
Advertise on podcast: Leitura de Ouvido
This podcast has
349 episodes
Language
Portuguese (Brazil)Publisher
LP Lucas e Daiana PasquimExplicit
No
Date created
2020/03/09
Latest episode
2026/10/16
Average duration
49 min.
Release period
7 days
Description
Leitura de Ouvido vai além do audiolivro, é o podcast que transforma linhas em ondas sonoras, criado por Daiana Pasquim e Lucas Piaceski. Contos e poesias, nacionais e internacionais, em domínio público. Gravação do texto interpretado em áudio drama e com sonorização cinematográfica. Crítica literária descontraída sobre o texto, escola literária e autor, ao final do episódio. Todas as sextas-feiras, um novo episódio. Boa leitura! Apoie pela chave PIX: [email protected] ou pelo financiamento coletivo: https://apoia.se/leituradeouvido
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Graciliano Ramos - Vidas Secas (parte 3)
2026/10/16
Depois de perder as estribeiras, Fabiano percebe que está sendo enganado e que está envelhecendo. Na produção de hoje nós começamos reeditando o miolo mais dramático e emocionante de Vidas Secas, que é a morte da cachorra baleia, vamos entender como Graciliano desenhou a alma do animal de estimação da família. Vamos ler a carta que Graciliano fez à esposa em 1937, contando de sua criatura. Hoje temos os capítulos 9, 10 e 11: “Baleia”, “contas" e “O soldado amarelo”. Nestes dois que se seguem da tragédia com Baleia, em “Contas" temos um Fabiano memorialista, ele recorda-se desde momentos da juventude com danças e diversão em bares, do dia em que se enamorou de Sinha Vitória, de opressão já sofrida pelo governo quanto à venda do porco. E outra vertente do Fabiano, em “O soldado amarelo” é narrativa que parece a sequência do acontecimento, mas quando na verdade é pensamento. Este trecho vem ao estilo de monólogo interior que revela o sentimento real e profundo do personagem Fabiano. Enaltece-se também a descrição física do homem que se sente bicho, sendo ruivo dos olhos azuis. Boa leitura!
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Direção e narração:@daianapasquim
Direção, edição, trilha de abertura e arte de capa:@lplucas
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Graciliano Ramos - Vidas Secas (parte 2)
2026/10/09
Vidas Secas (1938) de Graciliano Ramos é o livro deste mês do Clube Leitura de Ouvido, no encontro do dia 22. A chuva e o inverno chegaram, com suas trovoadas e alagamentos. Hoje produzimos os capítulos 4 a 8, sendo: “Menino mais Novo”, “O menino mais velho”, "Inverno”, “Festa”. Damos continuidade ao episódio 340 da semana passada, com o princípio da narrativa em: “Mudança”, “Fabiano”, “Cadeia" e “Sinha Vitoria”. Na semana que vem, vamos apresentar a Parte 3/4, em 16 de outubro: “Baleia” (reedição), “Contas e “O soldado amarelo”; e no dia após o encontro do Clube Leitura de Ouvido, a Parte 4/4, em 23 de outubro: “O mundo coberto de penas” e “Fuga".
Após cada produção sobre o livro, vamos trazer Notas de Rodapé com análises profundas sobre o livro. Na primeira semana, tivemos a conversa exclusiva com o prof. dr. Marcos Hidemi de Lima, profundo conhecedor da poética graciliana. Hoje que a chuva chegou no sertão, vamos nos concentrar nos personagens e nos alívios cômicos breves e únicos, que existem no livro. Além disso, explicamos e exemplificamos o conceito teórico de Polípticos, trazido pelo prof. Marcos na conversa. Você vai aprender muito e se emocionar! Boa leitura!
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Graciliano Ramos - Vidas Secas (parte 1)
2026/10/02
Vidas Secas (1938) de Graciliano Ramos é o livro deste mês do Clube Leitura de Ouvido, no encontro do dia 22. Por isso, estamos a produzir o romance completo, o mais conhecido do escritor alagoano. Vamos trabalhar os 13 capítulos da seguinte forma:
Parte 1, em 2 de outubro: “Mudança”, “Fabiano”, “Cadeia" e “Sinha Vitoria”.
Parte 2, em 9 de outubro: “Menino mais Novo”, “O menino mais velho”, "Inverno”, “Festa”.
Parte 3, em 16 de outubro: “Baleia” (reedição), “Contas e “O soldado amarelo”
Parte 4, em 23 de outubro: “O mundo coberto de penas” e “Fuga".
Após cada produção sobre o livro, vamos trazer Notas de Rodapé com análises profundas sobre o livro. Nesta primeira semana, confira a entrevista exclusiva com o prof. dr. Marcos Hidemi de Lima, profundo conhecedor da poética graciliana. Boa leitura!
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André Giusti - Só Vale a Pena Se Houver Encanto
2026/09/30
“Só vale a pena se houver encanto” é o 11º livro e primeiro romance do escritor carioca André Giusti. Publicada pela editora Caos e Letras (368 págs.), a obra acompanha a trajetória de Alessandro Romani, jornalista e escritor carioca radicado em Brasília, cuja vida atravessa uma sequência de perdas — desemprego, separação e morte — em meio aos bastidores da cobertura de acontecimentos recentes da política brasileira, como as manifestações de 2013 e a ascensão e queda da primeira presidenta do país. Escrito ao longo de onze anos, o livro é conduzido por uma prosa coloquial, atravessada por imagens poéticas pontuais, e mergulha na crise existencial de seu protagonista. Em colapso pessoal e profissional, Alessandro se recusa a aceitar a vida como uma mera sucessão de obrigações e boletos a pagar. Acaba encontrando na terapia um espaço de enfrentamento de si mesmo.
Nascido no Rio de Janeiro, onde viveu até os trinta anos, André Giusti reside em Brasília desde então. Sua trajetória no jornalismo inclui passagens pelo Sistema Globo de Rádio (Rádio CBN), Grupo Bandeirantes de Comunicação, Fundação Roquete Pinto (TVE-RJ), Rádio e TV Justiça, entre outros. Atualmente, é assessor de imprensa do Senado Federal e repórter freelancer do #Colabora. Na literatura, foi finalista do Prêmio Jabuti em 1997 com “Voando Pela Noite, Até de Manhã” (7Letras, 1996) e semifinalista do Oceanos 2024 com “As Filhas Moravam Com Ele” (Caos e Letras, 2023). Boa leitura!
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Mário de Andrade - O Besouro e a Rosa (conto)
2026/09/25
“O besouro e a Rosa” (1923) é um conto urbano de Mario de Andrade que está no livro Os Contos de Belazarte, publicado em 1934, reunindo as sete histórias anteriormente veiculadas entre 1923 e 1924 na coluna "Crônicas de Malazarte", na revista América Brasileira. Todas elas têm por característica iniciar com a frase: “Belazarte contou…” ou trazem relatos transmitidos por Belazarte ao narrador principal. O nome remete de forma irônica à figura folclórica de Pedro Malasartes. Rosa é órfã e desde os sete anos vive com as tias solteiras Dona Ana e Dona Carlotinha, provendo-lhes tudo da casa. Ela chegou aos 18 anos sem se dar conta disso, “a mocidade se deu só no corpo”. Quem logo nota é o padeiro João que, aconselhado pelo pai, vai pedir Rosinha em casamento para as tias. Com chapéu na mão e toda formalidade de convenções sociais, “João era quase uma Rosa também, mas com pai e mãe e isso ensina a gente”. Mário de Andrade desfila termos populares na história: de mocetona a mocetão, vai explorar de uma forma irônica e engraçada a puberdade e as convenções sociais, um retrato urbano da sociedade do começo do século XX. Boa leitura!
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Aureliano Lessa - Poesias Póstumas
2026/09/18
“Poesias Phóstumas do Dr. Aureliano Lessa” é o livro editado por seu irmão Francisco José Pedro Lessa, em 1873. O autor havia morrido há uma dúzia de anos, em 1861. Para estrear Aureliano Lessa (1828-1861) no Leitura de Ouvido, fomos em busca da edição original do século XIX, publicada pela Tyopgraphia da Luz, no Rio de Janeiro, disponível hoje na sessão de Literatura Brasileira da UFSC. Selecionamos cinco poesias deste livro: “O poeta”, “Eu”, “À Diamantina”, "Saudade” e “Consolação da morte”. O irmão Lessa convidou para criar o prólogo Bernardo Guimarães, o grande amigo, na ocasião único ainda vivo, do trio de escritores epicuristas brasileiros - junto com Álvarez de Azevedo, que criou, entre outros, o também póstumo e clássico brasileiro, Noite na Taverna (1855). Bernardo Guimarães diz que "havia nele um desapegar da existência, uma tão completa indiferença pelo seu destino presente e futuro, que é difícil de explicar" (1873, p.12)
Aureliano enaltece nos versos a perda das pessoas que amou, nas várias faces da saudade, bem como espera o próprio fim “sinto-me que vão quebrando em meu peito as molas da existência". Canta o amor à sua terra natal mineira, Diamantina e cria uma espécie de profissão de fé, em “O poeta”. Nestes versos ele dedilha a natureza bonita da escrita, que em tantas ocasiões, inclusive, buscava contrapor para melodias, com um violão à tiracolo, fazendo música. Boa leitura!
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Fernando Pessoa - Sinfonia de Uma Noite Inquieta (Bernardo Soares)
2026/09/11
"Sinfonia de uma noite inquieta"_In Livro do Desassossego: Autobiografia sem factos, atribuída ao heterônimo Bernardo Soares, de Fernando Pessoa (1888-1935) é uma prosa poética que traz uma atmosfera noir, mas sem crime direto, embora com muitos “assassinos" do bem-estar. Tantos, que evoca a ideia de “sinfonia" para a reflexão. Sinfonia é uma composição musical para ser tocada por uma orquestra inteira. A origem da palavra remete a “todos os sons juntos”. É vaporosa a atmosfera das palavras escolhidas para as impressões urbanas e a crise existencial na cidade de Lisboa, onde “A noite era o túmulo de Deus”. Ou seja, de tudo, do mundo.
O eu-lírico questiona: “Como é que me sobrevivo?" E faz afirmações categóricas: “Somos todos escravos de circunstâncias externas”, “[as almas] que me põem na garganta do espírito o nó salivar do desgosto físico”.
Sabe-se, pelo suporte, que este trecho data da última fase do Livro do Desassossego. Há, em os Grandes Trechos, uma "Sinfonia da noite inquieta”, da primeira fase, na página 436 de nossa edição, que trazemos nas Notas de Rodapé, para compararmos as manifestações. Boa leitura!
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Machado de Assis - Na Arca (conto)
2026/09/04
Em ‘Na arca” (1878) Machado de Assis (1839-1908) cria uma paródia em formato bíblico, com versículos que foram lidos em todo o episódio, para retratar uma discussão entre os filhos de Noé sobre a posse das terras após o dilúvio. Machado nos prova que a nova criação prometida em Gênesis ia se corromper igualmente, com violência e brigas, como antes da chegada do caos. O conto "Na arca", de Machado de Assis, foi publicado originalmente em 1878 (no jornal O Cruzeiro, em 14 de maio), sob o pseudônimo Eleazar. E republicado posteriormente no livro de contos Papéis Avulsos em 1882.
A Bíblia apresenta que Noé era um homem justo, íntegro entre seus contemporâneos e andava com Deus. “Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé. A terra se corrompera diante de Deus e estava cheia de violência”. (…) “Eu vou mandar o dilúvio sobre a terra, para exterminar todo ser vivo que respira debaixo do céu: tudo o que há na terra vai perecer. ‘Mas com você eu vou estabelecer a minha aliança, e você entrará na arca com sua mulher, seus filhos e as mulheres de seus filhos’”.(Gênesis, 6.9-18) Na versão machadiana, a arca está sempre à beira do abismo, o que demonstra uma visão cética sobre o comportamento do ser humano do século XIX. Noé de Machado também é justo e apazigua os filhos, o que confirma, por outro lado, que dentro de todo ser humano há o bem e o mal. A dualidade faz parte de todos e é preciso discernimento para equilibrá-la. Boa leitura!
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O. Henry - O Destino Decide Pelos Tímidos (conto)
2026/08/28
“O destino decide pelos tímidos” é de O.Henry (1862-1910), o famoso contista americano nascido sob o nome de William Sydney Porter. Esta história começa despretensiosamente, com uma conversa em banco de praça, quando Phil, que é jornalista, dando a desculpa de que queria assunto para escrever uma crônica, puxa conversa com um morador de rua. O que acontece é que acaba revelando sua paixão platônica pela jovem Mildred Telfair, mas admite que a sua timidez não permite se declarar a ela. O morador de rua, diante da falta de coragem dele de revelar seu amor para a moça, vira a mesa e narra fatos de seu passado. Exemplificando com suas experiências de vida como ex-boxeador, o homem conclui que ambos, ele e o jornalista, não sabem lidar com profissionais. O vagabundo filósofo conclui que a moça era uma “beldade profissional”, pois preocupa-se excessivamente com a sua aparência e intimida a aproximação. Diante do aprendizado, o homem apaixonado volta para casa decidido a tomar uma atitude. Percebe que não se declarava com medo de ficar desenganado. E assim telefona para a casa de Mildred Telfair. Quando é correspondido no telefona vai ouvir da voz angelical afirmações que são bálsamos divinos. Boa leitura!
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H. P. Lovecraft - O Modelo de Pickman (conto)
2026/08/21
“O modelo de Pickman”(1927) é conto de H.P. Lovecraft (1890-1937) muito pedido no Leitura de Ouvido. Na história, Lovecraft explora o hábito de os artistas buscarem referências para ter suas inspirações. Em Boston, o pintor Richard Upton Pickman saia à noite, a túneis inóspitos, cemitérios e mansões antigas do século XVII com porões assustadores, poços, metrôs, etc com uma máquina fotográfica em mãos, para obter “modelos “, inclusive inumanos, para criar suas telas. Suas pinceladas captam almas de espíritos noturnos de horrores ancestrais que impressionam Thurber, o narrador destas excentricidades. Boa leitura!
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Francisca Júlia - Números do Intermezzo (poesia)
2026/08/14
Esphinges (1903), de Francisca Julia, "Números do Intermezzo, de Heinrich Heine", é a segunda e última parte do livro desta poeta parnasianista e simbolista brasileira. Nas duas produções que fizemos deste livro, no Leitura de Ouvido, trabalhamos com a edição original, disponível na Biblioteca Brasiliana Mindlin, da USP, lendo em português arcaico. Hoje, estão interpretados os poemas: I, II, III e IV de Heinrich Heine (1797-1856), que ela traduziu do alemão; seguido de “O mergulhador”, “Aguarella”, “Mãe”, “De Chrysostomo Medjd (poeta turco contemporâneo), “Amor descoberto” (do Conde de Marcellus, poeta grego), “A florista”, “Inconsoláveis”, “Pérfida”, “De joelhos”, “De volta da guerra”, “D. Alda (Lied moderno”, “A primavera”, “A uma criança (imitação de Hugo)’, “Mudez”, “Pranto de luar”, “Noite de inverno”, “Ballada”, “Vida”, “Inverno”, “As duas irmãs”, “Calme de la Mer (Lied de Goethe)”, “Lied Cicilien (de Goethe)”, “Alma e Destino” e “O ribeirinho”, que ela dedica a Olavo Bilac.
Nesta segunda parte do livro, Francisca Julia também fez traduções de Goethe, bem como para o francês Victor Hugo. Já sobre o poeta turco contemporâneo, pesquisadores apontam que não existem registros concretos ou fontes na literatura da Turquia sobre um poeta real com o nome de Chrysostomo Medjid, o que sugere que pode ter sido um pseudônimo, uma atribuição romântica da época ou uma recriação literária da própria tradutora. O mesmo possivelmente deva ocorrer com o Conde de Marcellus, poeta grego. Há ainda diversos poemas da própria autora, que deslumbram nossos sentidos. Boa leitura!
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Elizabeth Barret Browning - Sonetos Portugueses (poesia)
2026/08/07
“Sonetos Portugueses” da poetisa inglesa Elizabeth Barrett Browning (1806-1861) saíram em 1850 na Itália, como Sonnets from the Portuguese. Estes sonetos foram escritos por ela para o poeta e dramaturgo Robert Browning durante o namoro, e ele a encorajou a também publicá-los, após o casamento e mudança para a Itália. A história de amor entre eles desvelou-se em linhas, sensações e composições poéticas. E culminou em profunda conexão entre dois titãs da literatura vitoriana. São ao todo, magníficos 44 sonetos de amor, os quais trazemos 12 neste episódio, dois deles na tradução do poeta e crítico brasileiro Manuel Bandeira (1886-1968).
Neste momento, a composição de sonetos estava no auge da moda. “Os Sonetos Portugueses” são a mais notável sequência produzida por ela e se tornaram seus mais conhecidos, por isso, é assim que Elizabeth estreia no Leitura de Ouvido. A escolha do nome da obra é um disfarce do namoro. Para esconder o caráter extremamente íntimo e pessoal dos sonetos, ela fingiu que os versos eram uma tradução de poesia portuguesa, inspirando-se no apelido carinhoso que seu marido (Robert Browning) lhe dava — "Meu pequeno português" — e na admiração dela por Luís de Camões. Boa leitura!
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Edgar Allan Poe - O Retrato Oval (conto)
2026/07/31
“O retrato oval” é conto de Edgar Allan Poe (1809-1849), no qual o narrador inominado está machucado e, com seu criado Pedro, invade um castelo para passar a noite. Eles vão acomodar-se no torreão do castelo, que apesar de ricamente decorado, denota estar abandonado. Uma característica do ambiente é a presença de muitos quadros e a curiosa existência de um livrinho, com a descrição de todas as pinturas. O sobrenatural do conto acontece após a meia-noite quando, deitado na cama com franjadas cortinas de veludo preto, ele move o enorme candelabro à cabeceira do leito e enxerga, pela primeira vez, a pintura de uma jovem no alvorecer da feminilidade. O retrato oval que hipnotiza o protagonista tem uma incrível vivacidade e, num momento sobrenatural da narrativa, parece ser uma pessoa viva, aprisionada à moldura. Tudo no ambiente tem uma descrição exageradamente gótica. Boa leitura!
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Mary Shelley - A Garota Invisível (conto)
2026/07/24
“A Garota Invisível” (1833) é uma história misteriosa da romancista gótica Mary Shelley (1797-1851), criadora do Frankenstein. O conto é composto de seis capítulos: 1. Descobrindo a torre. 2. Uma viagem no mar. 3.A torre da garota invisível. 4. Os motivos de Vermon. 5.O sapatinho. 6. Uma surpresa inesperada. Hoje nós relançamos este que foi o episódio 9 da 1ª temporada, devidamente acompanhado das Notas de Rodapé e da biografia da autora inglesa.
O tempo em que se passa a história é o início do século XVIII, o espaço, entre os país de Gales e a Irlanda. É ali que se encontra a torre em ruínas, que tem sobre a lareira o retrato da garota lendo um romance folclórico, com um mandolim e um papagaio. Abaixo da foto estava escrito em letras douradas: ‘a garota invisível’. Esta pintura sobre a lareira se mostra repleta de tragédias, terrores e horrores perdidos. Publicado originalmente em 1833 no periódico anual britânico The Keepsake, o enunciador avisa que perpassará uma breve narrativa, mas a construção se faz de vários saltos para o passado. Ao mesmo tempo, narra-se os conflitos familiares do seio de onde veio o cavalheiro Henry Vermon e uma série de pistas são deixadas para o leitor compreender que o cavalheiro e a garota invisível podem estar com seus destinos cruzados. Nunca é revelado quem fez a pintura. O conto é uma tradução inédita no Brasil, feita por Márcio Carvalho de forma independente. Boa leitura!
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Castro Alves - Os Anjos da Meia Noite (poesia)
2026/07/17
“Os anjos da Meia-noite”(1870) é poema de Castro Alves (1847-1871) no livro Espumas Flutuantes de sua veia lírico-amorosa. Quando o assunto é produção literária castroniana somos logo tentados a pensar em sua feição social-humanitária. “Os anjos da Meia-Noite”, contudo, vem nos mostrar o quanto o jovem amou. Ele cita várias mulheres no poema, que é composto por uma espécie de prólogo “Fotografia" e depois tem mais oito partes, em cada qual, citando as suas diferentes amadas, sempre como “sombras”. Teriam todas elas morrido ou apareceriam-lhe apenas como lembranças de um longínquo passado, na ideia de sombras? O fato é que as memórias se despertam na insônia, em uma noite atormentada de passagens lúgubres e fúnebres. “Os anjos alvos passam em longa procissão (…) vão desfilando assim”: 1ª sombra: Marieta; 2ª sombra: Bárbora; 3ª sombra: Ester; 4ª sombra: Fabíola; 5ª e 6ª sombras: Cândida e Laura; 7ª sombra: Dulce; 8ª sombra: último fantasma, que lhe aparece e começa com interrogações: “Quem és tu?” Após desenvolver as emoções, ele afirma ser o ideal que a alma espera, talvez a morte.
"Os Anjos da Meia-Noite" (1870) é famoso poema de Castro Alves marcado pelo tom confessional e alucinatório. O texto retrata uma noite de insônia em que o eu-lírico alucina e vê "anjos" desfilarem como fantasmas de antigos amores. Ele mescla sensualidade, melancolia e a iminência da morte, buscando reviver essas paixões do passado. O texto é assinado em Santa Isabel, agosto de 1870. Boa leitura!
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