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1497 episodes
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Portuguese (Brazil)Publisher
Ecio CostaExplicit
No
Date created
2020/02/14
Latest episode
2026/02/04
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Bolsa batendo recorde após recorde e Dólar em queda com investidor estrangeiro, ele não se importa com o risco fiscal?
2026/02/04
Em janeiro, a entrada líquida de recursos estrangeiros na B3 somou R$ 26,3 bilhões, o maior volume já registrado para o mês e o mais elevado desde novembro de 2020, quando o fluxo alcançou R$ 30,7 bilhões. O dado chama ainda mais atenção porque, sozinho, supera todo o ingresso observado ao longo de 2025, que havia fechado em R$ 25,4 bilhões. O mais curioso é o timing. Esse movimento não era esperado logo no primeiro mês do ano, ainda mais em um ambiente doméstico marcado por incertezas fiscais e discussões sobre a sustentabilidade das contas públicas.
Boa parte dessa entrada tem explicação fora do país. A mudança no cenário internacional, especialmente nos EUA, abriu espaço para essa realocação. Com a política monetária americana caminhando para um ciclo de redução de juros e Dólar mais fraco, investidores globais passaram a buscar mercados onde o potencial de retorno parece maior. Soma-se a isso o fato de que as ações americanas estão negociando a múltiplos elevados, o que aumenta o incentivo para diversificar e olhar para fora, e o Brasil, junto com outros emergentes, acaba se beneficiando.
Esse movimento teve impacto direto na bolsa. Sustentado pelo forte fluxo externo, o Ibovespa acumula alta de 15,2% no ano e renovou máxima histórica ao atingir 185.674 pontos. Em dólares, o desempenho impressiona ainda mais: o índice avançou 17,4% apenas em janeiro, praticamente o dobro da alta do MSCI Emergentes no mesmo período, de 8,8%. No mesmo intervalo, as bolsas americanas ficaram bem atrás, com ganhos de 1,7% no Dow Jones, 1,4% no S&P 500 e 1,2% no Nasdaq.
Nesse contexto, o Brasil se destaca não só pelo preço, mas também pela escala. A B3 é, de longe, o mercado mais líquido da América Latina, com volume médio diário superior a US$ 1 bilhão, enquanto bolsas como a do México giram em torno de US$ 500 milhões. Mesmo após a alta recente, muitos ativos ainda são vistos como relativamente baratos ou, pelo menos, em linha com suas médias históricas, o que ajuda a sustentar o fluxo.
Daqui para frente, a expectativa é que esse fluxo continue, mas de forma mais seletiva. A tendência é sair um pouco da compra generalizada via índices e avançar para uma escolha mais cuidadosa de setores e empresas, especialmente aquelas mais sensíveis à queda de juros e com fundamentos mais sólidos. Ou seja, o investidor estrangeiro não só voltou, como parece disposto a ficar.
No fim das contas, o recado é claro: mesmo com o fiscal pressionando e as incertezas locais no pano de fundo, o ambiente externo ajudou a recolocar o Brasil no jogo. A combinação de juros mais baixos nos EUA, Dólar mais fraco e busca global por retorno recolocou o Brasil no radar. E, ao menos neste início de ano, esse capital externo tem sido decisivo para sustentar a alta da Bolsa e mudar o humor do mercado.
O olhar difere muito dos investidores individual e institucional brasileiro. Ambos apresentam retiradas líquidas de recursos de janeiro para cá, com quedas de 3,57% e 17,54% respectivamente. O aumento expressivo da relação dívida/PIB, mais de 7 pontos percentuais em 3 anos, fruto de uma política fiscal expansionista e sem controle, traz mais preocupações domesticamente. O risco ao longo do ano é de que esse aumento tão expressivo possa ter características de bolha, com risco de rompimento alto, a depender das guinadas políticas que venham a ocorrer na economia americana, inclusive, de mudança de poder em seu Congresso.
Com queda de 1,2% em dezembro, indústria brasileira encerra o ano com fraco desempenho
2026/02/03
Na comparação com novembro, a produção industrial recuou 1,2%, o pior resultado desde julho de 2024 e um sinal forte de desaceleração do setor e da economia. No acumulado de 2025, a indústria cresceu apenas 0,6%, bem abaixo do avanço observado em 2024 (3,1%) e pouco acima do registrado em 2023 (0,1%).
No quarto trimestre de 2025, a produção industrial recuou 0,5% frente ao mesmo período do ano anterior, interrompendo a trajetória positiva iniciada no final de 2023. Mesmo estando 0,6% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, o setor ainda opera 16,3% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.
Quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos pesquisados apresentaram queda na produção. Entre os principais impactos negativos, chamam atenção os setores de veículos automotores, que despencaram 8,7%, produtos químicos (-6,2%) e metalurgia (-5,4%). Também contribuíram para o resultado negativo setores como equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, produtos têxteis, minerais não metálicos, máquinas e equipamentos e confecção de vestuário.
Por outro lado, alguns segmentos ajudaram a reduzir o tombo. O principal destaque positivo foi o setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que avançou 5,4% e interrompeu uma sequência de três meses de queda. Também apresentaram desempenho favorável os ramos de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com crescimento de 6,7%, e as indústrias extrativas, que avançaram 0,9%.
Quando se olha para as grandes categorias, o quadro é ainda mais preocupante. Bens de capital (-8,3%) e bens de consumo duráveis (-4,4%) lideraram as perdas em dezembro, sinalizando menor investimento e enfraquecimento da demanda por bens de maior valor. Os bens intermediários (-1,1%) e os bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%) também recuaram.
No acumulado de 2025, o crescimento de 0,6% da indústria foi sustentado, sobretudo, pela indústria extrativa e pelo setor de alimentos, além de avanços em ramos como máquinas e equipamentos, metalurgia, produtos químicos e têxteis. Por outro lado, setores ligados a derivados de petróleo, bebidas, produtos de madeira e equipamentos de informática apresentaram retração ao longo do ano.
A indústria sofre com juros altos, mas também com excessos de burocracias, queda da produtividade da mão de obra, sistema tributário complicado e excessivo sobre o setor, dificultando para manter sua competitividade em relação ao mercado internacional e, principalmente, no fornecimento doméstico. Até o momento não se vê uma política industrial que realmente destrave e desenvolva o setor, fazendo com que a desindustrialização no Brasil tenha capítulos recorrentes.
Semana Econômica - 02/02/2026
2026/02/02
Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado.
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A dívida bruta chegou a R$ 10 trilhões no atual governo e atingiu 78,7% do PIB!
2026/01/30
De acordo com o Banco Central, em dezembro de 2024 o indicador estava em 76,3% do PIB. Isso representa um aumento de cerca de 7,0 p.p. desde o início do governo Lula, com crescimento nominal de R$ 2,79 trilhões. De um ano para cá, houve um aumento de 2,4 p.p., ou seja, apenas em 2025 a dívida cresceu nessa proporção.
O principal fator por trás desse resultado foi a incorporação dos juros nominais. O crescimento do PIB contribuiu para reduzir esse movimento, assim como a valorização cambial, mas esses efeitos não foram suficientes para conter a expansão da dívida. Além disso, o déficit consolidado da União, dos estados, dos municípios e das estatais trouxe um aumento significativo do endividamento.
Com isso, o déficit nominal ficou em R$ 1,06 trilhão em 2025, o equivalente a 8,34% do PIB. No ano anterior, o saldo negativo havia sido de R$ 998 bilhões, ou 8,47% do PIB. O gasto com juros da dívida, sozinho, foi de R$ 1 trilhão em 2025, acima dos R$ 950,4 bilhões registrados em 2024. Mesmo com o superávit de R$ 6,3 bilhões em dezembro, esse resultado não foi suficiente para compensar o déficit primário acumulado de R$ 55 bilhões em 2025.
Esse quadro reforça a tendência de aumento do endividamento e da relação dívida/PIB, influenciada tanto pelo déficit primário quanto pelo déficit nominal, que inclui a incorporação dos juros pagos para a rolagem e manutenção da dívida. O resultado preocupa diante da perspectiva de 2026, um ano eleitoral, com provável déficit fiscal, o que pode empurrar a relação dívida/PIB para patamares próximos de 80%. Isso tende a gerar custos elevados nos anos seguintes e para as gerações futuras, caso não haja um ajuste fiscal a partir de 2027, com maior responsabilidade fiscal e retomada de superávits primários para conter a escalada da dívida.
Atenção nos sinais! A decisão do Comitê de Política Monetária não trouxe novidades quanto à manutenção da taxa de juros
2026/01/29
A grande diferença aparece na parte final do comunicado, quando o Copom destacou, como sempre, que o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. Ainda assim, avaliou que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para garantir a convergência da inflação à meta, em um ambiente de inflação menor e de transmissão da política monetária mais evidente, sendo essa estratégia baseada na calibração do nível dos juros.
O ponto mais importante foi quando o Comitê afirmou que, se o cenário esperado se confirmar, pretende iniciar a flexibilização da política monetária na próxima reunião, que acontece em março. Ao mesmo tempo, reforçou que manterá as condições necessárias para assegurar a convergência da inflação à meta. Isso indica que, muito provavelmente, haverá finalmente, uma redução da taxa de juros a partir de março.
A dúvida agora é se esse corte será de 25 ou de 50 pontos-base. Isso vai depender principalmente dos dados de inflação, do desempenho e da desaceleração da economia que vem sendo observada, além da taxa de desemprego. O mercado de trabalho segue bastante aquecido, com a taxa de desemprego em mínima histórica, por isso o acompanhamento dos próximos dados do Caged e da Pnad será fundamental.
Se houver uma trajetória clara de desaceleração da economia, isso pode servir como gatilho para um corte mais forte, de 50 pontos-base, levando a taxa de juros de 15% para 14,5% ao ano já na reunião de março. O câmbio também tem ajudado, com a recente valorização do real e a desvalorização do dólar, o que contribui para a contenção da inflação. Essa sinalização do Copom, portanto, foi muito importante para antecipar um corte de juros já na reunião de março.
Em dia de superquarta, tudo deve permanecer como está!
2026/01/28
No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve manter a taxa de juros nos atuais 15% ao ano. Nos EUA, o Federal Reserve, por meio do FOMC, também deve optar pela manutenção dos juros em 3,75% ao ano.
Nos EUA, há uma forte tensão entre o presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Trump vem pressionando Powell e a autoridade monetária a acelerarem o processo de redução dos juros. No entanto, o consenso do mercado é de que a redução não deve ocorrer nesta reunião de janeiro. A expectativa é de manutenção, enquanto o Fed segue aguardando sinais mais claros do comportamento da economia, especialmente em relação ao mercado de trabalho e à inflação, que tem demorado a ceder por lá.
Além disso, há um processo envolvendo o presidente do Federal Reserve que também tem chamado a atenção do mercado. Por isso, será especialmente importante acompanhar o discurso de Powell após a decisão de juros para entender melhor qual rumo a economia americana deve seguir e a explicação referente à decisão tomada.
Aqui no Brasil, o mercado deve acompanhar com mais atenção não exatamente a decisão, mas o comunicado que a acompanha. As apostas para o início da flexibilização monetária nesta reunião perderam força. A maior parte do mercado acredita que os cortes só devem começar a partir de março, em um ritmo de 0,5 p.p. por reunião, possivelmente até setembro. Isso significaria cinco cortes seguidos, para talvez chegar a uma pausa em novembro e dezembro, encerrando o ano com a taxa entre 12% e 12,5%.
Para isso, o Copom vai ficar de olho nos dados de inflação, no mercado de trabalho, na atividade econômica e, principalmente, nas perspectivas de cortes de gastos do governo para 2027. Como este é um ano eleitoral, os gastos devem continuar em patamares elevados. O Copom tende a observar quais reformas fiscais os candidatos à eleição deste ano estarão propondo, já que um ajuste em 2027 parece cada vez mais inevitável.
Deve haver um ajuste fiscal forte no próximo ano para tentar conter o ritmo acelerado de crescimento da relação dívida/PIB, que já se aproxima de 80% e pode até ultrapassar esse patamar ainda neste ano. Portanto, tudo indica que, pelo menos na reunião de hoje, tanto nos EUA quanto no Brasil, o cenário será de manutenção das taxas de juros.
Tributação sobre dividendos derrubou o Investimento Estrangeiro Direto no país
2026/01/27
O Brasil registrou saída de US$ 5,25 bilhões em dezembro, maior valor desde o início da série histórica, em 1995. Apesar da conta de serviços ter sido ajudada pela obrigatoriedade de casas de apostas se tornarem empresas residentes, fazendo com que, desde janeiro do ano passado, as transações de apostas deixassem de fazer parte do balanço de pagamentos, o resultado das transações externas ainda foi bastante negativo e pode passar a contar agora com menos contrapeso do Investimento Estrangeiro Direto, se essa tendência continuar.
Com a nacionalização das casas de apostas, houve uma redução nas despesas líquidas de serviços culturais, pessoais e recreativos de cerca de US$ 5 bilhões, o que acabou ajudando um pouco as contas em relação a 2024. Mesmo assim, ainda houve aumento do déficit na comparação com 2024. Ou seja, se essa mudança não tivesse ocorrido, o déficit de serviços e das transações externas teria sido ainda maior.
Em relação ao investimento direto no país, ao olhar os resultados apresentados, chama atenção a parte de lucros reinvestidos, que tiveram uma queda significativa. É importante observar o timing da implementação da tributação mínima de 10% sobre lucros e dividendos. Embora essa tributação tenha sido aprovada no ano passado, ela foi efetivamente implantada apenas ao final do ano, mas já mostra, em dezembro, uma certa repercussão sobre os lucros reinvestidos. Nesse mês, a distribuição de lucros superou os lucros auferidos, indicando um movimento de antecipação por parte das empresas para evitar a incidência da nova tributação.
A preocupação é que as contas externas brasileiras são estruturalmente deficitárias. O saldo da balança comercial, que há dois anos atingiu patamares recordes próximos de US$ 100 bilhões, segundo dados do MDIC, vem perdendo fôlego, recuando para cerca de US$ 75 bilhões e, mais recentemente, para níveis ainda inferiores, US$ 68 bilhões em 2025. Caso essa tendência se consolide, a capacidade da balança comercial de compensar o déficit da conta de serviços, que é significativamente maior do que o superávit comercial, tende a se reduzir.
O que fecha a conta, portanto, é o investimento estrangeiro direto no país. Se esse investimento começar a cair de forma mais significativa, podemos entrar em um cenário mais complicado, passando a depender da utilização das reservas internacionais, da emissão de títulos no exterior e, em última instância, até de conversas com o FMI, como já ocorreu no passado.
Esse ainda é um cenário distante, já que as reservas internacionais fecharam o ano em US$ 358,2 bilhões, um aumento de US$ 28,5 bilhões em relação a 2024, muito por conta de efeitos cambiais e da receita de juros. Ainda assim, trata-se de uma tendência que merece atenção: se, em função da tributação elevada, o país perder atratividade do investidor estrangeiro, o balanço de pagamentos e as contas externas podem sofrer no futuro.
Semana Econômica - 26/01/2026
2026/01/26
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A arrecadação federal cresceu 3,65% em 2025 e bateu um recorde histórico
2026/01/24
O total arrecadado foi de R$ 2,88 trilhões no ano passado, segundo a Receita Federal. Este foi o maior valor desde o início da série histórica, em 1995. Mas isso é bom para você, para mim, para todos que estamos pagando impostos em um montante cada vez maior? O desempenho do ano foi ajudado por medidas arrecadatórias adotadas pelo governo. Ao longo da atual gestão, desde que o governo Lula tomou posse, com Fernando Haddad à frente do Ministério da Fazenda, inúmeras medidas foram adotadas para elevar a arrecadação e, com isso, dar mais espaço orçamentário para que o governo pudesse gastar mais. Tanto que o ministro Haddad vem sendo alvo de vários memes, inclusive sendo chamado de Taxad.
Mas não foi apenas o aumento das medidas arrecadatórias que contribuiu para esse recorde de arrecadação. A economia brasileira também vem sendo, de certa forma, resiliente. A atual política monetária opera com uma taxa de juros bastante elevada, em torno de 15% ao ano, justamente para tentar conter a inflação, que é muito influenciada pelo excesso de gastos promovido pelo próprio governo. Ainda assim, a atividade econômica segue resiliente, sustentada, principalmente, pelo setor de serviços.
Esses dois fatores, o crescimento ainda resiliente da economia, especialmente dos serviços, e a expansão fiscal, combinados com o aumento de impostos, como o IOF e outros tributos, ajudaram a impulsionar a arrecadação. No final, o aumento de arrecadação para ampliar os gastos do governo acaba fazendo com que o setor produtivo seja cada vez mais penalizado. Produtos e serviços ficam cada vez mais caros, e a dependência da população e das empresas em relação ao setor público também aumenta de forma considerável.
Isso tende a trazer um crescimento econômico mais fraco ao longo do tempo, porque quanto mais engessada é a economia de um país, mais difícil se torna o seu desenvolvimento econômico. Empresas e pessoas passam a depender excessivamente do Estado e do direcionamento da política econômica. O estado, por sua vez, gasta de forma ineficiente, com poucos retornos para a sociedade, mediante o tamanho do orçamento que tem. Países que adotam medidas para redução da carga tributária e maior eficiência nos gastos, através de reformas estruturais, traçam um caminho virtuoso de desenvolvimento econômico sustentável, muito diferente do que é visto hoje no país.
Espera-se que, num futuro próximo, haja uma correção, com a trajetória redimensionada para uma redução do tamanho do Estado combinada com gastos mais eficientes, capazes de garantir que a população seja bem atendida em educação, saúde, segurança e infraestrutura, mas com uma carga tributária menor, resultado de uma melhor gestão dos recursos públicos. E a preocupação já está logo ali, em 2027, quando mesmo com arrecadação recorde, os gastos obrigatórios irão tomar 100% do orçamento do próximo ano.
O Banco Master vai obrigar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a realizar o maior desembolso desde sua criação, em 1995
2026/01/21
Desde 1996, o FGC desembolsou R$ 6,2 bilhões líquidos, após considerar recuperações e créditos perdidos, em valores nominais, conforme relatórios divulgados até outubro do ano passado.
Os maiores pagamentos vieram do Banco Bamerindus, com R$ 3,7 bilhões, do Banco Cruzeiro do Sul, com R$ 1,96 bilhão, do Banco BVA, com R$ 1,22 bilhão, além do BRK, com R$ 1,75 bilhão. Para completar a lista dos 5 maiores, o Banco Rural demandou R$ 924 milhões. Esses cinco casos respondem por mais de 70% de todo o valor indenizado desde a criação do fundo.
Para se ter uma ideia da dimensão do caso atual, o Banco Master sozinho vai extrapolar todos os parâmetros históricos, com um pagamento estimado até o momento em R$ 41 bilhões aos investidores. A indenização contempla principalmente títulos de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs, além de recursos em conta, que não é o caso do Banco Master, respeitando o limite de até R$ 250 mil por investidor, por CPF, e por instituição.
Ao longo desse período, foram pagos 4.256.539 clientes, sendo cerca de 4,2 milhões por garantia ordinária e 872 por garantia especial. O caso mais emblemático foi o do Bamerindus, com 3,9 milhões de clientes indenizados, o que corresponde sozinho a cerca de 92% de todos os ressarcimentos realizados até hoje. Em anos mais recentes, destacam-se a Portocred CFI, com 12.058 clientes, ainda em fase final de pagamento, o BRK CFI, em 2023, com 40.893 clientes, e a Dacasa CFI, em 2020, com 22.130 clientes.
O intervalo entre a decretação do Regime Especial e o início dos pagamentos variou de zero a três anos e oito meses, mas, na maior parte dos casos, ficou entre 15 e 60 dias. Desde 2011, o FGC passou a realizar os pagamentos diretamente aos credores, o que reduziu esse prazo. Exemplos recentes incluem o Banco Neon, com 14 dias; a Domus Cia Hipotecária, com 15 dias; a Portocred, com 27 dias; e o BRK, com 33 dias. Casos excepcionais de demora ocorreram por disputas judiciais ou entraves extrajudiciais, como no caso do BFI, cujo pagamento aconteceu somente três anos e oito meses depois.
A liquidação do Banco Master ocorre em um cenário diferente dos grandes colapsos dos anos 1990 e 2000, quando o sistema financeiro ainda consolidava seus mecanismos de supervisão e resolução bancária. Hoje, as regras de fiscalização do Banco Central são mais rígidas, assim como os processos de liquidação de bancos que enfrentam problemas de liquidez ou de patrimônio, fatores que normalmente levam à decretação da liquidação. No caso do Banco Master, o cadastro já foi realizado para mais de 800 mil investidores, e a promessa é que, nas próximas 48 horas úteis desde o cadastro, os investidores recebam até R$ 250 mil dos investimentos em renda fixa que foram feitos nesse fundo.
Brasil bate recorde de passageiros em voos e Aeroporto do Recife se consolida como hub do Nordeste
2026/01/20
O ano de 2025 foi o melhor para história da aviação no Brasil e em Pernambuco, com o Aeroporto do Recife se consolidando como líder da região Nordeste em número de voos, conforme dados da ANAC. Os aeroportos do país transportaram 129,6 milhões de passageiros em 2025, sendo a primeira vez que o setor superou a marca de 120 milhões de passageiros em um único ano.
Foram 129,6 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais, o que representa um aumento de 9,2% em relação ao recorde anterior, registrado em 2019, e de 9,4% em comparação com 2024. No setor internacional, foram 28,4 milhões de passageiros, uma alta de 13,4% em relação ao ano anterior, que detinha o recorde com 25 milhões de passageiros.
A demanda e a oferta também apresentaram crescimento no ano. Considerando os mercados doméstico e internacional, a demanda cresceu 11,3% e a oferta, 10,2%. No mercado doméstico, o crescimento foi de 10,6% na demanda e 8,5% na oferta. Já no mercado internacional, a demanda aumentou 11,7% e a oferta, 11,3%. Esse momento vem do período pós-pandemia, quando em 2020, no auge da crise sanitária, houve uma queda para 51,2 milhões de passageiros transportados. Desde então, esse movimento de recuperação vem se intensificando.
Para consolidar Pernambuco e o Recife como líderes do Nordeste em voos, a ANAC confirma que, em janeiro deste ano, com quase 7 mil operações previstas, o Aeroporto Internacional dos Guararapes apresenta uma elevação de 11% na movimentação, ampliando também a conectividade. O terminal pernambucano possui a maior malha aérea da região no mês de janeiro, impulsionada pela alta temporada de verão e pelo Carnaval.
Ao todo, estão previstos 6.921 voos entre pousos e decolagens, o que representa um aumento de 11,07% em relação a dezembro. O aeroporto mantém uma média de 223 operações diárias, conectando o estado com os principais centros urbanos do país e com o exterior.
No mercado internacional, o destaque são os 324 voos programados para janeiro, ampliando a capilaridade global do terminal, que atende a nove destinos. Nesse ranking de conectividade internacional, os principais destinos são Portugal, com 122 operações; Argentina, com 114 voos; e, Espanha, com 44 voos. Esses números mostram a consolidação de Pernambuco como um destino relevante para turistas nacionais e internacionais, além de reforçar sua importância para as atividades de negócios e para a logística.
Semana Econômica - 19/01/2026
2026/01/18
Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado.
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IBC-Br surpreende em novembro e aponta crescimento da atividade econômica
2026/01/16
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 0,7% em novembro na comparação com outubro, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado veio acima da mediana das estimativas do mercado, que apontava crescimento de 0,4%. O resultado também chama atenção, pois o setor de serviços mostrou queda de 0,1% em novembro, segundo o IBGE, mas apresentou alta de 0,6% segundo o IBC-Br.
Com esse desempenho, a atividade econômica manteve um ritmo positivo ao longo do trimestre encerrado em novembro, acumulando crescimento de 1,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Na comparação com novembro do ano passado, o indicador mostrou expansão de 1,2%. Já no acumulado em 12 meses até novembro, o IBC-Br avançou 2,4%. O mesmo percentual foi registrado no resultado acumulado do ano.
Além do resultado agregado, na abertura setorial do índice, em novembro, a agropecuária apresentou retração de 0,3% frente a outubro. Em contrapartida, a indústria avançou 0,8%, enquanto o setor de serviços registrou crescimento de 0,6%. O componente de impostos teve alta mais expressiva, de 1,13%, e o IBC-Br excluindo a agropecuária também mostrou expansão de 0,7%.
Embora seja frequentemente utilizado como um termômetro da economia, o IBC-Br não substitui o Produto Interno Bruto (PIB), calculado pelo IBGE. Isso porque os dois indicadores têm metodologias parecidas, mas periodicidades diferentes. Enquanto o IBC-Br é divulgado mensalmente e permite um acompanhamento mais próximo da evolução da atividade ao longo do ano, o PIB, de frequência trimestral, oferece uma visão mais ampla e detalhada do desempenho da economia como um todo.
O próprio BC ressalta que, devido às diferenças metodológicas em relação às contas nacionais do IBGE, é esperado que as divergências entre o IBC-Br e o PIB sejam mais significativas nas aberturas setoriais do que nos indicadores agregados. A diferença no setor de serviços chama atenção, pois o setor representa mais de 70% do PIB brasileiro.
O PIB do último trimestre somente será divulgado após a apresentação dos dados referentes aos desempenhos da indústria, varejo e serviços, pelo IBGE, ao longo do próximo mês. De todo jeito, em contraste com o IBC-Br de novembro, a indicação de tendência dessas variáveis, pelo IBGE, é de uma desaceleração da economia.
Vendas do varejo surpreendem em novembro
2026/01/15
As vendas do comércio varejista cresceram 1,0% em novembro na comparação com outubro. Frente a novembro de 2024, o volume subiu 1,3%, enquanto o acumulado de 2025 e o dos últimos 12 meses passou a registrar alta de 1,5%. Em termos de receita, o desempenho foi melhor. O faturamento do varejo cresceu 4,2% na comparação interanual, mostrando uma expansão de 6,5% no ano e de 6,6% em 12 meses.
O varejo ampliado, que inclui segmentos mais sensíveis ao crédito e ao investimento, como veículos, material de construção e o atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, também registrou crescimento. O volume de vendas avançou 0,7% em novembro frente a outubro. Apesar disso, o desempenho interanual ainda foi negativo (-0,3%), assim como o acumulado do ano (-0,3%) e dos últimos 12 meses (-0,2%).
Na passagem de outubro para novembro, sete das oito atividades do comércio varejista apresentaram taxas positivas. O principal destaque ficou com Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que cresceu 4,1%, seguido por Móveis e eletrodomésticos (2,3%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,2%). Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,0%), Livros, jornais, revistas e papelaria (1,5%), Hiper e supermercados (1,0%) e Combustíveis e lubrificantes (0,6%) também tiveram desempenho positivo. A única queda no período foi observada em Tecidos, vestuário e calçados (-0,8%). No varejo ampliado, Material de construção avançou 0,8%, enquanto Veículos e motos, partes e peças recuou 0,2%.
Na comparação com novembro de 2024, cinco das oito atividades do varejo registraram crescimento. O maior destaque foi novamente o segmento de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com alta de 9,9%, terceiro resultado positivo consecutivo após a queda registrada em agosto. As vendas de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria cresceram 7,2%, marcando a 33ª alta consecutiva do setor. Esse grupamento exerceu a maior influência positiva sobre o resultado global do varejo, respondendo por 0,6 p.p. dos 1,3% de crescimento interanual.
Móveis e eletrodomésticos teve desempenho relevante, com crescimento de 5,2% na comparação anual. Outros artigos de uso pessoal e doméstico avançou 4,7%, completando oito meses consecutivos de resultados positivos. O segmento de Livros, jornais, revistas e papelaria também apresentou recuperação, com alta de 5,9%, apesar de ainda registrar perdas no acumulado do ano (-0,8%) e em 12 meses (-1,2%).
Por outro lado, alguns segmentos seguem enfrentando dificuldades. Hiper e supermercados teve variação próxima de zero pelo segundo mês consecutivo e não registra crescimento desde julho. Combustíveis e lubrificantes recuou 1,3% na comparação anual; e, Tecidos, vestuário e calçados apresentou queda de 4,0%, acumulando o terceiro resultado negativo consecutivo e desacelerando seus ganhos tanto no acumulado do ano quanto em 12 meses.
No varejo ampliado, o desempenho negativo foi puxado principalmente por Veículos e motos, partes e peças, que registrou queda de 5,8% frente a novembro de 2024, sexto resultado negativo seguido e principal influência negativa sobre o indicador interanual. Material de construção também apresentou retração de 3,0%, acumulando perdas no segundo semestre e passando para o campo negativo no acumulado do ano. Já Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceu 0,9% na comparação interanual, mas ainda mantém resultados negativos no acumulado do ano e em 12 meses.
Regionalmente, o comércio varejista apresentou desempenho positivo na maior parte do país. Na comparação com outubro, 23 das 27 Unidades da Federação registraram crescimento, com destaque para Rondônia (9,2%), Roraima (4,5%) e Espírito Santo (4,3%). No varejo ampliado, 22 estados apresentaram alta no período, com ênfase para Rondônia (8,3%), Mato Grosso do Sul (7,7%) e Roraima (3,4%).
O mês de novembro vem se consolidando como um mês relevante para vendas de final do ano, com Black Friday como principal atrativo. O crescimento do ritmo das vendas em relação a outubro mostra isso, mas talvez não se repita no mês de dezembro, segundo algumas indicações de outros levantamentos, como o Índice de Vendas da Cielo apontou.
Em segundo ano consecutivo de queda no saldo, balança comercial brasileira fechou 2025 com superávit de US$ 68,3 bilhões
2026/01/14
O resultado teve queda de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo havia sido de US$ 74,2 bilhões. Em dezembro, o país registrou superávit de US$ 9,6 bilhões, avanço de 107,8% na comparação com dezembro de 2024, quando o saldo positivo havia sido de US$ 4,6 bilhões. Trata-se do maior superávit para o mês desde o início da série histórica, em 1997, mas não suficiente para reverter a queda no acumulado do ano.
O resultado anual foi sustentado por níveis recordes tanto de exportações quanto de importações. As exportações somaram US$ 348,7 bilhões em 2025, com alta de 3,5% na comparação anual, atingindo o maior valor da série histórica. Já as importações cresceram em ritmo ainda mais intenso, avançando 6,7% e totalizando US$ 280,4 bilhões, também em nível recorde, provocando a queda no saldo da balança comercial. Com isso, a corrente de comércio alcançou US$ 629,1 bilhões, com crescimento de 4,9% frente a 2024.
Entre os produtos exportados no ano, o óleo bruto de petróleo manteve a liderança, com vendas de US$ 44,7 bilhões, apesar de uma leve queda de 0,7% em relação a 2024. A soja também seguiu como um dos principais itens da pauta exportadora, alcançando US$ 43,5 bilhões, com crescimento de 1,4%. Do ponto de vista setorial, a indústria de transformação continuou sendo o principal motor das exportações, respondendo por US$ 188,7 bilhões (3,8%), enquanto a agropecuária (7,1%) se destacou pelo ritmo mais forte de crescimento, totalizando US$ 77,6 bilhões. Já a indústria extrativa somou US$ 80,4 bilhões, apresentando recuo de 0,7% frente ao ano anterior.
No recorte por parceiros comerciais, a China manteve-se como principal destino das exportações brasileiras, com US$ 100,02 bilhões em 2025, crescimento de 6,0%. A União Europeia apareceu em seguida, com US$ 49,81 bilhões e alta de 3,2%. Já as vendas para os EUA recuaram 6,6%, totalizando US$ 37,72 bilhões, enquanto as exportações para a Argentina apresentaram forte expansão, de 31,4%, alcançando US$ 18,11 bilhões.
Do lado das importações, os óleos combustíveis lideraram entre os principais itens adquiridos pelo Brasil, com US$ 15,52 bilhões em 2025, crescimento de 2,3%. Adubos e fertilizantes também tiveram destaque, somando US$ 15,47 bilhões, com avanço expressivo de 14,1% em relação a 2024. Por setor de atividade econômica, a indústria de transformação concentrou a maior parte das importações, totalizando US$ 259,8 bilhões, alta de 8,6%. A indústria extrativa registrou queda significativa, de 21,2%, com US$ 12,83 bilhões, enquanto as importações da agropecuária atingiram US$ 6,02 bilhões, crescimento de 6,4%.
Em termos de origem das importações, a China liderou as vendas ao Brasil em 2025, com US$ 70,93 bilhões, aumento de 11,5%. A União Europeia aparece logo atrás, com US$ 50,29 bilhões e crescimento de 6,4%. Os EUA venderam US$ 45,25 bilhões ao mercado brasileiro, alta de 11,3%, enquanto a Argentina registrou queda de 4,7%, totalizando US$ 12,94 bilhões.
O desempenho das exportações brasileiras para os EUA foi impactado diretamente pelo aumento das tarifas imposto pelo governo Trump. Em 2025, a participação dos EUA no total exportado pelo Brasil caiu para 10,8%, o menor patamar desde 2020. Apenas em dezembro, as exportações brasileiras destinadas ao mercado americano somaram US$ 3,4 bilhões, com queda de 7,2% na comparação anual. Enquanto isso, a concentração na China como destino aumentou, trazendo ainda mais preocupações.
As tarifas definidas por Trump encareceram significativamente as exportações brasileiras para o mercado americano e contribuíram para a retração observada ao longo do ano. Em novembro, no entanto, o governo dos EUA anunciou a redução das tarifas de importação sobre alguns produtos específicos, como carne bovina, café, tomate e banana, o que amenizou parcialmente os efeitos do tarifaço, mas não foi suficiente para reverter a queda no fluxo comercial entre os dois países.
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