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Ecio Costa - Economia e Negócios

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Country
Brazil
This podcast has
1651 episodes
Publisher
Ecio Costa
Explicit
No
Date created
2020/02/14
Latest episode
2026/10/09
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-
Release period
2 days

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A Âncora do Crescimento: Responsabilidade Fiscal e Prosperidade
2026/10/09
Existe uma falsa dicotomia no debate público de que responsabilidade fiscal seria inimiga do social. A economia demonstra o oposto: o equilíbrio das contas é o alicerce indispensável para um crescimento sustentável, capaz de gerar empregos sem corroer o poder de compra da população com inflação ou asfixiar o setor produtivo com juros altos. Quando o Estado gasta dentro da sua capacidade de arrecadação, ele sinaliza previsibilidade e controle da dívida. A consequência direta é a queda no prêmio de risco do país. Com expectativas ancoradas e inflação domada, o Banco Central ganha margem para reduzir a taxa Selic de forma estrutural. Os juros da dívida pública também caem. Juros mais baixos barateiam o crédito para o empresário investir, para o governo administrar sua dívida e para as famílias consumirem, destravando a economia. Ajustar as contas não exige sacrificar investimentos essenciais em saúde, educação ou segurança pública, tampouco significa aumentar a já sufocante carga tributária. O caminho passa por um choque de eficiência. O Brasil gasta muito e gasta mal. É plenamente viável equilibrar o orçamento focando na qualidade do gasto: cortando desperdícios, revisando subsídios ineficientes, modernizando a máquina estatal e focando no combate a fraudes e privilégios. Preservar as áreas vitais é uma questão de gestão e prioridade técnica. O controle fiscal inteligente protege o cidadão de duas formas: garante a oferta dos serviços públicos e bloqueia a inflação, que sempre pune os mais pobres. Responsabilidade com o orçamento não é austeridade cega, mas a ferramenta mais poderosa de desenvolvimento do país.
O Desafio do Split Payment: Entre a Eficiência e o Caixa das Empresas
2026/10/08
A recente declaração de Daniella Marques sobre a intenção de acabar com o split payment na Reforma Tributária reacendeu um debate sobre a operacionalização do nosso sistema de impostos. O mecanismo, cujo início foi adiado para 2028 pelo atual governo, consiste na retenção automática dos tributos (IBS e CBS) no momento exato da liquidação de cada transação comercial. Por um lado, o modelo possui um lado positivo: a forte redução da sonegação. Ao automatizar o recolhimento via sistema financeiro, o Estado fecha brechas para fraudes, garante a arrecadação em tempo real e promove um ambiente de justiça e concorrência leal entre os empresários. Por outro lado, a mecânica impõe um gargalo perigoso ao setor produtivo. A retenção imediata estrangula a liquidez e aumenta drasticamente a necessidade de capital de giro das empresas, sobretudo pequenas e médias. Atualmente, o prazo entre a venda e o vencimento da guia de impostos permite que o empreendedor administre seu fluxo de caixa. Com o split payment, o dinheiro do tributo é sacado na hora da venda, retirando a flexibilidade financeira do negócio e encarecendo os custos operacionais. O debate levantado por Marques reforça que a mudança tributária não pode se tornar uma armadilha para o caixa de quem produz. Combater a sonegação é vital, mas não ao custo de asfixiar a saúde financeira das empresas. A Reforma Tributária precisa ser aperfeiçoada para cumprir o seu papel original: entregar um sistema de fato mais simples, amigável e com uma carga tributária menor para os pagadores de impostos.
A Mudança nas Expectativas que Poupou R$ 66 Bilhões
2026/10/06
Na economia, a previsibilidade é a moeda mais valiosa. Quando o mercado enxerga compromisso real com a responsabilidade fiscal, o efeito na confiança é imediato. A reação aos resultados do primeiro turno das eleições ilustrou essa dinâmica com precisão: em um único dia de negócios, a curva de juros futuros no Brasil despencou um ponto percentual completo. Essa queda de 1 ponto percentual equivale a uma economia direta de R$ 66 bilhões para os cofres do país. É uma cifra de dinheiro dos impostos que o Estado deixa de queimar apenas para financiar o próprio desequilíbrio, abrindo margem para o alívio orçamentário no futuro. O valor corresponde a quase 3 vezes o reajuste do Bolsa Família de 15,04% em 2027 (R$ 22,7 bilhões) e é maior que o impacto do aumento de R$ 120 do salário mínimo (R$ 54,60) para o ano que vem. O aspecto mais revelador desse forte movimento é que ele ocorreu puramente no campo da expectativa. Antes mesmo da confirmação definitiva de um futuro governo de Flávio Bolsonaro, a simples sinalização vinda das urnas — indicando a composição de forças políticas dispostas a travar o expansionismo sem freios e o gasto irresponsável — bastou para despencar o prêmio de risco cobrado pelos investidores. O episódio histórico deixa uma lição clara: a responsabilidade fiscal não é um capricho teórico de economistas, mas uma ferramenta prática de eficiência. Quando o país sinaliza rigor com as contas e repele o populismo eleitoreiro, o custo do capital cai. Esse alívio reduz drasticamente o custo de carregamento da dívida, barateia o crédito para quem quer produzir e pavimenta o crescimento real da economia. A previsibilidade institucional custa zero, mas economiza dezenas de bilhões em retorno imediato para a sociedade.
A Aposta do Mercado na Ordem Fiscal Com A Virada das Urnas
2026/10/06
A reação dos ativos financeiros no primeiro pregão após a apuração do primeiro turno enviou um recado claro ao país. Em um dia de forte movimentação, o Ibovespa disparou, batendo recorde histórico e fechando acima dos 200.000 pontos, enquanto o dólar despencou, recuando para abaixo do patamar simbólico de R$ 5,00. Essa reação expressiva não é fruto do acaso, mas da reprecificação imediata das expectativas quanto à condução macroeconômica do Brasil. Por trás desse otimismo está a leitura técnica e pragmática dos agentes econômicos sobre o desenho político delineado pelas urnas para o Legislativo e, principalmente, o Executivo. O mercado traduziu o cenário como uma sinalização de que o próximo ciclo político exigirá, inevitavelmente, uma agenda mais moderada, com um olhar mais atento à trajetória do gasto público. Há uma forte expectativa de que os novos arranjos de poder funcionem como um anteparo a políticas atuais de expansionismo fiscal excessivo. A perspectiva de um novo olhar sobre a condução das políticas públicas renova a confiança dos investidores locais e estrangeiros. O capital enxerga a oportunidade de transição para um ambiente focado na estabilidade institucional e no compromisso rigoroso com o equilíbrio fiscal. Uma trajetória previsível e crível para a dívida pública reduz imediatamente o prêmio de risco cobrado pelo mercado, o que alivia a pressão cambial e abre espaço para a queda sustentável na nossa curva de juros, mesmo antes do novo governo começar, caso o resultado se confirme no segundo turno. O rali e a máxima histórica reforçam a lição central da economia: o país precisa de previsibilidade. O próximo ano exigirá ajustes profundos e corajosos no Orçamento, e a resposta rápida dos ativos espelha a aposta de que a responsabilidade fiscal voltará ao centro das decisões de Estado. O capital foge da incerteza e busca segurança; a mensagem que vem da B3 é de que a retomada real do nosso crescimento passa pela organização das contas do país.
Preocupado eu estou é com 2027!
2026/10/05
O resultado das urnas que empurrou a eleição presidencial para o segundo turno prolonga a disputa política, mas a economia já antecipa uma amarga certeza: independentemente de quem suba a rampa do Palácio do Planalto, 2027 será um ano de duríssimo ajuste fiscal. A fatura do descontrole das contas públicas, impulsionado por um expansionismo irrefreável, já chegou. Contudo, a grande e imediata preocupação técnica agora é o que acontecerá nas próximas semanas de campanha. A prorrogação da disputa acende um alerta vermelho para o risco iminente de novas políticas de apelo eleitoreiro. Historicamente, disputas acirradas em segundo turno costumam tentar os governantes a abrir ainda mais as torneiras do gasto público na busca desesperada por votos. Se novas benesses artificiais e pacotes sem fonte de custeio forem lançados de forma inconsequente até o fim de outubro, o abismo fiscal que já nos aguarda se tornará ainda mais profundo e difícil de reverter. Os dados recentes do Banco Central provam que não há margem para irresponsabilidade. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu seu maior ritmo de crescimento desde a pandemia. Apenas entre janeiro e agosto, o endividamento do Estado saltou impressionantes R$ 1,1 trilhão. Diferentemente do choque da Covid-19, a atual escalada é fruto exclusivo de desequilíbrios internos, falta de planejamento e aumento desenfreado de gastos correntes. Esse salto trilionário cobra um preço diário de quem produz. Com o governo se endividando de forma acelerada, a percepção de risco dispara. O Tesouro Nacional paga juros maiores, forçando a manutenção da taxa Selic em níveis restritivos. Na prática, o Estado gera o nocivo efeito de crowding out: suga os escassos recursos da economia, tornando o crédito proibitivo para o empresário que quer expandir e para a família endividada. O cenário para o próximo mandato será, inegavelmente, de contenção. O novo governo herdará um Orçamento engessado e uma dívida que flerta com a insustentabilidade. Para evitar fuga de capitais, disparada do dólar e descontrole inflacionário, o remédio amargo será inevitável. O corte rigoroso de despesas, a revisão de subsídios e o passo atrás em inúmeros programas lançados neste ano deixarão de ser opção para se tornarem imposição de sobrevivência. Esse freio brusco de arrumação será doloroso, mas é o único caminho para devolver previsibilidade ao país e permitir a queda dos juros. O Brasil precisa abandonar a cultura do atalho que sacrifica o nosso futuro. A estabilidade econômica e a geração de empregos só ocorrerão quando o país demonstrar, com ações concretas, que é capaz de gastar menos do que arrecada.
Um Estado preparado para transformar projetos em resultados
2026/10/02
Infraestrutura, serviços públicos e novos investimentos exigem mais do que recursos: exigem capacidade de planejamento e execução. Na décima quarta e última frente das Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, a modernização do Estado aparece como condição para ampliar investimentos, melhorar a gestão e transformar oportunidades em projetos concretos. Um dos desafios está na capacidade de estruturar bons projetos. Muitas prefeituras e o próprio Governo do Estado enfrentam limitações para elaborar estudos técnicos, modelagens econômico-financeiras, definir riscos e conduzir concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). Fortalecer essa capacidade institucional pode ampliar o acesso a recursos e acelerar investimentos em áreas como transporte, saneamento, energia, infraestrutura digital, saúde e mobilidade. Entre as propostas está a criação de uma Rede de Escritórios de Projetos e um Fundo de Estruturação, especialmente para apoiar municípios com menor capacidade técnica. A estratégia também prevê maior integração com bancos de desenvolvimento e ampliação das PPPs e concessões, criando um ambiente com mais segurança jurídica, transparência e previsibilidade para o poder público, investidores e sociedade. A modernização também precisa chegar à gestão cotidiana. O programa de transformação digital proposto integra inteligência artificial, automação, interoperabilidade de dados, serviços públicos digitais e gestão orientada por desempenho. O acompanhamento permanente de indicadores de produtividade, qualidade do gasto, capacidade de investimento e execução de projetos ajudaria a aproximar a administração pública de uma cultura de resultados. Para consolidar essa estratégia, o estudo propõe um Escritório Estadual de Estruturação de Projetos Estratégicos e Captação de Investimentos, responsável por desenvolver estudos, estruturar parcerias, buscar recursos e coordenar a Carteira Estratégica de Projetos Pernambuco 2035. A modernização do Estado, nesse sentido, não significa apenas mudar processos: significa aumentar sua capacidade de planejar, investir e entregar resultados para a população.
O que muda para Pernambuco com a Reforma Tributária
2026/10/01
A Reforma Tributária representa uma mudança importante para o ambiente de negócios brasileiro, especialmente pela busca de maior simplificação. Mas seus efeitos sobre o desenvolvimento regional precisam ser acompanhados de perto. Na décima terceira frente das Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, o foco está em garantir que a nova estrutura tributária também considere as diferenças de competitividade entre a Região Metropolitana, o Agreste, a Zona da Mata e os Sertões. Pernambuco e o Nordeste ainda enfrentam desvantagens históricas em infraestrutura, logística e capacidade de atração de investimentos. Por isso, a transição para um novo sistema tributário precisa preservar mecanismos capazes de estimular empreendimentos produtivos, tecnológicos e logísticos nas regiões que possuem maior necessidade de investimentos e potencial de transformação econômica. Um dos pontos centrais é o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR). A proposta defende critérios que considerem não apenas a população, mas também renda per capita, infraestrutura, capacidade fiscal, produtividade e vulnerabilidade socioeconômica. A lógica é direcionar recursos para territórios que enfrentam maiores desafios estruturais, fortalecendo investimentos em áreas como saneamento e infraestrutura. A estratégia também passa por estabilidade regulatória e planejamento de longo prazo. Entre as iniciativas estão contratos territoriais de desenvolvimento entre União, Estado e municípios, metas de convergência regional no planejamento orçamentário e mecanismos para acompanhar publicamente os impactos dos investimentos sobre renda, produtividade e infraestrutura. Um ambiente mais previsível pode reduzir incertezas e favorecer decisões de investimento de longo prazo. Para Pernambuco, acompanhar a Reforma Tributária será fundamental. A proposta inclui um Programa Estadual de Inteligência Tributária e Competitividade, um observatório para monitorar seus efeitos e uma agenda permanente de competitividade e atração de investimentos. A questão não é apenas adaptar o Estado às novas regras, mas criar condições para que a transição contribua para mais investimentos, maior competitividade e redução das desigualdades regionais.
Inclusão produtiva e programas sociais
2026/09/30
Os programas de transferência de renda são fundamentais para proteger famílias em situação de vulnerabilidade, garantir segurança alimentar e reduzir desigualdades. O desafio da décima segunda frente das Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035 é ampliar essa proteção sem perder de vista um objetivo complementar: criar condições para que mais famílias avancem em direção à autonomia econômica. Essa transição precisa ser gradual e segura. O acesso ao emprego formal, à qualificação profissional e ao empreendedorismo pode ampliar a renda familiar, mas é importante evitar que o ingresso no mercado de trabalho represente uma perda abrupta dos benefícios. Por isso, a proposta prevê mecanismos que reduzam a chamada armadilha da pobreza e deem mais segurança para quem está construindo uma nova trajetória de renda. Entre as medidas apresentadas está o Bônus de Inserção Produtiva, um incentivo financeiro temporário para beneficiários que ingressem e permaneçam no emprego formal. A estratégia também inclui o aprimoramento das regras de transição dos programas sociais e a integração do Cadastro Único às políticas de emprego, conectando beneficiários a vagas do SINE, cursos técnicos e oportunidades de empreendedorismo. A qualificação deve estar alinhada às oportunidades de cada território. O programa estadual de Transição para a Autonomia Econômica prevê acompanhamento individualizado, assistência social, formação profissional, intermediação de mão de obra, empreendedorismo, microcrédito e acompanhamento após a inserção produtiva. A prioridade seria para municípios com maior vulnerabilidade e menor dinamismo econômico, aproximando as políticas sociais das vocações produtivas do Agreste e dos Sertões. Para acompanhar os resultados, a proposta inclui um Observatório Pernambucano de Mobilidade Social e Inclusão Produtiva e Pactos Regionais envolvendo governo, municípios, instituições de ensino, Sistema S, empresas e sociedade civil. A ideia é transformar proteção social em uma ponte para mais qualificação, trabalho, renda e oportunidades, fortalecendo a autonomia das famílias e reduzindo desigualdades entre as regiões de Pernambuco.
Pernambuco tem na cultura uma força que vai muito além da identidade
2026/09/28
A cultura pernambucana é também patrimônio, turismo, criatividade, geração de renda e oportunidade. A diversidade regional do Estado movimenta cadeias econômicas inteiras e cria espaços para novos negócios e empregos. Na décima primeira frente das Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, a valorização da cultura aparece conectada à capacidade de inovar, preservar conhecimento e ampliar a participação da população na vida econômica e social. A economia criativa reúne um potencial importante nesse cenário. Audiovisual, música, design, moda, gastronomia, artesanato e jogos digitais são atividades capazes de gerar renda e incorporar tecnologia e inovação. A estratégia apresentada contempla uma política estadual para o setor, conectando cultura, turismo, inovação e desenvolvimento regional, além da criação de distritos e polos criativos que aproximem patrimônio histórico, universidades e empresas. Preservar o patrimônio também significa criar novas oportunidades. A digitalização de acervos, a revitalização de centros históricos e a integração entre equipamentos culturais e turismo podem fortalecer a circulação de visitantes e ampliar os mercados para produtores e empreendedores locais. Ao mesmo tempo, a formação profissional em áreas criativas e a transformação digital podem facilitar o acesso a plataformas de comercialização e ampliar a presença de produtos e serviços pernambucanos em outros mercados. Esse processo precisa ser acompanhado por igualdade de oportunidades. O estudo destaca a importância de ampliar o acesso à educação, ao trabalho e à tecnologia, fortalecer a autonomia econômica das mulheres, promover acessibilidade e enfrentar desigualdades raciais e territoriais. Ambientes de trabalho e instituições comprometidos com diversidade, prevenção do assédio e não discriminação também fazem parte dessa agenda. Para acompanhar essa transformação, estão previstas uma agência estadual de inteligência da economia criativa, indicadores de desenvolvimento cultural e uma carteira permanente de projetos para patrimônio e cultura. A combinação entre identidade, criatividade, inclusão e inovação pode fortalecer as cadeias culturais de Pernambuco e transformar um dos maiores ativos do Estado em oportunidades concretas para diferentes territórios e populações.
O que a insegurança custa a Pernambuco
2026/09/28
O que a insegurança custa a Pernambuco.
O potencial de Pernambuco na inovação em saúde
2026/09/25
Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, chegamos à nona frente estratégica: saúde. Além de ser essencial para a qualidade de vida, o setor se tornou uma importante infraestrutura econômica, capaz de movimentar empregos qualificados, pesquisa, inovação, investimentos e produção industrial. O envelhecimento da população e a incorporação de novas tecnologias ampliam ainda mais esse potencial. Pernambuco reúne ativos importantes para avançar nessa direção. O Estado possui um dos principais polos médicos do país, universidades, centros de pesquisa, hospitais, empresas especializadas e um ecossistema de inovação representado pelo Porto Digital. A integração entre esses setores pode fortalecer um Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) de alcance regional, ampliando a produção local e reduzindo vulnerabilidades em cadeias estratégicas. Essa integração também pode aproximar a saúde da indústria pernambucana. O polo têxtil de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, por exemplo, possui potencial para ampliar a fabricação de EPIs, vestuário hospitalar, tecidos técnicos e outros insumos. Ao mesmo tempo, a formação de profissionais em engenharia clínica, saúde digital, automação hospitalar e tecnologias biomédicas pode ampliar a autonomia tecnológica das unidades de saúde do interior. A inovação é outro eixo central dessa estratégia. O estudo prevê a atração de investimentos em biotecnologia, indústria farmacêutica, dispositivos médicos e medicina digital, além da criação de uma plataforma estadual integrando prontuários, regulação, telemedicina, inteligência artificial e monitoramento remoto. A proposta também contempla redes de cuidados continuados e reabilitação, acompanhando as transformações demográficas e o aumento das doenças crônicas. Com a articulação entre assistência, indústria, ciência, tecnologia e formação profissional, Pernambuco pode fortalecer sua capacidade de desenvolver soluções próprias e ampliar sua inserção nas cadeias de inovação em saúde. A criação de um observatório estadual do CEIS ajudaria a acompanhar investimentos, produção, pesquisa, empregos e competitividade, transformando a saúde em uma frente estratégica para o desenvolvimento regional.
Planejamento urbano: cidades que sustentam o desenvolvimento
2026/09/24
Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, chegamos à oitava frente estratégica: planejamento e desenvolvimento urbano. O crescimento das cidades, tanto na Região Metropolitana do Recife quanto nos polos do interior, coloca a política urbana no centro da estratégia de desenvolvimento, influenciando diretamente a produtividade, a atração de investimentos e a qualidade de vida. Nesse contexto, os atuais planos diretores precisam evoluir para planos estratégicos, capazes de integrar mobilidade, habitação, infraestrutura, transição climática e modernização dos licenciamentos. O uso mais eficiente de instrumentos previstos no Estatuto da Cidade, como a outorga onerosa e as operações urbanas consorciadas, também pode permitir que parte da valorização gerada pelos investimentos públicos seja reinvestida na melhoria das próprias cidades. Um crescimento urbano mais eficiente passa pelo adensamento inteligente, pela requalificação de áreas centrais e pelo desenvolvimento orientado ao transporte coletivo, reduzindo a expansão periférica desordenada. Nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, uma governança interfederativa mais estruturada é necessária para enfrentar de forma integrada desafios como mobilidade, saneamento, drenagem e segurança. A tecnologia também pode ampliar a capacidade de planejamento dos municípios. Entre as iniciativas previstas estão um programa estadual de cidades inteligentes e inteligência territorial, utilizando geoprocessamento, cadastro territorial, sensoriamento remoto, inteligência artificial e sistemas de monitoramento urbano. A modernização da gestão deve ser acompanhada pelo fortalecimento da estrutura estadual responsável pelo planejamento e pela produção de indicadores territorializados. Uma carteira permanente de projetos urbanos pode organizar investimentos em requalificação de áreas centrais, mobilidade sustentável, infraestrutura verde e azul, habitação de interesse social, revitalização de frentes d’água e distritos de inovação. Planejar melhor as cidades significa antecipar problemas, reduzir custos e criar ambientes urbanos mais preparados para receber pessoas, atividades econômicas e investimentos.
Infraestrutura digital: modernizar o Estado para destravar o desenvolvimento
2026/09/23
Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, avançamos para a sétima frente estratégica do estudo: infraestrutura digital. A transformação digital do Estado é parte importante da melhoria do ambiente de negócios, especialmente em um cenário em que o excesso de burocracia aumenta custos, dificulta a expansão das empresas e cria insegurança para quem investe e empreende. Uma das propostas centrais é tornar a relação entre Estado, cidadãos e empresas mais simples. A integração segura das bases de dados públicas permitiria reduzir a necessidade de apresentar repetidamente as mesmas informações e documentos. O estudo também propõe revisar o estoque regulatório e fortalecer a Análise de Impacto Regulatório, eliminando normas obsoletas e tornando novas regras mais proporcionais e baseadas em evidências. A digitalização deve alcançar também os serviços públicos. Entre as propostas estão a criação de um Portal Único de Relacionamento, reunindo autorizações, licenças, certidões e pagamentos, além da ampliação dos serviços digitais. O uso de inteligência artificial no setor público também pode automatizar processos, analisar dados, aumentar a produtividade e melhorar a prestação de serviços. Essa transformação precisa chegar a todas as regiões. O estudo propõe ampliar a fibra óptica, a cobertura 5G, as redes de alta velocidade e os centros regionais de processamento de dados, conectando escolas, hospitais, distritos industriais e áreas de inovação. A criação de um Observatório de Transformação Digital permitiria acompanhar indicadores de conectividade, maturidade digital, inovação, segurança cibernética e competitividade dos municípios. Por fim, a proposta é estruturar uma carteira permanente de projetos de infraestrutura digital, contemplando data centers, computação em nuvem, cidades inteligentes, inteligência artificial, cibersegurança, conectividade rural e digitalização dos serviços públicos. Mais do que incorporar tecnologia, modernizar o Estado significa reduzir custos, ampliar a eficiência e criar um ambiente mais previsível para cidadãos, empresas e investimentos.
Infraestrutura energética: energia para a nova economia
2026/09/22
Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, chegamos à sexta frente estratégica do estudo: infraestrutura energética. O desenvolvimento econômico está cada vez mais ligado à combinação entre energia, tecnologia e infraestrutura digital — e Pernambuco reúne condições para transformar seu potencial em energias renováveis em uma vantagem competitiva para a economia de baixo carbono. A expansão das fontes solar e eólica, especialmente no interior nordestino, pode ir além da geração de energia. O estudo propõe utilizar essa disponibilidade como base para atrair empreendimentos de maior valor agregado, como data centers, computação em nuvem, inteligência artificial e computação de alto desempenho, capazes de gerar empregos qualificados e estimular novas cadeias de engenharia, telecomunicações, manutenção e inovação. Para aproveitar esse potencial, é necessário avançar também na infraestrutura que conecta energia e tecnologia. A ampliação das redes de transmissão e fibra óptica, associada ao ecossistema do Porto Digital, pode fortalecer a capacidade de Pernambuco de receber novos polos tecnológicos e aproximar o Estado dos mercados digitais globais. A estratégia proposta inclui ainda a modernização do sistema energético, com redes inteligentes, armazenamento de energia, geração distribuída e integração entre fontes renováveis, infraestrutura digital e polos industriais. Também estão previstas iniciativas para estimular data centers sustentáveis, centros de inteligência artificial e computação de alto desempenho, além da formação de profissionais locais e da conexão com universidades e ecossistemas de inovação. O estudo propõe, por fim, criar um Observatório Pernambucano da Transição Energética e da Economia de Baixo Carbono e uma carteira permanente de projetos estruturantes, incluindo hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis, parques solares e eólicos, eletromobilidade e infraestrutura para data centers. A integração entre energia limpa, tecnologia, inovação e capital humano pode ampliar a competitividade de Pernambuco e criar novas oportunidades de desenvolvimento em diferentes regiões do Estado.
Infraestrutura hídrica: segurança da água para o desenvolvimento de Pernambuco
2026/09/21
Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, chegamos à quinta frente estratégica do estudo: infraestrutura hídrica. Em um Estado marcado pela escassez e pela distribuição desigual da água, garantir abastecimento regular é essencial para ampliar a produção, atrair investimentos e melhorar a qualidade de vida, especialmente no Agreste e no Sertão. Também é fundamental para fortalecer as atividades econômicas no interior e reduzir desigualdades regionais. Pernambuco já conta com importantes investimentos, como os eixos da Transposição do Rio São Francisco, adutoras e barragens. O desafio agora é integrar essas iniciativas em uma estratégia permanente de segurança hídrica, combinando infraestrutura, gestão, inovação, preservação ambiental e planejamento territorial. Entre as propostas estão a integração entre bacias, modernização das redes, redução de perdas, fortalecimento da irrigação e uso sustentável de águas subterrâneas, reuso e dessalinização. O estudo também destaca a recuperação de nascentes, matas ciliares e áreas de recarga como parte da própria estratégia de desenvolvimento. Outro ponto é tornar a gestão da água mais eficiente e baseada em dados, com um Sistema de Inteligência Hídrica, sensores, telemetria, medição inteligente, monitoramento em tempo real e um Observatório Estadual das Águas. Garantir água de forma regular e sustentável é criar uma base mais segura para produzir, investir, gerar empregos e desenvolver todas as regiões de Pernambuco. Até 2035, o desafio é transformar a segurança hídrica em uma estratégia permanente de desenvolvimento.

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