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O Princípio da Inquietação

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This podcast has
26 episodes
Date created
2026/04/30
Latest episode
2026/10/22
Average duration
41 min.
Release period
7 days

Description

Um podcast onde pensar é um verbo que se exercita a sós e em conversa. Filósofos nacionais e internacionais refletem em voz alta sobre o medo, enquanto Catarina G. Barosa, fundadora do Festival Internacional de Filosofia, Espanto, e David Erlich, professor e escritor, recebem convidados de várias áreas para diálogos sem rede. Aqui, as certezas são questionadas e a dúvida ganha estatuto de virtude. O objetivo é praticar a nobre arte de pensar, mesmo que isso conduza não a respostas, mas a novas perguntas. Todas as quintas-feiras um novo episódio, uma inquietação. A edição áudio e vídeo deste podcast é assegurada pela Tale House, com identidade sonora a partir da interpretação do músico e produtor Pedro Luís, da obra Inquietação, da autoria de José Mário Branco, inspirada na versão interpretada pelo grupo A Naifa. A capa é de Tiago Pereira Santos, com fotografia de Matilde Fieschi e logo do Expresso e do Festival Espanto. A coordenação está a cargo de Joana Beleza e a direção é de João Vieira Pereira.

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David Fonseca, músico, confessa: "Gosto de ver o barco arder"
2026/10/22
O que acontece quando um dos artistas mais carismáticos e polivalentes da cultura portuguesa contemporânea se recusa a viver uma vida confortável? Neste episódio d’O Princípio da Inquietação, Catarina G. Barosa e David Erlich recebem David Fonseca para um autêntico "diagnóstico filosófico". Longe dos elogios fáceis que o fazem sentir-se "num funeral", o músico e esteta abre o livro sobre os bastidores da sua mente. Da "imunidade racional" necessária para libertar o caos criativo, ao momento posterior em que se torna um controlador obsessivo para ordenar esse mesmo caos, David Fonseca explica por que razão prefere a disrupção à aceitação. Numa viagem que cruza a música, o cinema, a serigrafia e a fragilidade da cerâmica, o artista recorda ainda o soco no estômago que apanhou aos 16 anos numa sala de cinema e que lhe "abriu o cérebro ao meio", dando-lhe a força necessária para escapar de Marrazes. Ouça o episódio completo e descubra por que razão, para David Fonseca, olhar para dentro exige sempre que nos quebremos primeiro. Vemo-nos na próxima semana! See omnystudio.com/listener for privacy information.
Gilles Lipovetsky, filósofo francês: Nunca vivemos com tanto conforto e tanto medo. Será coincidência?
2026/10/15
Neste episódio, gravado no ESPANTO – Festival Internacional de Filosofia 2025, Gilles Lipovetsky leva-nos numa viagem pelos medos que acompanham a humanidade. O medo dos espíritos, da fome, das epidemias aos algoritmos, alterações climáticas e até aos alimentos que finalmente podem ser cancerígenos. Se antigamente tínhamos medo de morrer de fome, hoje podemos ter medo de engordar. Se antes as crianças brincavam na rua, hoje perguntamos quem pode estar à espreita. E se a tecnologia promete tornar o mundo mais seguro, porque é que parece estar a deixar-nos ainda mais ansiosos? Lipovetsky fala-nos da hipermodernidade, do hiperindividualismo, do excesso de informação, da inteligência artificial, da saúde, da felicidade e do risco zero. E desmonta o curioso paradoxo de uma sociedade que tem cada vez mais ferramentas para controlar o mundo e, ao mesmo tempo, cada vez mais coisas para temer. No fundo, a pergunta é simples: será que o problema é termos medo ou viveremos num mundo que nos dá cada vez mais razões para ter medo? Voltamos para a semana com mais reflexões filosóficas! See omnystudio.com/listener for privacy information.
O cérebro desliga quando dormimos? O psiquiatra Henrique Prata Ribeiro responde
2026/10/08
O que acontece quando quem se senta no divã é um psiquiatra? Henrique Prata Ribeiro junta-se a O Princípio da Inquietação para uma conversa entre a ciência, a mente humana e a reflexão filosófica. Falamos sobre desejo, dopamina, saúde mental, infância e trauma, mas também sobre sono, ansiedade, sexo e fenómenos como a sexsónia. Pelo caminho, há espaço para questionar o legado da psicanálise e até a própria ideia de “Eu”. Uma conversa sem tabus sobre aquilo que nos inquieta, nos move e, muitas vezes, nos tira o sono. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Manuel Curado, filósofo: Viajar até ao Japão é descobrir o mesmo que já tínhamos em casa
2026/10/01
E se, depois de séculos de filosofia, não tivéssemos descoberto nada de realmente novo? É esta a intrigante reflexão que o professor Manuel Curado nos propõe neste novo episódio do Princípio da Inquietação, gravado no ESPANTO, Festival Internacional de Filosofia, em 2025. Entre a busca pelo novo, Platão, guerras, inteligência artificial, ayahuasca, médicos, filósofos e até garrafas de água, a palestra parte de uma ideia desconcertante: tudo é semelhante a tudo em algum aspeto. Se é assim, para quê viajar? Para quê compreender? E será que o tão celebrado progresso não passa de uma grande ilusão? Com humor, ironia e uma boa dose de irreverência, Manuel Curado leva-nos numa viagem pela chamada “prisão metafísica” da semelhança, um lugar de onde, aparentemente, nem a filosofia, nem a ciência, nem a religião nos conseguem tirar. Uma coisa é certa: depois desta palestra, talvez nunca mais olhe para uma cadeira da mesma maneira. Manuel Curado é professor de Filosofia na Universidade do Minho e um dos mais provocadores pensadores portugueses contemporâneos, conhecido por desafiar as ideias estabelecidas sobre conhecimento, progresso e consciência. Voltamos para a semana com mais reflexões inquietantes! See omnystudio.com/listener for privacy information.
Maria Balaska, filósofa: "As paixões são tão complexas como compreender o que é viver uma vida"
2026/09/24
Neste episódio, gravado no ESPANTO — Festival Internacional de Filosofia, em 2025, Maria Balaska convida-nos a refletir sobre um medo particular, que todos vivemos com experiências do quotidiano. Será o medo sempre algo negativo? Costumamos associá-lo ao perigo e ao sofrimento, mas a filosofia sugere que existe uma forma de medo que não aponta para uma ameaça concreta, mas para algo mais profundo: a consciência da nossa liberdade e a incerteza sobre como viver uma vida significativa. Maria Balaska explora a ansiedade existencial a partir do pensamento de filósofos como Heidegger e Kierkegaard, levando-nos a ponderar sobre os momentos em que as convenções ficam aquém das respostas que procuramos — como acontece frequentemente na crise da meia-idade, quando começamos a questionar o fundamento das nossas escolhas. Afinal, o que é uma boa vida? Esta é uma pergunta à qual nenhuma regra social pode responder por nós. Ao longo do seu discurso, Maria Balaska ajuda-nos a reformular a forma como percecionamos o medo e como este, o espanto e a admiração, podem estar mais ligados do que pensamos. Talvez estas emoções aparentemente opostas sejam, afinal, como Balaska diz, “duas faces da mesma moeda”. Da figura de Aquiles à etimologia de palavras como wonder e terrific, este episódio convida-nos a olhar para as emoções com nuances e a reconhecer que, por vezes, é precisamente o desconforto que nos aproxima de uma vida mais autêntica. Porque talvez o medo não seja apenas algo a superar, mas também um convite a perguntar quem somos e como queremos viver. Voltamos para a semana! See omnystudio.com/listener for privacy information.
Uma Bússola, uma Maçã e uma Falha na Psique: Manuel João Vieira, músico e pintor
2026/09/17
Neste episódio, recebemos o pintor, músico, fundador dos Ena Pá 2000 e candidato à Presidência da República que promete, entre outras coisas, dar aos portugueses tudo aquilo que eles quiserem.Falamos de grandes monstros disfarçados de pequenas bagatelas: inteligência artificial, genocídios, aquecimento global, capitalismo, estupidez e política. Mas também de pintura, surrealismo, psicanálise, infância, música obscena, autorretratos e da eterna dificuldade de responder à pergunta: “Afinal, quem és tu?” Manuel João Vieira explica por que razão a irreverência é uma arma, como uma pintura pode nascer de uma espécie de alucinação e reflletimos como talvez existam dois Manueis “Joões” Vieiras, o que pinta e o que escreve sobre aquilo que pinta. E depois há a Caixa do Desejo Filosófico. Sabão, bússola, pilha, maçã, dominó… Manuel explica e, sobretudo, finta-nos a cada curva.  Porque, entre o caos, o humor, a melancolia e uma quantidade considerável de fintas, talvez haja apenas uma coisa a fazer: não perder o norte. Voltamos para a semana!   See omnystudio.com/listener for privacy information.
Marta Faustino, filósofa: Vida e morte andam de mãos dadas, mas são entidades distintas que não se cruzam
2026/09/11
A morte é um mal a evitar ou a condição que dá sentido à vida? Neste episódio gravado no ESPANTO — Festival Internacional de Filosofia em 2025, Marta Faustino leva-nos numa viagem por duas das mais influentes perspetivas filosóficas sobre a morte, colocando em diálogo Epicuro e Martin Heidegger. Embora ambos se debrucem sobre a mesma problemática, as suas respostas não podiam ser mais distintas. Para Epicuro, a morte é uma fonte de sofrimento apenas porque a tememos injustificadamente: “A morte não é um bem nem é um mal, é um acontecimento neutro” que nada significa para quem morre. Se não nos inquieta o facto de nada termos sido antes de nascer, também não deveria angustiar-nos o facto de deixarmos de existir depois da morte. Libertar-nos desse medo é, para Epicuro, a condição para viver serenamente e aproveitar a vida com tranquilidade — carpe diem. Heidegger, pelo contrário, não procura dissipar a consciência da morte, mas aprofundá-la. A morte não é apenas um acontecimento biológico, mas a possibilidade mais própria e extrema da existência: “a morte é a possibilidade da impossibilidade de todas as outras possibilidades.” Ao confrontarmo-nos com a nossa finitude, rompemos com a inautenticidade da vida quotidiana — em que a morte parece acontecer sempre aos outros, nunca a nós — e abrimos espaço para uma existência singular e autêntica (Dasein). No fundo, este episódio coloca-nos perante duas formas radicalmente diferentes de viver: procurar a tranquilidade libertando-nos do medo da morte ou assumir a finitude como a condição de uma vida verdadeiramente autêntica. Entre o carpe diem de Epicuro e o Dasein de Heidegger, que filosofia de vida faz mais sentido para si? Embarque nesta reflexão connosco e vemo-nos na próxima semana! See omnystudio.com/listener for privacy information.
O riso é o orgasmo dos pobres: uma conversa com Ricardo Araújo Pereira
2026/09/03
Nesta conversa com Ricardo Araújo Pereira, o humor serve de ponto de partida para uma reflexão sobre a “Treta Solene”: a tendência contemporânea para transformar emoções, opiniões e identidades em verdades intocáveis. Entre filosofia, censura, política e comédia, discute-se o valor do ceticismo, o papel do riso e a forma como o humor expõe as nossas contradições. Uma conversa inteligente, provocadora e, claro, muito divertida. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Peter Sloterdjik, filósofo: Guerra com drones é um feitiço que causa danos à distância
2026/08/27
Neste episódio gravado no ESPANTO, Festival Internacional de Filosofia, em 2025, escutamos Peter Sloderdjik, um dos filósofos contemporâneos mais reconhecido. O que nos propõe é uma reflexão sobre o medo numa ótica um pouco diferente e ousada. Como passámos da magia à tecnologia? E porque continuamos a temer ameaças que atuam à distância? Sloterdijk submete uma proposta sobre a genealogia da tecnologia moderna, argumentando que ela não conflitua com o pensamento mágico, mas racionaliza-o. Da magia simbólica às máquinas, da gravidade de Newton aos mísseis, drones, hackers e guerras contemporâneas, o filósofo demonstra como o antigo desejo de agir à distância (actio in distans) continua presente nas novas formas tecnológicas de poder e destruição. A partir do conceito de telemalignidade, Sloterdijk analisa a evolução da violência remota, questiona a relação entre tecnologia, medo e poder, e introduz a ideia de imunidade como um conceito fundamental para compreender a condição humana. Num mundo em que as ameaças circulam cada vez mais depressa e mais longe, este episódio convida-nos a pensar de que forma podemos construir mecanismos de proteção que ultrapassem as fronteiras nacionais, religiosas e ideológicas. Uma reflexão sobre magia, técnica, guerra e filosofia, que desafia a forma como entendemos o presente e o futuro das sociedades humanas. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Uma cabana imaginária, o tédio e a arte, segundo Rita Redshoes
2026/08/20
Neste episódio, Rita Redshoes convida-nos a entrar no seu universo criativo, onde a imaginação nasce muitas vezes do tédio, do erro e da capacidade de abrandar. Entre música, escrita, psicologia e filosofia, a artista reflete sobre o que acontece quando o quotidiano e as suas urgências sufocam o espaço necessário para criar. Ao longo da conversa, fala da autenticidade como um compromisso consigo própria, da dificuldade em separar a pessoa da obra e da forma como o corpo, o instinto e a emoção orientam o processo criativo. Para Rita, a arte não se mede por regras ou fórmulas: vale sobretudo pela sua capacidade de nos arrepiar, desassossegar e transformar. Da música à poesia, da verdade ao erro, esta é uma conversa franca sobre criatividade, vulnerabilidade e o poder da arte para chegar a lugares onde as palavras, sozinhas, nem sempre conseguem chegar. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Michel Eltchaninoff, filósofo francês: Como viver com o medo em tempos de inquietação política?
2026/08/13
Neste episódio vamos ser desafiados a pensar sobre o medo como condição política do nosso tempo, enquanto assistimos à ascensão de lideranças transgressivas que redefinem as fronteiras do que é possível dizer e fazer no espaço público. Michel Eltchaninoff, filósofo francês e chefe de redação da “Philosophie Magazine”, afirma que leu todos os discursos de Vladimir Putin e que isso o levou a compreender algo perturbador: existe uma visão de mundo coerente por detrás do que muitos preferem considerar simples loucura. Fala-nos da “sideração”, um estado de bloqueio, de paralisia, em que ficamos quando confrontados com o excesso de provocações contraditórias que caracterizam o estilo de Trump e de Putin. Como nos diz Michel, “a provocação é uma estratégia da sideração.” Não é caos, é método. E o método funciona precisamente porque nos impede de pensar e de agir. Embora o panorama seja sombrio, Michel, inspirado na tradição filosófica que vai de Heráclito a Hannah Arendt, insiste que é possível e necessário resistir. Não através de grandes gestos, mas através da ação mínima, do pensamento claro, da recusa em deixar que a inquietação se transforme em submissão. A razão, diz-nos, não é um luxo. É uma forma de resistência. Michel conclui que vivemos num mundo de contingência radical, onde a imprevisibilidade não é exceção, mas regra. Apela: a vida, como uma novela, é imprevisível. E é precisamente essa imprevisibilidade que nos obriga a permanecer acordados, atentos e, acima de tudo, livres para pensar. * A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa  See omnystudio.com/listener for privacy information.
Uma pasta de dentes, Heidegger e Hannah Arendt: entrevista a Raquel Marinho, jornalista e storyteller
2026/08/06
Neste novo episódio, a convidada, Raquel Marinho, fala-nos das suas grandes inquietações que se enquadram nas grandes questões da filosofia: haverá vida depois da morte? Onde é que eu estava antes de ter existido? Existe Deus ou algum tipo de transcendência? Essa transcendência interfere ou não na minha vida?  Para Raquel Marinho, ainda não ter respostas não é um problema, pois, nas suas palavras “É a dúvida que alimenta a procura”. Este episódio está recheado de conversa e humildade: a resposta “eu não sei” deve continuar a ser válida.   Será possível dizer se uma poesia é boa ou má? Talvez não. Talvez haja outro critério para avaliar a sua qualidade: o desconforto. Fazendo das palavras da poeta portuguesa Ana Hatherly as suas, Raquel cita “Quando o poema é bom, não te aperta a mão, aperta-te a garganta”. Esse desconforto, essa inquietação gerada quando nos é retirado o chão, não é má em si mesma, entrega-nos uma imagem nova de algo que conhecíamos, mas não conseguíamos denominar.  Para que serve a poesia? Se calhar é chocante para uns, ou óbvio para outros, mas a poesia não serve para nada. Mesmo não tendo utilidade, acrescenta à vida coisas que não experimentaríamos sem ela. Nas palavras de Raquel, “A utilidade é uma palavra que não faz muito sentido quando falamos de poesia, mas ainda bem”.  Refletimos sobre o que realmente importa na vida, e através de um excerto de Amália Bautista, chegamos à conclusão de que há poucas coisas que realmente importam: amar e ser amado, e não morrer antes dos nossos filhos.  Tentámos ainda descobrir o grau de parentesco entre a Poesia e a Filosofia. Serão mãe e filha? Se sim, qual ocupa que papel? Serão irmãs ou primas afastadas? O que sabemos é isto “Partilham o Espanto”.  Por fim,  a frase de Manuel de Barros: “A maior riqueza do homem é a sua incompletude”, marcou este podcast pela paz em reconhecer que somos incompletos. Sabendo isto, não encontrar respostas não nos deve fazer desistir de perguntar, pelo contrário, deve inquietar-nos e perguntar sempre mais.  See omnystudio.com/listener for privacy information.
Medo: O Espelho Intemporal das Sociedades, com o filósofo Daniel Innerarity, filósofo
2026/07/30
Neste episódio, gravado no ESPANTO (Festival Internacional de Filosofia) em 2025,  Daniel Innerarity, filósofo, reflete sobre o medo como um fator inerente da condição humana. O medo não é uma característica exclusiva da nossa era: os seus objetos podem mudar ao longo da história, mas o medo permanece. Ao reformular um conhecido provérbio, o Daniel Innerarity afirma: "Diz-me de que tens medo, e eu dir-te-ei quem és", sublinhando que são os nossos medos que nos revelam. Daniel Innerarity identifica dois desafios centrais do presente: o medo de perder a democracia e a necessidade de compreender os medos dos outros. Recuperando uma reflexão de Charles Taylor, faz um apelo: "não podemos fazer com que o sonho de uns seja o pesadelo de outros", defendendo que uma sociedade democrática exige a conciliação de perspetivas distintas.   Nas palavras do nosso convidado “Se colocarmos as coisas de forma tão dicotómica, inevitavelmente falharemos e, certamente, não evitaremos o medo.”  Ouça aqui mais um episódio d'O Princípio da Inquietação.  See omnystudio.com/listener for privacy information.
A música, o futebol e a importância de vivermos no presente: Júlio Resende, músico e compositor
2026/07/23
Neste episódio, o convidado Júlio Resende senta-se para uma conversa profunda sobre música, futebol e filosofia. A sua grande inquietação é a vida, a limitação da existência humana, a dificuldade de sair de si próprio e se colocar no ponto de vista do outro. A música surge como uma das formas privilegiadas de tentar ultrapassar os limites do "eu", criando um espaço de encontro, escuta e partilha.Na habitual dinâmica da Caixa do Desejo Filosófico, o objeto que mais suscita o desejo filosófico de Júlio Resende é uma simples peça de dominó. A razão? Vamos mantê-la em suspense. Mas tal como no jazz, sejamos inpirados a viver uma vida que nos exige estar presentes e sempre criar algo novo. See omnystudio.com/listener for privacy information.
“O Estado fez da Insegurança o seu negócio mais rentável, a sua arma mais poderosa” argumenta Donatella Di Cesare, filósofa e ensaísta italiana
2026/07/16
Neste episódio, gravado em 2025 na primeira edição do ESPANTO – Festival Internacional de Filosofia, a filósofa e ensaísta italiana Donatella Di Cesare aborda o medo focando-se nas dinâmicas de poder. Diz-nos que “O medo é o grande recurso das autoridades públicas, partidos e organizações numa época em que as grandes ideias parecem ter perdido credibilidade.”  Guerras, alterações climáticas, desertificação, precariedade laboral, instabilidade económica e crises migratórias são apenas algumas das ameaças que Donatella Di Cesare menciona como ameaças que alimentam um sentimento permanente de insegurança. Neste contexto, a segurança, passa a ocupar um lugar central no discurso político, surgindo o chamado Estado de segurança, que promete proteção contra ameaças presentes e futuras. Contudo, essas promessas revelam-se falíveis. Enquanto promete proteger os cidadãos de determinados riscos, o Estado expõe-nos a outros, justificando essas escolhas com base nas leis da Economia ou da História. Di Cesare prefere denominar este fenómeno por fobocracia — do grego phobos (medo) e kratos (poder) —, ou seja, o governo do medo, onde o Estado se aproveita a difusão da ansiedade, do fomento do ódio, do aumento da incerteza e da desconfiança, procurando fortalecer o seu poder político, apropriando-se do medo como um dos seus recursos mais poderosos. Donatella Di Cesare argumenta que as elites ocidentais mantêm a capacidade de decidir sobre a guerra através de uma suspensão técnica da democracia e de um reforço da soberania do poder executivo. Talvez o soberado absoluto do passado monárquico não tenha completamento desaparecido, mas apenas se tenha transformado e evoluído com base em com novos recursos militares, tecnológicos e financeiros. Donatella Di Cesare é professora titular de Filosofia Teórica no Departamento de Filosofia da Universidade Sapienza de Roma, onde é membro do Colégio Doutoral, e na Escola de Estudos Avançados Sapienza (SSAS). O seu pensamento situa-se no âmbito da Filosofia Continental (hermenêutica, desconstrução – Nietzsche, Heidegger, Gadamer, Derrida), aprofundando os temas da verdade e da compreensão. O seu trabalho tem-se centrado na ligação entre tempo e linguagem (Walter Benjamin), considerando as questões éticas e políticas do outro e da alteridade (Emmanuel Levinas). A Shoah tornou-se central na sua reflexão (If Auschwitz is Nothing, 2023). Tendo já contribuído com numerosos estudos sobre este tema, no rescaldo da publicação dos Cadernos Negros de Heidegger, interrogou-se sobre a responsabilidade da Filosofia face ao extermínio (Heidegger, os judeus e a Shoah. Os Cadernos Negros, 2016). Tem examinado repetidamente a relação com a figura do estranho e do estrangeiro (Marranos. O Outro do Outro, 2019), incluindo também a questão da migração (Resident Foreigners. Philosophy of Migration, 2020). Na fronteira entre a biopolítica e a teologia política, analisou a soberania e as formas de dominação (Spinoza). Os desafios da violência, visível e invisível, do totalitarismo (Arendt) às suas formas contemporâneas (terror, tortura, guerra), levaram-na a repensar a vida nua e os direitos humanos. Apelou ao regresso da filosofia à pólis, esboçando a possibilidade de um pensamento radical capaz de conjugar existência e comunidade (A vocação política da filosofia, 2021). Nos últimos anos, tem articulado uma crítica da política estatal, contribuindo para uma reformulação do conceito de democracia (Democracia e Anarquia, 2024). See omnystudio.com/listener for privacy information.

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