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194 episodes
Language
Portuguese (Brazil)Publisher
Jornal da USPExplicit
No
Date created
2019/08/20
Latest episode
2026/10/01
Average duration
12 min.
Release period
15 days
Description
Espaço destinado aos novos mestres e doutores da USP para falar sobre suas pesquisas e inovações, num bate-papo informal e descontraído.
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Formulação testada na USP, em São Carlos, será eficiente na cicatrização de feridas em humanos
2026/10/01
Após misturar três componentes, a quitosana, o óxido de zinco e a laponita, o engenheiro físico-quimico angolano, Luís Paciência Lombongo, obteve uma formulação que mostrou resultados satisfatórios nos processos de cicatrização de feridas. Em entrevista concedida aos jornalistas Antonio Carlos Quinto e Roxane Ré, no podcast Os Novos Cientistas, Luís explicou como desenvolveu a formulação e sobre as expectativas para um novo produto. A pesquisa de mestrado intitulada Membranas híbridas de quitosana comercial e quitosana base de Schiff contendo óxido de zinco (ZnO) e laponita: desenvolvimento e caracterização, teve a orientação da professora Carla Cristina Schmitt Cavalheiro, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da USP.
“Os curativos tradicionais ainda oferecem algumas limitações, que têm a ver tanto com a eficácia como com os custos hospitalares. A nossa proposta foi criar um material com melhor desempenho, congregando três elementos com propriedades diferentes”, explicou o cientista. O material tem a quitosana como base, um biopolímero encontrado no exoesqueleto de crustáceos e insetos, à qual foram incorporadas nanocargas de óxido de zinco (ZnO) e laponita, que é um tipo de argila sintética.
A combinação deu origem ao nanocompósito que constitui a membrana estudada por Luís. “O material pode ser colocado sobre a ferida, proporcionando a aceleração da cicatrização”, explica. A nova fórmula pode tratar feridas ocasionadas por cortes, e até ferimentos mais crônicos resultantes nas diabetes. Ainda não há prazos para que o produto chegue às farmácias. “Há muito ainda a fazer”, como considerou Luís, que está levando a tecnologia a seu país.
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USP testa em laboratórios tecnologias que propiciam mais amaciamento da carne bovina
2026/09/17
Nesta edição do podcast Os Novos Cientistas, os jornalistas Antonio Carlos Quinto e Roxane Ré entrevistaram a pesquisadora Sarah Mafeis de Jesus. Ela é autora do estudo de mestrado Estratégias naturais e tecnologias emergentes aplicadas à melhoria da qualidade da carne bovina de Nelore (Bos indicus), que foi orientado pelo professora Carmen Josefina Contreras Castilho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. A pesquisa foi apresentada no programa interunidades Sistemas Integrados em Alimentos, que reúne a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq de Piracicaba, a Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Capital e a FZEA, Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, na USP em Pirassununga.
Nos testes, Sarah avaliou a aplicação de marinação contendo pós de cogumelos comestíveis e a eficácia da papaína e do ultrassom de alta intensidade, aplicados de forma isolada e combinada, sobre os mecanismos de amaciamento e percepção sensorial da carne bovina de Nelore. “Os resultados demonstraram que tanto o uso de ingredientes naturais quanto a aplicação de tecnologias emergentes são capazes de promover modificações relevantes na matriz muscular, contribuindo para a melhoria da maciez e para a manutenção de propriedades tecnológicas da carne”, descreveu a pesquisadora.
Sarah enfatizou que o Brasil tem uma cadeia de produção de carne muito bem estruturada. “Nosso país é um dos maiores produtores e exportadores. Mas, para acessar esses mercados, principalmente o internacional, não basta a gente só produzir em quantidade. Nossa carne precisa atender uma série de requisitos, que são exigências sanitárias, de segurança, etc.”, explicou a pesquisadora, lembrando que há também especificações de cada país comprador. “Precisamos realmente olhar com mais cuidado para a questão da qualidade de nossa carne!”, advertiu Sarah.
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Estratégias desenvolvidas em pesquisa na USP de Pirassununga propiciam manejo agroecológico em tomateiros
2026/09/03
O engenheiro agrônomo angolano Noé Jamba Tito desenvolveu na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, pesquisa onde investigou estratégias alternativas e ecológicas para tomateiros. Tito foi o entrevistado desta quinta-feira (3) no podcast Os Novos Cientistas. No bate papo com os jornalistas Antonio Carlos Quinto e Roxane Ré, o cientista deu detalhes de seu estudo de mestrado intitulado Estratégias integradas de manejo agroecológico no tomateiro: efeitos fisiológicos de Trichoderma asperellum e preparados homeopáticos sob ocorrência natural de Tuta absoluta que teve a orientação professor Fabrício Rossi, da FZEA.
“Quando citamos o Trichoderma Asperellum, estamos falando de um fungo que tem contribuído para o fortalecimento, praticamente, do sistema imunológico de uma determinada planta”, explicou. Já a Tuta Absoluta, como descreveu o engenheiro, é uma praga que é considerada como chave da cultura do tomateiro, por conta da resistência que ela já criou ao controle químico. “Nos experimentos, utilizamos a variedade Sweet Grape, que é caracterizada pelo tomate pequeno. Aqui em Angola chamamos de tomate cachá. No Brasil é conhecido como tomate cereja”, descreveu Tito.
Nos testes, Tito garante que não foi utilizado nenhum químico. “Nos baseamos apenas no uso dos bioinsumos, e os resultados foram positivos, principalmente quando fizemos a integração dos bioinsumos com os homeopáticos. Registramos, em alguns tratamentos, que o uso dos homeopáticos de forma isolada, nos possibilitou resultados semelhantes, quando comparado com o Trichoderma de forma isolada. Mas quando foram integrados, então, os resultados foram positivos. Tito destacou ainda que o Brasil é um grande produtor de tomate de cereja. “Angola está ganhando o seu espaço no mundo, quando se fala na diversificação da tomaticultura.”
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Jogo de tabuleiro desenvolvido em pesquisa traz princípios de educação financeira a crianças e adolescentes
2026/08/20
Na edição desta quinta-feira (20) do podcast Os Novos Cientistas, a pesquisadora Patricia de Oliveira Garcia descreveu como realizou sua pesquisa de doutorado na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, que resultou no jogo de tabuleiro Krystalion. O produto foi concebido no estudo intitulado A contribuição da contabilidade à educação financeira de crianças e adolescentes: desenvolvimento e avaliação de um jogo de tabuleiro moderno baseado na lógica contábil de origem e aplicação de recursos, que teve a orientação do professor Edgard Bruno Cornacchione Junior, da FEA USP.
Baseado na lógica contábil, o jogo foi testado na pesquisa e poerá ser utilizado como ferramenta de educação financeira a estudantes do ensino básico. “A pesquisa propõe que a contabilidade, por meio de sua lógica de origem e aplicação de recursos, pode oferecer contribuição relevante à formação financeira de crianças e adolescentes”, afirmou a pesquisadora. O estudo de Patrícia desenvolveu-se em três etapas: construção teórica via revisão da literatura; desenvolvimento do jogo de tabuleiro baseado em princípios de design de jogos; e quase-experimento com 85 estudantes de 5º e 6º anos, divididos em grupo tratamento e grupo controle.
De acordo com Patrícia, a análise qualitativa demonstrou engajamento excepcional (98,5% de aprovação), com 94,1% dos participantes relatando aprendizados substantivos em categorias como investimento, economia, gestão de recursos e tomada de decisão financeira, evidenciando percepção positiva da experiência educativa. A pesquisa contribui teoricamente ao articular Contabilidade e Educação Financeira através de arcabouço conceitual centrado no fluxo e gestão de recursos, oferecendo abordagem complementar às perspectivas tradicionais da Economia.
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Autoconstruções resultam em "puxadinhos" e refletem anseios de transformações do habitar
2026/07/23
O arquiteto e urbanista Pedro Henrique Vale Carvalho, autor da pesquisa de doutorado Puxadinho: desvelando camadas autoconstruídas na provisão pública de moradia, foi o entrevistado desta quinta-feira (23) no podcast Os Novos Cientistas. No estudo apresentado na Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAU) da USP, Pedro Henrique investigou as transformações realizadas por moradores em conjuntos habitacionais produzidos pelo poder público no Brasil. Como explicou o arquiteto, as camadas agregadas autoconstruídas materializam um fenômeno recorrente nas cidades: os denominados “puxadinhos” ou “puxadas”. Pedro Henrique contou com a orientação da professora Karina Oliveira Leitão, da FAU.
Como descreveu o pesquisador os conjuntos habitacionais foram difundidos ao longo do século 20 sob o mito da “solução total” para as carências habitacionais. “Eles acabam adquirindo camadas autoconstruídas singulares na América Latina”, destacou. Especificamente no Brasil, a pesquisa constatou a complexidade e a intensidade dessas transformações, que incidem sobre um atendimento habitacional público frequentemente realizado em condições rebaixadas. “Muitas vezes ele vai acontecer para ampliar dimensões. A gente tem sempre apartamentos com 40 metros quadrados e o ‘puxadinho’ vai ampliar essa unidade. Em alguns casos, ele também vai dar um novo uso para essa casa, podendo ser um espaço comercial ou uma garagem”, explicou o arquiteto. “O estudo mostra que esse puxadinho vai ter funções diferentes a depender do lugar que ele é autoconstruído.”
Pedro Henrique iniciou sua tese há cerca de seis anos. “Passei esse período estudando essa associação com os conjuntos habitacionais”, contou o arquiteto. Para sua pesquisa, Pedro Henrique escolheu três conjuntos habitacionais como trabalho de campo: um em Belém do Pará, e outros dois no Rio de Janeiro. O fenômeno explorado na investigação do arquiteto partiu de uma pesquisa panorâmica sistematizada por mais de setecentas imagens mosaicadas, uma curadoria de aproximadamente sessenta conjuntos habitacionais latinos, e um estudo aproximado sobre exemplares brasileiros, produzidos desde a década de 1950 por companhias de habitação, órgão públicos, fundações e institutos.
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Pesquisa de biomédica angolana desenvolve biomarcadores que podem identificar a malária precocemente
2026/07/16
Na edição desta quinta-feira (16) de Os Novos Cientistas recebemos a biomédica e pesquisadora angolana Teresa Luzembo, que defendeu recentemente seu estudo de mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. A pesquisa intitulada Perfil de nanopartículas séricas na malária e sua associação com grupos sanguíneos ABO e variabilidade clínica contou com a orientação do professor Fausto Bruno dos Reis Almeida.
“Os resultados nos mostram que o estudo abre caminhos para o desenvolvimento de biomarcadores capazes de identificar precocemente pacientes com maior risco de complicações pela malária. Será uma ferramenta de alto valor para o sistema de saúde angolano”, afirmou a pesquisadora durante a entrevista. Em Angola, com contou a pesquisadora, a doença tem impacto direto na realidade.
Em seu estudo, Teresa investigou se determinadas partículas presentes no sangue, as chamadas nanopartículas séricas, estão relacionadas à gravidade da malária e se essa relação varia de acordo com o grupo sanguíneo A, B ou O, o sexo e a condição gestacional. A equipe analisou amostras de soro sanguíneo de pacientes com malária e de pessoas saudáveis, medindo a quantidade, o tamanho e as características físico-químicas de nanopartículas presentes no sangue, estruturas minúsculas que funcionam como mensageiras biológicas. Os resultados mostraram que o perfil dessas nanopartículas varia entre os grupos analisados e pode ter correlação com o tipo sanguíneo ABO, reforçando evidências de que esse fator oferece certa proteção contra as formas mais severas da doença.
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Farinha desengordurada de larvas de espécie de besouro compõe formulação saudável em salsichas
2026/07/02
Resultados de uma pesquisa realizada na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, mostraram que a substituição parcial, em 10%, da carne bovina por farinha desengordurada de besouro da espécie Tenébrio Molitor é viável, permitindo o desenvolvimento de salsichas com qualidade igual à convencional.
Os estudos foram realizados pelo engenheiro de alimentos António Alberto nos laboratórios da FZEA. Na entrevista desta quinta-feira (2), no podcast Os Novos Cientistas, Alberto descreveu que a farinha desengordurada foi obtida a partir das larvas do inseto. E para chegar ao produto ideal, o engenheiro de alimentos elaborou três tratamentos: um denominado controle, sem adição de farinha, e outros dois com a substituição da carne magra bovina em 10% e 20%, respectivamente.
“Avaliamos as salsichas em suas diversas características físico-químicas e aceitação sensorial”, contou o pesquisador. Os resultados demonstraram que a incorporação da farinha também reduziu a umidade e aumentou o teor proteico em um dos tratamentos, mostrando que o processo é tecnologicamente viável. Alberto é angolano e desenvolveu seu estudo de mestrado por meio de uma parceria firmada entre a USP e o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola para a formação em pós-graduação de docentes e pesquisadores do país africano.
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Programa governamental em educação precarizou o ensino no estado de São Paulo
2026/06/18
Em 2019, na gestão do então governador João Dória Júnior, foi lançado o programa Inova Educação. “Foi o instrumento usado pelo governo paulista para introduzir o Novo Ensino Médio na maior rede pública do País. E sem a participação de cientistas ou universidades, trocando disciplinas tradicionais por conteúdos corporativos e empreendedorismo”, explicou o pedagogo Felipe Alencar, entrevistado desta quinta-feira (18) do podcast Os Novos Cientistas. O pesquisador é autor do estudo de mestrado Escola pública entre ditames e resistências: Inova Educação na rede estadual paulista. A pesquisa teve a orientação da professora Carmen Silvia Vidigal
“Minha pesquisa denuncia a precarização da juventude trabalhadora e o esvaziamento de matérias como ciências e literatura, para moldar os alunos ao mercado informal”, revelou. O estudo, que durou 27 meses, foi transformado no livro “Escolas que resistem: a educação pública contra o autoritarismo empresarial”, lançado em abril de 2026 pela Editora Lutas Anticapital. Felipe contou que, naquele segundo semestre de 2019, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo promoveu o evento Movimento Inova, na Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Efape), com a presença do então governador João Doria e de dezenas de palestrantes do setor privado. “Entre eles, representantes do Instituto Ayrton Senna, da Fundação Lemann, da Fundação Telefônica Vivo, da Fundação Vanzolini e da Microsoft”, lembra Alencar.
O programa inseriu as disciplinas Projeto de Vida, Tecnologia e Eletivas no currículo. “Algumas dessas eletivas tinham conteúdo patrocinado pela empresa iFood, amplamente denunciada pelas condições impostas a seus entregadores, que já eram, em grande parte, os próprios alunos da rede estadual”, como relatou Alencar. “O secretário de Educação à época, Rossieli Soares da Silva, dizia que o ensino médio não tinha que preparar o estudante para o vestibular. ‘Ele tem que realizar o sonho do aluno, que é entrar no mercado de trabalho’, afirmava”, completou o pesquisador.
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Hip-Hop se mostra eficiente na implantação de uma educação emancipadora
2026/06/04
Na edição desta quinta-feira (4) de Os Novos Cientistas, o bate-papo foi com a educadora Cristiane Correia Dias, também conhecida como Bgirl Cris. Ela é autora da tese de doutorado Pedagogias Hip-hop e a pluriversalidade das vozes periféricas: caminhos e sonhos sob a perspectiva interseccional para uma educação emancipadora, defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP sob a orientação da professora Mônica Guimarães Teixeira do Amaral, da Faculdade de Educação.
Como contou a pesquisadora ao jornalista Antonio Carlos Quinto, entre os principais objetivos da pesquisa, esteve o de elucidar o caráter transdisciplinar do estudo. “Priorizamos a valorização da diversidade étnico-racial”, disse Cristiane. E a ideia também, segundo ela, foi contribuir para a implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que instituiu a obrigatoriedade das temáticas História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, respectivamente.
“Recorri a um mosaico teórico-metodológico, partindo de nossa metodologia central que é a pesquisa em ação por meio da docência compartilhada, entrelaçada às pedagogias Hip-hop”, destacou. Para o estudo, Cristiane selecionou uma escola na região do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. “É justamente um lugar que tem uma potência cultural muito grande”, contou a pesquisadora, lembrando que lá, o rap se faz presente desde as décadas de 1980 e 1990. “Era um local com altos índices de violência. O hip-hop ali já tem um papel educador dentro da comunidade”, contou. A tese de Cristiane acaba de ser lançada em livro. Intitulada Hip-Hop: pedagogia e as vozes periféricas, a obra teve seu lançamento pela Giostri Editora, em cerimônia realizada no último dia 30 de maio, na estação São Bento do Metrô, no centro de São Paulo.
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Na Amazônia, estudo identifica diferenças na oferta de educação entre o campo e a cidade
2026/05/21
Na entrevista desta quinta-feira (21), no podcast Os Novos Cientistas, o geógrafo Felipe Passos falou sobre o estudo de doutorado Educação na Amazônia: estrutura territorial da oferta e esforço espacial das famílias. Neste trabalho defendido na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o pesquisador contou com a orientação do professor Eduardo Donizeti Girotto. Entre os resultados de seu estudo, Felipe identificou, por exemplo, que há diferenças na oferta de educação entre o campo e a cidade. Para produzir a pesquisa, o geógrafo realizou entrevistas na Ilha do Marajó, no Pará.
“Existe o que denominamos ‘hierarquização espacial’ na qualidade do ensino médio naquela região”, contou o pesquisador. Essa hierarquização, segundo ele, é a maneira de tratar espacialmente as desigualdades, como a existência ou não da própria escola. “Essa desigualdade, é produzida a partir de diversos elementos e fatores que compõem a oferta de educação. São fatores que vão desde da própria existência ou não de escola em determinado lugar, a formação dos professores que lecionam nesses espaços, a infraestrutura dessas escolas, se atendem a demanda local e assim por diante”, descreveu o geógrafo. “E quando não existe a escola no campo, muitas famílias são obrigadas a fazer o que eu chamo de esforço espacial. É quando os familiares se esforçam espacialmente para levar esse aluno para uma oferta melhor”, descreveu.
Para realizar sua pesquisa, Felipe analisou dados de matrículas para entender as trajetórias de alunos entre campo e cidade. Além disso, foram cerca de 20 entrevistas em campo. “Entrevistei diretores de escola, coordenadores, professores, responsáveis por estudantes e egressos também de diversos programas do ensino médio aqui na Amazônia Paraense”, descreveu, destacando que “essas entrevistas foram realizadas em dois trabalhos de campo: quando eu fui para um município e quando estive numa Vila Ribeirinha.” Felipe lembrou que para chegar ao local foram cerca de 2 horas e meia de barco a partir de Belém, no Pará.
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Pesquisa avalia a transformação de resíduos de manejo na Amazônia em biocarvão
2026/04/30
O estudo de mestrado intitulado Conversão de resíduos madeireiros amazônicos em biochar para aplicação em solos e mitigação de gases de efeito estufa, de autoria da pesquisadora Gabriela Aguiar Amorim, foi o tema do bate-papo desta quinta-feira (30) no podcast Os Novos Cientistas. A pesquisa foi apresentada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba e teve a orientação do professor Ananias Francisco Dias Júnior. “Avaliamos a a possibilidade de transformar resíduos de manejo sustentável na Amazônia em biochar, também conhecido como biocarvão, para a mitigação do efeito estufa”, explicou Gabriela.
Como descevreu a pesquisadora, o manejo sustentável é um conjunto de práticas de exploração florestal que busca equilibrar o uso econômico da floresta com a conservação ambiental, visando a regeneração natural, a manutenção da biodiversidade e a continuidade dos serviços ecossistêmicos ao longo do tempo. “Os resíduos do manejo florestal podem ser considerados um problema”, destacou Gabriela. Esses resíduos em grande e exacerbados volumes ficam acumulados na floresta e podem aumentar o risco de incêndios, favorecer a emissão de gases de efeito estufa durante a decomposição e talvez até interferir na regeneração natural de algumas áreas. Com isso, ao longo dos anos, o balanço de emissão de gases de efeito estufa pode vir a se tornar positivo.
Em seu estudo, Gabriela trabalhou com resíduos de três diferentes espécies amazônicas (tapirira guianensis, protium altissimum e a licania canensis), que apresentam características físico-químicas distintas (como densidade, teor de lignina e composição elementar). “E essas diferenças resultaram em biochars com propriedades também distintas, especialmente em termos de estabilidade e teor de carbono fixo”, descreveu. Segundo a pesquisadora, a principal vantagem está em transformar um resíduo de baixo valor (ou até problemático) em um material estável e rico em carbono, com múltiplas aplicações.”Ou seja, a gente agrega valor ao resíduo enquanto contribui para a mitigação ambiental, especialmente no sequestro de carbono e melhoria da qualidade do solo”, afirmou.
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Pesquisa resulta em livro de fotos sobre áreas centrais da cidade de São Paulo
2026/04/16
Na entrevista desta quinta-feira (16) do podcast Os Novos Cientistas, o jornalista Antonio Carlos Quinto conversou com o pesquisador Rafael Dutra Aguaio. Artista e fotógrafo, ele é o autor do estudo de mestrado Rua da Consolação, que foi apresentado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. A pesquisa de Aguaio resultou num fotolivro, que tem o mesmo título do estudo, e que traz imagens de áreas centrais da cidade de São Paulo, onde o fotógrafo sempre residiu. A orientação do trabalho foi do professor Marco Butti, da ECA.
Segundo Aguaio, a ideia do estudo partiu de um projeto pessoal. “A região central da cidade é onde eu nasci e vivo até hoje, e onde também eu comecei a fotografar”, contou. Fotógrafo formado pela ECA, no Departamento de Artes Plásticas, Aguaio também é ligado ao desenho e à pintura. O objetivo do trabalho foi, e ainda é, “fazer um objeto artístico que tem como ponto de partida, poético e imagético, o centro da cidade de São Paulo, que é o cotidiano da minha vida”, descreveu.
O estudo de Aguaio resultou num livro impresso de 112 páginas, com 102 fotos produzidas entre 2012 e 2025. A obra também está no formato virtual que pode ser acessado por este link. “Tenho a intenção de publicar, mas preciso encontrar um financiamento, um incentivo. Uma editora que se interesse!”, avisou o pesquisador, antecipando que pretende dar continuidade nesse tipo de produção num estudo de doutorado.
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Compostagens comunitárias na região metropolitana da cidade se mostram eficientes, ambiental e economicamente
2026/04/02
Na edição desta quinta-feira (2 de abril) do podcast Os Novos Cientistas, o jornalista Antonio Carlos Quinto recebeu a pesquisadora Marina de Freitas Teles Zaccarelli Noguti. Ela é autora de um estudo de mestrado que analisou a segurança de compostos orgânicos em iniciativas comunitárias de compostagem, na região metropolitana de São Paulo. Para o estudo Compostagem comunitária na grande São Paulo: uma solução para resíduos sólidos urbanos orgânicos, Marina selecionou 15 grupos pela plataforma Sampa + Rural e a rede Composteiras Comunitárias, ambas da Prefeitura de São Paulo. A pesquisa foi apresentada na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP sob a orientação da professora Renata Colombo.
“O lixo que a gente gera em casa, como cascas de frutas, pó de café, tudo que é natural, tudo que é orgânico, passando por esse processo de decomposição, é transformado em adubo”, explicou a pesquisadora que analisou os trabalhos dos grupos envolvidos semanalmente. Segundo ela, no processo de compostagem é necessário que se tenha um equipamento chamado composteira. “Foi ai que investigamos se estava tudo sendo feito de maneira correta”, como contou Marina. De acordo com ela, o sistema se mostra vantajoso em vários aspectos, pois gera um adubo de boa qualidade, tanto sólido quanto líquido. “É possível se obter um produto que tem valor comercial e que pode chegar ao mercado custando algo em torno de R$ 20,00 o quilo. É o chamado composto orgânico”, explicou Marina.
A pesquisadora contou que, desde 2017, vêm surgindo cada vez mais iniciativas em vários bairros diferentes e a própria rede de articulação desses movimentos, são a base para novas iniciativas. Na sua pesquisa, Marina aplicou um questionário semiestruturado para mapear os procedimentos de compostagem e coletaram-se amostras para análises laboratoriais do composto. De acordo com a pesquisadora, os melhores resultados foram atingidos pelos grupos que atendiam de maneira mais completa as recomendações ambientais, como não inserir resíduos de origem animal e oleosos na composteira, medidas de isolamento e controle de temperatura, entre outras. Os resultados, de acordo com Marina, dão suporte à prática da compostagem comunitária, e recomenda-se pesquisas futuras para que os grupos possam monitorar a segurança e a qualidade do húmus produzido.
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Pigmento índigo pode ser extraído de plantas brasileiras de forma mais sustentável
2026/03/19
Em tecidos como o jeans, o tom azul característico é obtido com o índigo, um dos pigmentos naturais mais antigos utilizados pela humanidade. “O índigo também já foi usado em pinturas, cosméticos e até em aplicações medicinais em diferentes culturas”, como contou a pesquisadora Thaís Silvestre Sanches Antichera. Ela é autora do estudo de doutorado Índigo brasileiro: extração sustentável do pigmento azul a partir das espécies Couroupita guianensis e Indigofera, defendido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. Thaís foi a entrevistada na edição deste 19 de março de Os Novos Cientistas.
Como contou a pesquisadora, “a maior parte do índigo utilizado no mundo é obtida de forma sintética, a partir de derivados petroquímicos.” Esse processo foi desenvolvido no final do século 20 e permitiu a produção em larga escala e com baixo custo. “No entanto, ele também está associado a impactos ambientais importantes, como o uso de substâncias tóxicas e geração de resíduos químicos”, destacou Thaís, ressaltando que há o interesse, em larga escala, em resgatar rotas naturais e sustentáveis para obtenção desse pigmento, especialmente dentro do contexto da bioeconomia e da moda sustentável.
Sob a orientação do professor Marcel Bellato Sposito, a pesquisadora buscou desenvolver e avaliar rotas mais sustentáveis para a extração do pigmento índigo a partir de espécies vegetais brasileiras, como a Couroupita guianensis e Indigofera suffruticosa. “Busquei compreender desde a presença dos precursores do pigmento nas plantas até a eficiência dos métodos de extração, a caracterização química do material obtido e o desempenho da cor em aplicações têxteis”, contou. De forma geral, de acordo com Thaís, o trabalho procurou contribuir para a valorização da biodiversidade brasileira como fonte de matérias-primas renováveis e para o desenvolvimento de alternativas tecnológicas mais alinhadas com princípios de sustentabilidade.
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Efluente tratado de laticínio é eficaz na irrigação de pimenta Maria Bonita
2026/03/05
Na edição desta quinta-feira, 5 de março, do podcast Os Novos Cientistas, recebemos a engenheira agrônoma Juliana de Fátima Vizú, que defendeu um estudo de doutorado em que comprova a eficiência da irrigação em plantas de pimenta da espécie Maria Bonita com efluente tratado de laticínio em sucessão à adubação verde. A pimenta Maria Bonita, do gênero Capsicum chinense tem pouca ardência e surge por meio de pesquisas conduzidas na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Araras, pelo grupo de pesquisa GeHort, liderado pelo pesquisador Fernando Sala. “Eles contam com um vasto banco de sementes de pimentas e após anos de pesquisas caracterizando essas plantas e realizando o cruzamento com a pimenta Biquinho, chegaram à espécie Maria Bonita”, descreveu a pesquisadora.
Os estudos da engenheira agrônoma resultaram no doutorado intitulado Cultivo protegido da pimenta ‘Maria Bonita’ irrigada com efluente tratado de laticínio, em sucessão à adubação verde, defendido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, sob a orientação do professor Fabricio Rossi. “A pimenta Maria Bonita é uma espécie híbrida, ou seja, resulta do cruzamento de duas linhagens do qual produz uma semente que, quando plantada, vai dar origem a uma planta com características de fruto superiores à da pimenta Biquinho”, explicou Juliana, destacando que a produção é praticamente o dobro, em relação à Biquinho. “Isso reflete em ganho para o produtor e rapidez no início da colheita, com frutos maiores de coloração vermelha intensa, frutos mais uniformes, lisos e com formato de coração.”
O estudo foi conduzido em duas etapas principais. Inicialmente, diferentes espécies de adubos verdes foram cultivadas em ambiente protegido e manejadas, mantendo-se sua biomassa sobre o solo como cobertura em sistema antecessor ao cultivo da Maria Bonita. Posteriormente, a pimenta foi implantada sobre essa cobertura vegetal, avaliando-se seu desenvolvimento e produção em sucessão à adubação verde, com irrigação por efluente tratado de laticínios. Os resultados indicaram maior produção em número e massa de frutos comerciais em comparação à água convencional. O efluente supriu 100% da demanda de nitrogênio das plantas, reduzindo o uso de fertilizantes químicos. Os adubos verdes também contribuíram para melhorias nas características do solo, como redução da acidez, aumento do pH e incremento da matéria orgânica. Além disso, observaram-se melhorias na qualidade dos frutos e manutenção da qualidade química do solo, indicando potencial para sistemas produtivos mais sustentáveis.
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