonei por uma colega de trabalho
2026/07/09
Durante muito tempo, Sayuri acreditou que amar significava suportar. Foi preciso atravessar a culpa, relacionamentos complicados, a maternidade e o esgotamento para descobrir que o amor de verdade não grita, não controla e não faz alguém esquecer de si. Ainda criança, ela cresceu tentando expulsar de si os sentimentos que acreditava serem pecado. Entre as orações de domingo e os primeiros apaixonamentos por meninas, carregava uma culpa que ninguém deveria conhecer tão cedo. Quando descobriu que também gostava de homens, acreditou ter encontrado o caminho para uma vida "normal". Mas os dez anos ao lado do noivo terminaram um mês antes do casamento, deixando para trás não apenas um coração partido, mas uma mulher que já havia perdido a própria autonomia. Foi a espiritualidade que a fez olhar para dentro e perguntar por que aceitava tão pouco de quem dizia amá-la. Ainda assim, repetiu velhos padrões em outro relacionamento. Vieram suas duas filhas, o preconceito no trabalho, o pós-parto, as mudanças no corpo e uma rotina marcada por discussões, gritos e solidão. Até entender que não podia convencer ninguém a tratá-la com respeito. Podia apenas escolher sair. A virada aconteceu quando conheceu Roberta. O encanto foi imediato, mas o que transformou Sayuri não foi a paixão. Foi encontrar alguém que respeitava seus limites, acolhia seus medos e nunca a fazia implorar por consideração. Pela primeira vez, ela percebeu que era desejável, mas, acima de tudo, digna de cuidado. Hoje, ela sabe que o maior amor da sua vida não foi aprender a amar outra pessoa. Foi aprender a se escolher. Porque relacionamentos podem acabar, mas quem aprende a se colocar como prioridade nunca mais aceita viver onde o afeto precisa disputar espaço com a humilhação. E, para quem enfrenta esse caminho, ela deixa duas certezas: ninguém atravessa a vida sozinho. Rede de apoio e terapia também são formas de amor.
Monique Evelle: Mulher preta só existe pela dor?
2026/07/02
Quando era criança, a Monique Evelle sonhava em ter dinheiro por um motivo muito simples: dar um plano de saúde para a mãe. Anos depois, ela conquistou muito mais do que isso: é uma empresária de sucesso, investidora e a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no Shark Tank Brasil. Mas com todo esse sucesso, ela descobriu que para muita gente, isso tudo só faria sentido se viesse acompanhado de sofrimento.Monique cresceu na periferia de Salvador acreditando que podia criar uma realidade que ainda não existia. Queria ser professora porque acreditava que a educação mudava vidas.Até ouvir, ainda adolescente, que ninguém vivia de sonho.A frase que poderia ter desanimado ela, fez o contrário: aos 15 anos, ela decidiu que construiria uma trajetória impossível de ser ignorada.Vieram a universidade, sua primeira empresa, o trabalho no Profissão Repórter e, depois, a decisão de voltar ao empreendedorismo. Foi quando entendeu que dinheiro e impacto social não precisavam ocupar lados opostos. Era possível transformar o mundo e prosperar ao mesmo tempo.Mas nem a ascensão apagou o racismo. As pessoas continuam perguntando se o dinheiro é realmente dela, continuam esperando o erro, e acreditando que alguém deve estar por trás das suas conquistas.Foi então que Monique percebeu outra armadilha.Sempre esperavam que ela falasse sobre dor. racismo, resistência. Como se uma mulher preta só pudesse emocionar quando estivesse sangrando.Mas ela decidiu fazer o contrário. Recentemente, escreveu um livro sobre amor. Falou do marido, dos afetos, da vontade de construir uma vida leve. E descobriu que isso incomodava mais do que qualquer denúncia.Porque existe um mundo que aceita mulheres negras fortes, desde que continuem sofrendo, mas a Monique recusou esse papel.Ela não quer provar que merece estar onde chegou porque pessoas pretas não precisam justificar o sucesso pela dor.Também podem vencer pelo sonho, pelo talento e, principalmente, pelo direito de amar em voz alta.
Passei a cuidar do meu marido após um AVC aos 32 anos
2026/06/18
Aos 32 anos, Evandro viu sua vida mudar de forma repentina: o cabeleireiro que sonhava em ter o próprio salão passou a depender de cuidados diários após um AVC grave. Mas, para Anderson, o amor que construíram juntos nunca coube dentro de um diagnóstico. Anderson e Evandro se conheceram pela internet. Em poucos meses já dividiam a mesma casa, os mesmos planos e o sonho de empreender juntos. Com o passar dos anos, tornaram-se família um para o outro. No segundo semestre de 2023, começaram as dores de cabeça de Evandro. Eles não sabiam, mas eram sinais de que algo estava errado. Na segunda-feira de Carnaval de 2024, Anderson foi visitar a família em outra cidade e quando voltou, encontrou Evandro apoiado na pia do banheiro, pedindo ajuda porque já não sentia as pernas. Horas depois, ele estava inconsciente no hospital. Foram dias de incerteza, até que em um breve momento de esperança, Evandro voltou a falar. E, logo depois, a notícia que mudaria tudo: ele havia sofrido um AVC. Foram quase cinquenta dias de UTI até que os médicos falaram em cuidados paliativos. Anderson imaginou que estava se despedindo. Em vez disso, precisou aprender a cuidar. Aprendeu a aspirar a traqueostomia, adaptar a casa e reorganizar toda a vida. Em meio à rotina do hospital, uma pergunta mal feita atravessou Anderson. Um médico quis saber onde estava a família de Evandro. Por um instante, ele percebeu tudo o que haviam construído juntos, e respondeu que a família estava ali. Nos seus irmãos, nas cunhadas, na sua mãe que não saía do seu lado, sobretudo na sua presença também. Porque, depois de tantos anos compartilhando a vida, Anderson não era, nem nunca foi um simples companheiro. Ele é a família do Evandro. Atualmente, o quadro do Evandro é bastante complexo. Ele se comunica por olhares, expressões e pequenos sinais que só quem ama aprende a traduzir. E Anderson aprendeu que cuidar não é abandonar a própria vida, mas encontrar novas formas de compartilhá-la. Porque o caminho não ficou mais fácil, só ficou mais leve. E, às vezes, o amor não cura, no sentido que a gente acredita que seja a cura, mas permanece. E permanecer, em certos momentos, é o gesto mais bonito que existe.
A morte do meu pai mudou a forma que subo no palco para cantar
2026/06/11
Quando perdeu o pai de forma repentina, a Bruna entendeu que o amor deixa marcas que permanecem vivas, mesmo quando a voz de quem amamos já não pode mais ser ouvida. Pouco tempo antes da perda, Bruna havia passado um feriado ao lado do pai. Voltaram para casa no sábado. No domingo de manhã, ele saiu de moto e não voltou mais. Um acidente interrompeu uma história que ela imaginava ter muito mais capítulos pela frente. 15 depois, ainda mergulhada no luto, ela tinha um show marcado. Subir naquele palco parecia impossível, mas foi justamente ali, tão perto da despedida, que encontrou forças para seguir. Cantar a fez lembrar por que havia escolhido a música. Desde o início, cada nota carregava um desejo silencioso: orgulhar o pai. A música sempre foi uma herança de família e seu avô era um de seus maiores mestres. Já muito doente, ele passava os dias entre a cama e as lembranças. Foi durante uma visita despretensiosa que Bruna comentou ter experimentado uma sanfona na casa de um amigo, e seu avô respondeu apontando para um instrumento esquecido na sala. A partir daquele dia, ela começou a aprender sozinha. Assistia a vídeos, ensaiava algumas notas e levava a novidade para compartilhar com ele. A sanfona virou uma desculpa bonita para estar presente com ele. Foi então que o pai percebeu algo especial naquele encontro entre neta e avô. Incentivou Bruna a pedir o instrumento para ela. Antes mesmo que ela terminasse a frase, o avô já havia dado sua resposta: para ele, aquela sanfona pertencia a quem a tocava. Um mês depois, ele partiu. Hoje, o pai já não está aqui. O avô também não. Outros amigos se foram pelo caminho, alguns de forma tão inesperada quanto o pai. Mas, quando Bruna canta, nenhuma dessas presenças parece distante. Porque a música se tornou o lugar onde as memórias permanecem vivas, o espaço onde o amor continua encontrando voz e onde ela pode reverenciar aqueles que ajudaram a construir quem ela é. Bruna acaba de lançar a música “Quase de Dançar”. O clipe reúne relatos de pessoas que já passaram pelo @historiasdeterapia e que ajudam a comprovar o poder transformador da música. Como diz a própria letra: toda canção nasce do que é bom de ouvir por dentro.
Antes de ser finalista do The Voice Brasil, ela ouviu que deveria lavar banheiro
2026/06/04
A pandemia quase levou a vida de Amanda. Ela sobreviveu, mas quase perdeu aquilo que mais amava: a sua voz. Para uma cantora, ouvir que nunca mais voltaria a cantar era como perder parte da própria identidade. Amanda cantava profissionalmente desde os 17 anos quando, em 2020, contraiu Covid-19. As complicações vieram rápido. Asmática, chegou ao hospital com apenas 40% de saturação e já apresentava sinais de confusão mental. Em pouco tempo, precisou ser entubada. O procedimento deixou uma cicatriz em suas pregas vocais. A recuperação foi lenta e dolorosa. Ela perdeu peso, precisou usar cadeira de rodas e dependia de ajuda até para tomar banho. A voz, antes firme, agora saía trêmula, insegura. Como se não bastasse, Amanda perdeu 37% da audição do ouvido esquerdo e passou a enfrentar dificuldades motoras que faziam seu próprio corpo parecer estranho. Quando decidiu buscar tratamento para voltar a cantar, encontrou alguns profissionais que diziam não saber como ajudá-la. Outros foram além: afirmavam que sua voz jamais voltaria. Um deles chegou a sugerir que abandonasse a música e procurasse um trabalho como faxineira, num óbvio comentário racista. Mas ela não deixou barato! Amparada pela fé, pela família e pela fonoaudióloga que acreditou nela, iniciou uma longa reabilitação que devolveram, pouco a pouco, aquilo que parecia perdido. Primeiro vieram os movimentos. Depois, algumas notas musicais e, finalmente, a voz. Em 2023, Amanda subiu ao palco do The Voice Brasil. Se inscreveu no programa para celebrar a vida, como alguém que voltou a ficar de pé. Amanda virou as quatro cadeiras e terminou a competição em segundo lugar! Desde então, cantou dentro e fora do Brasil, integrou projetos ao lado de grandes artistas, como Seu Jorge, e viu seu nome aparecer em lugares que jamais imaginou alcançar durante os dias em que sequer conseguia tomar banho sozinha. Ela aprendeu que recomeçar nem sempre significa voltar ao que era antes. Às vezes, significa voltar mais forte. Algumas pessoas recebem uma segunda chance, e a Amanda transformou a dela em música.
Humilhada por uma professora por ser faxineira, ela deu a volta por cima através da escrita
2026/05/28
A Aline cresceu no morro vendo a mãe se dividir em dois empregos para sustentar três filhos sozinha. Desde muito cedo ela aprendeu que sobreviver vinha antes dos sonhos. Ela parou de estudar aos 13 anos para trabalhar no farol. Enquanto vendia coisas nos semáforos, aprendia também a se proteger dos perigos que cercavam meninas pobres e negras desde cedo demais. Mais tarde, já com seu primeiro filho, ela consegue o primeiro emprego como faxineira depois de voltar a estudar pelo EJA, equilibrando os R$410 do salário entre aluguel, fraldas, leite e a vizinha que cuidava do filho pequeno. Mesmo enfrentando preconceito e assédio, ela seguia trabalhando com dignidade nas faxinas. Fazia questão de sorrir enquanto limpava banheiros, como quem tentava provar para si mesma que nenhum trabalho deveria diminuir alguém. Quando começou a trabalhar em uma creche, como auxiliar de limpeza, os traumas da infância voltaram. Via crianças negras e atípicas sendo excluídas das rodas, ignoradas pelas professoras, tratadas como invisíveis. Ela não conseguia fingir que não via. Até que, durante uma reunião de professores, ela sugeriu uma brincadeira para as crianças. A resposta de uma das professoras veio em forma de humilhação: “Cala a boca! Você não tem pedagogia”. Aquilo doeu fundo na Aline, mas foi também o dia em que ela decidiu que voltaria para aquela escola como professora. Sem dinheiro para faculdade, virou passista da Vai-Vai para pagar os estudos. Trabalhava como faxineira durante a semana, fazia shows à noite e vendia produtos em feiras nos finais de semana. Tudo isso enquanto criava o filho sozinha e tentava sobreviver a um relacionamento que repetia diariamente que ela era burra demais para conseguir se formar. Até que ela conseguiu. Entrou na Universidade Zumbi dos Palmares, se formou em pedagogia e voltou para a mesma creche que foi humilhada. Dessa vez, como professora. Ali, a Aline entendeu que podia transformar dor em acolhimento, e foi isso que fez dentro das salas de aula. Mais tarde, após o nascimento do filho com síndrome de Down, precisou deixar a escola novamente, mas não largou a pedagogia e transformou essa nova dor em literatura. Escreveu livros infantis com protagonismo negro e viu suas obras viajarem o mundo, serem reconhecidas em universidade fora do Brasil. A faxineira silenciada dentro de uma escola hoje ensina justamente aquilo que mais faltou para ela durante a vida toda: afeto e pertencimento.
Meus amigos decidiram que iam doar um rim para salvar minha vida
2026/05/21
Aos 33 anos, o Vinícius tomou um susto quando o que parecia ser apenas uma crise de gota revelou algo muito maior. Seus rins já não funcionavam como deveriam, e metade da função estava perdida. Junto com o diagnóstico, veio um medo que ele nunca tinha sentido antes, que era a sensação constante de que podia morrer, já que em determinado momento ele passou a precisar de um transplante de rim. Por sorte, Vinicius sempre teve muito acolhimento da família e também dos amigos, como o Thiago e a Xaxá. Foi numa ligação despretensiosa com a Xaxá, que ele ouviu que se fosse preciso, o amigo doaria um rim. Mas isso soou apenas como um apoio moral, até porque até ali ninguém sabia da seriedade da sua doença. O tempo passou, a doença do Vinicius avançou e ele seguiu em silêncio, carregando a certeza de que não podia pedir um rim pra ninguém. Até que, numa conversa com os amigos, ele mencionou que precisaria do transplante. E, como se fosse a coisa mais natural do mundo, Thiago e Xaxa compartilharam seus tipos sanguíneos. Como quem diz: “Sou um possível doador”. Foi nesse momento que tudo mudou. O que antes era impensável se tornou real, mas aceitar que alguém fizesse isso também doía porque receber um gesto desses carrega uma enorme responsabilidade Mas os amigos estavam junto com o Vinicius, e não voltariam atrás. Foram fazer os exames para saber qual dos dois era o doador perfeito, e o escolhido foi o Thiago. Xaxa, apesar de não se tornar doadora, não ficou de fora. Criaram um grupo dos três e ela era a mãezona que sustentava, cuidava e permanecia ali para não deixar as ansiedades consumirem os dois. Antes da cirurgia, Vinícius, que é ator e músico, sentia como se estivesse prestes a entrar em cena. Ansioso, mas pronto. Sabia que precisava daquilo para continuar. E deu certo! E, no fim, não era só um transplante, mas um chamado para o SIM. O gesto dos amigos, a responsabilidade de Vinicius, tudo isso revela muito sobre amizade, mas também sobre algo muito simples e raro: um ser humano disposto a dar vida a outro.
Conheci meu marido na cadeia e só aceitei ficar com ele se largasse o crime
2026/05/14
A Jéssica foi visitar o irmão na prisão e acabou encontrando ali o homem com quem construiria uma família. Em um lugar marcado pelo julgamento e pela desconfiança, a Jéssica descobriu que algumas pessoas só precisavam de alguém que acreditasse nelas pela primeira vez. Tudo começou nas visitas ao irmão, preso em Parelheiros. Entre corredores frios, marmitas e olhares baixos, ela conheceu Emerson, o responsável por aquecer e distribuir a comida dos visitantes daquela cela. Quieto, tímido, sempre desviando o olhar, enquanto os outros falavam apenas o necessário com o Emerson, Jéssica puxava conversa. Ela não tinha nenhuma intenção, a não ser integrá-lo nas visitas, já que ele não recebia nenhuma. Com o tempo, nasceu uma amizade entre os dois. O Emerson contou sobre os erros que tinha cometido, sobre o abandono que viveu e sobre a vida que nunca tinha aprendido a construir direito. Jéssica escutava sem romantizar nada. Ela sabia o peso daquele lugar. Quando o irmão ganhou o semiaberto, ela acreditou que nunca mais pisaria numa cadeira de novo. Mas meses depois recebeu carta do Emerson, que revelou tentar esquecê-la, mas não conseguiu. Entre meses de troca de cartas, Jéssica era dura e dizia que seria só amizade, até que ele saísse da prisão. Mas aquela troca fez crescer um sentimento improvável. Até que um dia ela decidiu voltar à prisão apenas para olhar Emerson nos olhos. Foi ali, no meio do pavilhão, cercados pelo preconceito silencioso das pessoas, que os dois se beijaram pela primeira vez. Mas Jéssica deixou claro: amor nenhum sobreviveria se ele continuasse na vida errada. Emerson saiu da prisão decidido a recomeçar. Ganhou uma oportunidade de trabalho e encontrou na família dela algo que nunca tinha tido antes: acolhimento. Anos depois, o sonho que ele descreveu em uma das primeiras cartas virou realidade. Eles tiveram um filho. Hoje, Jéssica acredita que existem pessoas que não querem mudar, mas sabe também que algumas só precisam de uma segunda chance. Emerson aproveitou a dele. E ela aprendeu que ressocializar alguém não é apagar os erros do passado, mas acreditar que o futuro ainda pode ser diferente.

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