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This podcast has
56 episodes
Language
Portuguese (Brazil)Publisher
Anderson SoaresExplicit
No
Date created
2021/01/11
Latest episode
2026/07/03
Average duration
38 min.
Release period
101 days
Description
Produzido por Anderson Soares (historiador e psicanalista) que objetiva manejar conexões de saberes pouco exploradas, que nos levam a desnaturalizar e desconstruir permanências discursivas em torno do sujeito singular e suas implicações históricas, culturais e subjetivas. Os saberes históricos e psicanalíticos dão suporte às nossas reflexões sobre este sujeito singular, atravessado por uma cultura, historicidade e processo intersubjetivo. Cada episódio se resume a reflexões sobre os condicionantes históricos e sintomas do mal-estar da sociedade contemporânea e sua complexidade. Também YOUTUBE
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54 - Imprensa e ditadura (ENTREVISTA: Beatriz Kushnir - historiadora-RJ)
2026/07/03
A historiadora Beatriz Kushnir (UFF) nos trouxe reflexões de sua obra Cães de guarda (jornalistas e censores: do AI-5 à Constituição de 1988), sustentando importante questionamento: como os regimes opressivos mantém controle sobre a população?
Com base em entrevistas e fértil documentação, a autora elabora a atuação dos mecanismos autoritários na imprensa brasileira entre os anos de 1968 (AI-5) até 1988 (Constituição Cidadã). Importante "colaboração" de setores da imprensa foi fundamental para que o regime autoritário transmitisse imagem de normalidade e omitisse as variadas formas de arbitrariedade comuns de regimes tirânicos.
Obra segue como importante fonte de pesquisa e compreensão das ferramentas de dominação de regimes ditatoriais, que utilizavam a imprensa censurada para transmitir atmosfera de falsa normalidade.
53 - Somaterapia (ENTREVISTA: João da Mata - Somaterapeuta/Psicólogo-RJ)
2026/06/26
João da Mata (psicólogo e somaterapeuta) nos traz importantes reflexões sobre a criação e arcabouço teórico da Soma. Que é um dispositivo terapêutico que tem o Anarquismo com eixo ético-político, reconhecendo o corpo como primeiro território de luta e manifestação política no jogo relacional cotidiano.
Da Mata também trouxe a atualidade do pensamento revolucionário de Wilhelm Reich (famoso discipulo dissidente de Sigmund Freud) em meio às variadas formas de dominação e dinâmicas de poder geradoras de severos adoecimentos psíquicos. Ainda mencionou o recente lançamento Reich e os saberes insurgentes (2024, Editora Summus), em que
foi organizador.
52- Versos íntimos (POEMA: Augusto dos Anjos - 1912)
2026/04/04
Poema: Versos íntimos (1912)
Autor: Augusto dos Anjos
Voz: Anderson Soares
Música ambiente: O passeio da boa vista (Legião Urbana: o descobrimento do Brasil - EMI - 1994)
ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995, p. 78 (lançado originalmente 1912)
51 - Couraça muscular do caráter (LIVRO: Angelo Gaiarsa-1984)
2025/12/31
Gaiarsa foi um dos mais importantes percursores das ideias de Wilhelm Reich no Brasil. Em obras emblemáticas problematizou a constituição da couraça muscular do caráter, a partir de reflexões sociopolíticas que reconheciam o corpo como território subjetivado, político e detentor de capitais simbólicos na alteridade radical. Com escrita provocativa descortinou os efeitos adoecedores da teatralidade social responsável pelo sofrimento e submissão dos sujeitos. O resultado é manutenção de "armadura' corporal que visa produção de sujeitos obedientes e produtivos.
50 - Exílio EM Caetano Veloso (ENTREVISTA: historiadora Márcia Fráguas- RJ)
2025/02/04
a historiadora Márcia Fráguas construir importante pesquisa sobre todo o contexto em torno do exílio de Caetano Veloso. Abordando os processos subjetivos, os efeitos dos traumatismos que fomentaram a produção de canções profundas e inquietantes, que acabam por sustentar o que a autora conceituou como uma poética do exílio.
Os três emblemáticos discos são esmiuçados em suas particularidades e processo de produção, que era alimentado pela nostalgia, dor da saudade e sentimento de inadequação com a realidade londrina, etc.
Obra recomendada para aqueles que desejam entender a relação entre autor, obra e contexto de produção.
49 - 'Mal-estar da civilização' na contemporaneidade (ENTREVISTA: pesquisadora Nina Saroldi - RJ)
2024/04/04
Nina Saroldi fala sobre seu livro, com reflexão contextualizada sobre ‘O mal-estar na civilização’ (obra de Sigmund Freud lançada originalmente em 1929) com base num inquietante subtítulo: As obrigações do desejo na era da globalização. A autora com base em pilares freudianos, corrobora que, a civilização resulta da renúncia à satisfação direta das pulsões e que esta mesma renúncia à satisfação pulsional, pressuposta por Freud como estrutural à constituição do processo civilizatório, é o que nos retira do estado de NATUREZA e nos faz ingressar no estado de CULTURA.
Mas a sua obra propõe refletir sobre este tema numa fértil contextualização com o tempo contemporâneo, o que inclui a relação sujeito, cultura e seus sintomas. A
partir disso, como podemos pensar a relação entre desejo e processo civilizatório, numa atmosfera em que o princípio da realidade “está em baixa” e tendo que se justificar para o imperioso princípio de prazer. Nina Saroldi nos lembra que, No contexto cultural do começo do século XX, a liberdade era sacrificada em nome da segurança e em dias atuais, acontece exatamente o contrário.
Podemos pensar (de forma contextualizada) a permanente inquietação desta citada relação com base na atual infantilização da sociedade e no empobrecimento dos recursos simbólicos dos sujeitos diante da incapacidade de metabolizar derrotas e com cada vez menores condições de negociação de seus ímpetos pulsionais diante das implicações civilizatórias. São questões cada vez mais evidentes em dias atuais, em que facilmente podemos perceber uma violenta falência do sentimento de coletividade nas práticas e discursos das sociabilidades contemporâneas.
A autora resume que: “Nos tempos de Freud, havia uma configuração psíquica calcada na renúncia e na submissão aos ditames de um pai ainda severo. Hoje o
pai severo se tornou, muitas vezes, um adolescente crescido, e a função paterna, como diria Jacques Lacan, parece ter ficado vaga na sociedade” (p.162).
48 - Nelson Rodrigues e a Psicanálise (ENTREVISTA: psicanalista/escritora Fernanda Hamann - RJ)
2024/03/13
A psicanalista e escritora Fernanda Hamann trouxe pilares centrais de sua publicação: a compreensão da obra de Nelson Rodrigues a partir de conceitos psicanalíticos. Já que a obra deste polêmico autor traz à tona uma estética do excesso e o permanente drama dos sujeitos no lidar com o permanente conflito entre o imperativo moral e o imperativo do gozo pulsional. Pulsão compreendida aqui como força motriz que pulsa ininterruptamente na exigência de satisfação que acossa o sujeito.
A pesquisa de Fernanda Hamann utiliza a obra de Nelson Rodrigues para também trazer à tona a importante confluência entre psicanálise e literatura, que são práticas calcadas na palavra, lidam com a enunciação, com as formações do inconsciente e tratam o real pela via simbólica, reconhecendo a presença do indizível na experiência humana.
47 - Psicopolítica (LIVRO: filósofo Byung-Chul Han - 2018)
2023/11/16
Neste episódio: reflexões sobre as novas técnicas de poder do neoliberalismo, apontadas por este autor como resultantes das mutações do capitalismo. Através de um panoptico digital e com moderadores invisíveis, investe nas emoções e em fragilidades do psiquismo dos sujeitos para obter produtividade e submissão. Neste contexto, com ausência de proibições e comunicação intensa nas redes, o sujeito contemporâneo (despsicologizado) se torna vítima e carrasco de si mesmo num permanente processo de auto-exploração e auto-exposição.
46 - Microfísica do poder (LIVRO: Michel Foucault - 1978)
2023/11/11
Neste episódio apresentamos reflexões sobre conceitos centrais desta obra de Michel Foucault, que aponta o poder como um feixe de relações e não como algo unitário e centralizado, como o Estado. As táticas de dominação vão se aperfeiçoando através de técnicas disciplinares (poder deixando de ser soberano para se tornar disciplinar) que visam obter docilidade e produtividade dos corpos, sem precisar suplicia-los através de explícitas violências. O poder é algo que circula, que produz saberes e que ninguém escapa dele.
45 -Cinema e ditadura militar (ENTREVISTA: historiador Wallace Andrioli Guedes - RJ)
2023/05/21
Neste episódio: Wallace A. Guedes (historiador e crítico de cinema) nos traz importante pesquisa sobre a relação da produção cinematográfica com os regimes autoritários. E em específico o contexto histórico/político que envolveu a produção do importante filme 'Pra frente, Brasil' (1982), produzido por Roberto Farias. Wallace pesquisou documentação produzida pelos órgãos de censura ditadura e revelou como foi complexa a atmosfera política que sustentava a relação entre os produtores de filmes do Brasil durante os anos de vigência do regime ditatorial. Sua pesquisa (doutorado pela UFF), foi transformada em livro e publicada pela editora Appris em 2020, é uma importante contribuição historiadores que utilizam filmes como objeto de pesquisa para variados contextos históricos.
Música ambiente: Os saltimbancos (Philips - 1977)
Foto: divulgação (internet)
44 - História do punk no Brasil e RN (ENTREVISTA: Renato Maia - cientista social - RN)
2023/03/19
Renato Maia (cientista social e integrante da banda Discarga Violenta) nos apresenta um rico histórico do Punk no Brasil e RN. Passando pela implicação política com princípios anarquistas até a produção de zines e demais trincheiras contra as variadas formas de autoritarismo. A cena do RN é destacada e esmiuçada desde fins dos anos 80, com o desenvolvimento de práticas auto-gestionárias e forte atuação na cena underground dos anos 90. Renato lembra que o hardcore sempre uma forma particular de se transmitir inquietação/transgressão diante da acomodação e do caos reinante nas sociedades.
43- Wilhelm Reich e as terapias corporais (ENTREVISTA: Dante Moretti - (Terapeuta corporal - SP)
2023/03/15
Dante Moretti (Psicólogo e terapeuta corporal) fala sobre história de Wilhelm Reich, sua dissidência com a Psicanálise, seus conceitos e trajetória. Também aborda o surgimento da Bioenergética (Alexander Lowen) e de outras variantes reichianas, como Biossíntese e Biossistêmica. O contexto da chegada das ideias de Wilhelm Reich no Brasil (via Roberto Freire e Ângelo Gaiarsa) também é abordado por nosso entrevistado.
42 - História da Psicanálise no Brasil (ENTREVISTA: psicanalista Rafael Alves Lima - SP)
2022/12/06
Psicanalista Rafael Lima nos traz reflexões sobre as particularidades históricas da chegada da Psicanálise no Brasil e todos os desdobramentos(políticos, culturais e clínicos) inquietantes ao longo das décadas. Passando pela tensa e particular travessia dos anos de ditadura militar até chegarmos ao tempo de aberturas para uma psicanálise plural/ polifônica, que dialoga com as demandas e inquietações do sujeito contemporâneo e das atuais modalidades de adoecimento psíquico, desamparo e mal-estar.
41 - Repressão aos bailes Soul durante a ditadura (ENTREVISTA: historiador Lucas Pedretti - PUC/RJ)
2022/09/28
O historiador Lucas Pedretti aborda tema de sua dissertação de mestrado(PUC-RJ), que foi publicada pelo Arquivo Nacional: a repressão aos bailes Soul durante a ditadura militar. Ao analisar documentos dos órgãos de repressão, percebe-se a narrativa racista dos militares e fantasia de que jovens negros das periferias cariocas podiam ser financiados pelos movimentos 'Black Power' ou 'Panteras Negras' oriundos dos EUA. A representação da afirmação negra era vista pelos militares como "difamação" e racismo, já que a narrativa dos mesmos era sustentada pelo mito da democracia racial, ou seja, que no Brasil não existia racismo.
40 - Legado poético de Renato Russo (ENTREVISTA: pesquisadora Julliany Mucury- DF)
2022/09/01
Pesquisadora Julliany Mucury fala sobre seu recente livro 'Renato, o Russo' (oriundo de tese de doutorado pela UNB), em que problematiza e contextualiza o legado poético de Renato Russo registrado nos emblemáticos discos da banda Legião Urbana. Seu livro nos faz compreender o lugar de Renato Russo como artista que conseguiu traduzir as inquietações e angústias de uma geração marcada por impactantes mudanças no campo político e cultural.
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