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This podcast has
299 episodes
Language
Portuguese (Brazil)Publisher
Luiz PatroniExplicit
No
Date created
2021/05/06
Latest episode
2026/10/22
Average duration
53 min.
Release period
8 days
Description
Um espaço onde a agro informação é debatida com quem entende! Neste podcast o jornalista Luiz Patroni conversa com produtores rurais e especialistas sobre temas de destaque no agronegócio. Tendências de mercado, gestão, tecnologia, empreendedorismo, logística, pesquisas que movimentam o campo. A cada semana um episódio novo com análises, histórias e exemplos de como superar desafios e enxergar oportunidades. Aqui o bate-papo vai além da notícia.
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#285 - Da academia para o campo
2026/10/22
Antes de uma tecnologia chegar à lavoura, alguém precisou fazer uma pergunta. Investigar um problema. Testar possibilidades. E reunir evidências de que aquele caminho fazia sentido.
Uma parte importante dessa história começa nas universidades. Mas nem sempre quem acompanha os resultados no campo conhece o trabalho que existe por trás deles.
Nossa convidada participa dessa construção há 35 anos.
Mineira de Ribeirão Vermelho, Denise Cunha Dias não veio de uma família de agricultores. Encontrou na Agronomia um universo de possibilidades. E, nas sementes, o campo de conhecimento ao qual dedicaria a carreira.
Professora da Universidade Federal de Viçosa e uma das editoras do Journal of Seed Science, ela acompanha de perto o percurso entre uma dúvida que surge na produção e uma pesquisa capaz de contribuir para resolvê-la.
Mas como nasce uma ideia que merece ser investigada? Como identificar o que ainda precisa ser descoberto em um setor que avança tão depressa?
Denise traz uma pista: conhecer as demandas do campo é fundamental. E conhecer o que a ciência já produziu também. É desse encontro que surgem perguntas capazes de abrir novos caminhos.
Da qualidade ao tratamento de sementes, dos estudos básicos às tecnologias aplicadas, a academia contribui para a evolução da agricultura, ao lado das instituições de pesquisa e das empresas do setor.
Nessa trajetória, também há desafios. Denise fala sobre o incentivo à continuidade dos estudos, as condições para seguir na pesquisa e a importância de valorizar os profissionais que escolhem esse caminho.
Nesta conversa, gravada durante o Congresso Brasileiro de Sementes, vamos conhecer os bastidores desse trabalho e entender como a academia participa da construção de respostas para os desafios do agro.. que não param se surgir!
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#284 - Milho em construção
2026/10/15
O milho que vai chegar à lavoura daqui a cinco, sete, dez anos já está sendo desenvolvido hoje. Mas como escolher agora a genética que vai responder aos desafios de um campo que continua mudando?
Essa é uma das responsabilidades do nosso convidado, líder global de pesquisa de milho da GDM.
Natural de uma pequena cidade no sul do Paraná, Cristian Brzezinski é filho de uma auxiliar de enfermagem e de um motorista de ambulância. Encontrou na Agronomia uma oportunidade de construir seu futuro e melhorar as condições de vida da família. Um estágio na Embrapa abriu o caminho para a pesquisa. E, desde então, nunca mais quis sair dela.
Hoje, o trabalho dele ajuda a construir os próximos passos de uma cultura que ganhou protagonismo na segunda safra e encontra novos mercados com a expansão do etanol.
Só que a demanda cresce junto com os desafios. Cigarrinha, doenças, falta de chuva. Como desenvolver híbridos capazes de produzir mais e oferecer maior segurança ao agricultor em condições tão diferentes? Quanto do potencial que existe na semente conseguimos aproveitar no campo?
No bate-papo, ele relata ensaios que alcançam 20 toneladas por hectare, sob condições favoráveis. Mas explica por que transformar potencial genético em resultado na lavoura exige muito mais do que uma boa semente.
Vamos falar de melhoramento, de novas ferramentas como a edição gênica e das escolhas que ajudam a preparar a cultura para as próximas safras.
Mas também vamos conhecer o homem que, fora da pesquisa, gosta de ligar a música, abrir um vinho e cozinhar para a família. E que gostaria de ouvir, um dia, uma frase simples: “Você acertou.” Um desejo que atravessa escolhas pessoais e profissionais — e ganha um significado especial quando os resultados levam anos para aparecer.
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#283 - Quem trabalha com vida
2026/10/08
Farinha, água e ovos. Foi com a sogra que ele aprendeu a transformar esses ingredientes em massa de macarrão. E descobriu que, enquanto as mãos trabalham, a cabeça descansa.
Enxergar a beleza e o prazer das coisas simples é uma das características do doutor Francisco Carlos Krzyzanowski, o Chico, para os amigos.
A relação com a agricultura começou ainda menino, no sítio do avô, no interior de São Paulo. Entre a garapa e a moenda movida por animais, ele acompanhava a produção de cachaça e começava a se encantar pelo trabalho no campo.
Na adolescência, trabalhou no rádio. Leu notícias, apresentou músicas e chegou a pensar em ser jornalista. A família apostava na medicina. Ele escolheu a Agronomia. E encontrou nessa área uma convicção que carrega até hoje: trabalhar com semente é trabalhar com a vida.
A carreira dedicada à pesquisa inclui estudos fora do Brasil e 39 anos de Embrapa. Nesse caminho, algumas lições ficaram para além dos laboratórios. Como a do professor que interrompia a aula para que o estudante brasileiro, ainda com dificuldades no inglês, pudesse virar a fita do gravador. Um gesto de respeito que nunca esqueceu — e que ajuda a entender o cuidado que ele defende na relação com colegas e agricultores.
Nesta conversa, a ciência está nos detalhes: na origem da semente, na proteção que sua cobertura oferece, numa pequena fissura que pode comprometer seu desempenho no campo… E está também na disposição de reconhecer que ainda há muito a aprender.
O doutor Francisco se aposentou aos 76 anos, mas afirma - e comprova - que não nasceu para isso. Continua pesquisando, estudando e dividindo conhecimento.
É com ele o nosso bate-papo. Uma conversa sobre ciência, sobre o que aprendemos com as pessoas e sobre um homem que encontrou nas sementes o trabalho de uma vida.
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#282 - As regras do jogo
2026/10/01
O Brasil aprendeu a produzir no Cerrado, transformou ciência em produtividade e tornou-se uma potência agrícola mundial. Mas essa história não foi construída apenas dentro da porteira. Por trás de cada salto de produtividade, de cada nova genética e de cada tecnologia que chega ao campo, existe pesquisa, investimento e uma base fundamental para tudo isso avançar: segurança jurídica. E é justamente desse lugar, onde as regras encontram a inovação, que vem a nossa convidada de hoje.
Catharina Pires é advogada, cientista política e diretora executiva da CropLife Brasil. Ela não nasceu no agro. Como gosta de dizer, caiu de paraquedas nesse universo. E o que surgiu quase por acaso virou escolha, carreira e trajetória. São quase 3 décadas acompanhando de perto uma transformação que levou Catharina a conhecer um Brasil que ela própria diz desconhecer: o Brasil do interior, da tecnologia e de uma agricultura que ganhou escala, produtividade e relevância mundial.
Agora, novos movimentos começam a mexer novamente nesse tabuleiro.
A edição gênica abre possibilidades para a genética vegetal. Empresas chinesas de biotecnologia chegam ao Brasil dispostas a competir. E, ao mesmo tempo, o país asiático sinaliza mudanças na sua estratégia para a soja.
Enquanto a tecnologia acelera, algumas regras precisam acompanhar esse movimento.
É aí que entram discussões como a modernização da Lei de Proteção de Cultivares, a proteção da propriedade intelectual, o combate à pirataria de sementes e um desafio que ultrapassa nossas fronteiras: tecnologias que podem ser aprovadas aqui em pouco mais de um ano, chegam a esperar cinco, seis ou até sete anos pela aprovação de países que compram nossa produção.
É ciência, mercado, regulação e competitividade dividindo o mesmo campo. E tudo isso nos leva a uma pergunta que a própria Catharina se faz: "como será o agro brasileiro daqui a 15 ou 20 anos?" Ela ainda não tem essa resposta. Mas conhece de perto algumas das decisões que podem ajudar a construí-la. E é sobre elas que a gente conversa a partir de agora.
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#281 - O despertar do sorgo
2026/09/24
“Estudei tanto para trabalhar com vassoura?”
Foi essa a pergunta que Urubatan Klink se fez quando ouviu que havia uma oportunidade para trabalhar com sorgo. Naquele momento, sua única referência era o sorgo-vassoura, matéria-prima usada na fabricação do tradicional utensílio de varrer o chão.
Era o final dos anos 80. Recém-formado em Agronomia pela Esalq, apaixonado por pesquisa e diante de um mercado difícil, ele decidiu encarar o desconhecido e aprender sobre aquela cultura.
O que não imaginava é que aquele primeiro encontro, quase por acaso, seria o começo de uma relação que atravessaria quatro décadas de sua vida profissional.
Klink acompanhou o sorgo sair do verão, encontrar espaço na segunda safra e avançar pelo Cerrado. Viu o melhoramento genético transformar os híbridos, a produtividade crescer e a indústria de proteína animal descobrir que aquele pequeno grão poderia significar eficiência e redução de custos.
Agora, ele acompanha uma nova transformação.
O etanol entrou nessa história. A exportação ganhou espaço. Alimentação humana e mercado pet aparecem como novas fronteiras. E uma cultura conhecida pela capacidade de produzir em condições desafiadoras começa a ser enxergada com outros olhos.
Para Klink, o Brasil pode chegar a algo entre 8 e 10 milhões de hectares de sorgo nos próximos 20 anos. E, em ambientes de alto potencial, ele coloca uma meta ainda mais provocadora sobre a mesa: 200 sacos por hectare.
Entre os desafios, aponta um que está fora da lavoura: fazer a informação chegar.
Nesta conversa, experiência e ciência se encontram para explicar como uma cultura que permaneceu durante tanto tempo longe dos holofotes começa a ocupar um novo lugar no agro brasileiro.
E ninguém melhor para contar essa transformação do que alguém que acompanhou de perto quatro décadas dessa história — e continua trabalhando para escrever os próximos capítulos do sorgo brasileiro.
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#280 - O agro reescrito
2026/09/17
Existe uma corrida acontecendo no mundo. Ela não está nas pistas. Está nos laboratórios. E quem chegar primeiro pode ajudar a definir como vamos produzir alimentos nas próximas décadas.
Estamos falando de editar genes com precisão. Desenvolver plantas mais preparadas para enfrentar doenças e estresses. Aumentar a vida útil dos alimentos. Criar novas soluções para controlar pragas. E fazer em semanas aquilo que, em determinados processos, poderia consumir anos de melhoramento.
Esse avanço abre um leque ainda maior: durante muito tempo, colocar uma inovação biotecnológica no mercado exigiu investimentos tão altos que poucas empresas tinham condições de participar desse jogo. Agora, esse cenário começa a mudar.
É a “democratização da biotecnologia”, segundo o nosso convidado deste episódio.
Pesquisador da Embrapa há 36 anos e membro da CTNBio por dez mandatos, Alexandre Nepomuceno viu a transgenia chegar, acompanhou suas polêmicas e hoje presencia uma nova geração de tecnologias abrir possibilidades que pareciam improváveis. Inclusive para pequenos grupos de pesquisadores e startups brasileiras.
Enquanto o mundo discute inteligência artificial e revolução digital, ele chama atenção para outra transformação que avança quase silenciosamente (para a maioria das pessoas): a revolução genética, impulsionada por tecnologias como edição gênica, CRISPR, RNA interferente, capazes de acelerar caminhos que o melhoramento convencional poderia levar muitos anos para percorrer.
É uma corrida na qual o Brasil tem agricultura, conhecimento e gente preparada para competir. Mas será que estamos investindo o suficiente? Afinal, formar cientistas brilhantes e não criar espaço para transformar conhecimento em inovação também pode significar ver esse futuro sendo construído em outros países.
Neste episódio, ciência de ponta vira conversa de porteira aberta. Sem complicação. Com exemplos que impressionam. E com uma provocação que interessa a todo o agro brasileiro: quem vai desenvolver as tecnologias que vão produzir o alimento do futuro?
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#279 - Humano ou substituível?
2026/09/10
Se amanhã alguém pudesse fazer parte do seu trabalho melhor e mais rápido do que você, o que ainda faria de você um profissional necessário?
A pergunta que abre este episódio é uma daquelas que fazem a gente pensar. Sobre o que sabemos, para onde estamos indo e qual o nosso lugar num mundo que muda cada vez mais rápido.
E quem nos ajuda a ampliar esse olhar vem de uma realidade muito distante da inteligência artificial e dos algoritmos. De uma pequena propriedade de 15 hectares, no interior do Rio Grande do Sul. É de lá que vem Eleri Hamer.
Filho de agricultores, cresceu tirando leite antes de ir para a escola e aprendendo que responsabilidade e infância podiam dividir o mesmo terreiro. Saiu de casa ainda adolescente.
Depois vieram a Agronomia, a extensão rural, a tecnologia, a gestão, os negócios… Foram muitos caminhos. E, no centro de boa parte deles: gente.
Hoje, Eleri trabalha com empresas, executivos e lideranças. E foi desse universo que ele levou ao Congresso Brasileiro de Sementes uma provocação:
Na era da inteligência artificial, o que ainda torna o ser humano insubstituível?
É daí que parte a nossa conversa.
Do medo de perder espaço para as máquinas ao futuro das profissões. Da inteligência artificial à liderança, comportamento e relações humanas.
Enquanto tentamos descobrir até onde a tecnologia pode chegar, existe uma questão ainda mais próxima de nós: até onde estamos dispostos a evoluir? Inclusive quando o assunto é essa nossa vontade de sermos insubstituíveis...
A conversa que você começa a ouvir agora passa pela inteligência artificial, pelo futuro do trabalho e pelas transformações do agro. Mas, acima de tudo, fala sobre gente.
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#278 - Como uma sequoia
2026/09/03
Há sementes que germinam em uma safra. Outras precisam de décadas para revelar o tamanho da árvore que carregavam por dentro. Nossa convidada de hoje ajudou a plantar uma dessas sementes.
Doutora Odette Liberal tem 99 anos. Uma vida guiada pela curiosidade, pelo conhecimento e pela agricultura. Numa época em que mulheres ainda eram raridade dentro das universidades - e mais raras ainda em determinados espaços profissionais - ela foi a única mulher de sua turma de Agronomia.
E entendeu cedo que teria de estar preparada. Muito preparada.
A senhora que hoje é reverenciada pela história que escreveu, fez parte do grupo de 25 engenheiros agrônomos que, em 1970, fundou a Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes, a ABRATES.
Naquele Brasil, ainda era preciso convencer muita gente de que semente não era simplesmente grão. Que por trás de uma boa lavoura existiam pesquisa, análise, qualidade e tecnologia.
Mais de meio século passou. E aquela pequena iniciativa cresceu junto com a ciência, com o setor sementeiro e com a própria agricultura brasileira. Com “toque de poesia", compara o legado a uma sequoia, árvore gigantesca cujo topo quase não se consegue mais enxergar.
Só que esta conversa não é apenas sobre o passado.
Com quase 1 século de via, a doutora Odette demonstra ter mais interesse pelo amanhã do que saudade do ontem. Continua estudando, perguntando, observando e olhando para frente. É um exemplo claro de que, quem nunca perde a curiosidade, nunca deixa de plantar.
Hoje, o Podcast do Patroni abre a porteira para uma mulher que não apenas testemunhou parte da transformação da agricultura brasileira. Ela ajudou a semeá-la!
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#277 - As perguntas do futuro
2026/08/27
Você já parou pra pensar que, talvez, o futuro pertença menos a quem tem todas as respostas e mais a quem aprendeu a fazer as perguntas certas? Essa ideia atravessa a conversa deste episódio.
Nosso convidado é engenheiro mecânico, mestre em Economia e soma 28 anos de experiência profissional. Mas a relação dele com o agro não nasceu dentro de uma lavoura. Começou na universidade, passou pela tecnologia, chegou às máquinas agrícolas e ganhou forma pelas estradas do interior do Brasil.
Foi conhecendo produtores, concessionários, fábricas e diferentes regiões que Leandro Pires percebeu que, por trás de cada máquina, existe uma decisão; por trás de cada investimento, um risco; e por trás de cada avanço tecnológico, precisa existir resultado.
Agora, em um momento em que o agro discute inteligência artificial, descarbonização, biocombustíveis e novos modelos de negócio, essa capacidade de interpretar cenários torna-se ainda mais valiosa.
E é fácil entender o motivo: uma máquina pode ficar mais inteligente, uma lavoura pode produzir mais, uma indústria pode incorporar novas tecnologias… Mas transformar tudo isso em valor exige algo que nenhuma tecnologia entrega sozinha: repertório, experiência e conhecimento.
Não à toa, Leandro coloca o investimento em capital intelectual e educação no centro dessa transformação — e nos provoca a pensar sobre o papel do conhecimento diante de tantas mudanças.
Nesta conversa, vamos olhar para o agro não apenas pelo que ele produz hoje, mas pelas possibilidades que começam a surgir para amanhã. Da máquina à inteligência artificial. Do combustível à nova cadeia de valor. Da produtividade à rentabilidade. E das respostas que já conhecemos às perguntas que ainda precisamos aprender a fazer.
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#276 - Além da semente
2026/08/20
Uma semente carrega muito mais do que potencial produtivo. Para cumprir seu papel no campo, precisa de vigor, qualidade, cuidado e condições para começar uma nova história.
Com as pessoas, não é muito diferente.
Marcos Tomazeli cresceu no interior do Rio Grande do Sul, em uma família de produtores rurais. Ainda menino, acompanhava o pai e os tios no campo. Queria dirigir as máquinas, participar do trabalho e repetir os passos de quem admirava. Foi ali que começou a nascer sua vocação pelo agro.
Aos 14 anos, ingressou em um colégio agrícola. Depois veio a Agronomia e um estágio o trouxe para Mato Grosso. Era uma experiência de poucos meses, mas que acabou abrindo caminho para uma trajetória profissional. A oportunidade transformou-se em carreira, alimentada pela busca constante por conhecimento.
Marcos começou no campo, acompanhando a produção de sementes. Curioso, foi conhecendo outras áreas, do beneficiamento e qualidade à logística e gestão. Um percurso que mostra que crescer profissionalmente também passa por compreender o negócio como um todo.
Hoje, como superintendente de operações da Agro-Sol, participa de uma cadeia em que cada detalhe importa. E carrega uma convicção que aparece com força nesta conversa: diante dos desafios, o volume pode até mudar, mas a régua da qualidade não pode baixar.
Neste episódio, falamos sobre sementes, carreira, conhecimento, liderança e família. A história de quem fez da curiosidade uma ferramenta para aprender, evoluir e enxergar o agro muito além da semente.
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#275 - O Wagyu Brasileiro
2026/08/13
izem que ele ouve música clássica, recebe massagem, toma cerveja. E que esses cuidados estariam por trás de uma das carnes mais valorizadas e desejadas do planeta.
Quando o assunto é Wagyu, não faltam histórias. Algumas têm explicação. Outras ganharam o mundo como verdade. Mas talvez nenhuma seja tão interessante quanto a história real dessa raça.
Antes de virar sinônimo de carne premium e de uma experiência única à mesa, o Wagyu era trabalho. No Japão, esses animais eram utilizados na tração e nas lavouras de arroz. Precisavam ser fortes, rústicos, mansos e leves.
A carne nem era o objetivo daquela seleção.
Com o tempo, o mundo descobriria sua “beleza interior”: uma capacidade extraordinária de depositar gordura dentro do músculo, alcançando um marmoreio difícil de comparar.
Mas produzir Wagyu não tem mágica. Tem genética, manejo e seleção. É preciso medir, rastrear, certificar, acompanhar a carcaça e entender o consumidor. É fazer a genética conversar com o mercado.
E é nesse universo que mergulhou Tatiana Caruso, nossa convidada de hoje. Veterinária, mestre em Agronegócio e apaixonada por melhoramento genético, ela trocou a vida profissional em São Paulo pelo campo e encontrou no Wagyu um projeto de vida.
Ela acredita que o Brasil ainda tem muito espaço para avançar com a raça, especialmente quando o potencial do Wagyu encontra a realidade da nossa pecuária.
Neste episódio, a gente fala de ciência, melhoramento, cruzamento industrial e mercado. Dos mitos que ajudaram a transformar o Wagyu quase numa lenda, mas também das oportunidades que essa raça pode abrir por aqui.
Afinal, o que é verdade, o que é exagero e até onde o Brasil pode chegar com esse gado diferenciado?
É o que você vai descobrir no bate-papo.
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#274 - Toda viagem ensina
2026/08/06
Existe uma característica comum entre os grandes produtores, empresários e líderes do agro: eles nunca acreditam que já aprenderam o suficiente.
É essa inquietação que move pessoas, impulsiona negócios e faz o conhecimento percorrer milhares de quilômetros para voltar ao campo em forma de novas ideias, decisões mais assertivas e oportunidades.
Durante muito tempo, produtores brasileiros viajaram pelo mundo para conhecer tecnologias, sistemas de produção e modelos de gestão. Hoje, essa troca acontece em duas direções. Continuamos aprendendo com outras realidades, mas também abrimos as porteiras para receber delegações internacionais interessadas em entender como o Brasil tornou-se uma das maiores referências do agronegócio mundial.
O convidado deste episódio acompanha essa transformação há mais de duas décadas.
Filho de produtores rurais, Emanuel Ribeiro Júnior fez da conexão entre pessoas, experiências e conhecimento o propósito da própria carreira. Ao longo desses anos, viu o perfil das missões técnicas mudar, testemunhou a evolução do agro brasileiro e aprendeu uma lição que continua atual: quem investe em conhecimento sempre volta diferente de onde foi.
Nesta conversa, falamos sobre os bastidores dessas jornadas, a evolução do agronegócio brasileiro, as mudanças no perfil dos produtores e por que conhecer outras realidades continua sendo uma das formas mais inteligentes de evoluir — não para copiar modelos, mas para ampliar a visão e encontrar respostas que façam sentido para a nossa realidade.
Afinal, nenhuma inovação chega ao campo por acaso. Antes dela, existe alguém disposto a observar, perguntar, aprender... e voltar para casa enxergando novas possibilidades.
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#273 - Antes do boom
2026/07/28
Poucas cadeias do agro cresceram tanto em Mato Grosso nos últimos anos quanto a do etanol de milho. E junto com ela surgiu um desafio que, há duas décadas, pouca gente conseguia enxergar: quem produziria toda a biomassa necessária para abastecer essa nova indústria?
Foi essa mudança de cenário que transformou as florestas plantadas em um dos investimentos mais estratégicos do agro mato-grossense.
Mas os mercados não nascem prontos. Alguém precisa acreditar neles primeiro.
A Girassol Agrícola foi uma das empresas que fez isso. Muito antes de a biomassa tornar-se um insumo estratégico para a indústria do etanol de milho, o grupo apostou nas florestas plantadas. Enfrentou um mercado ainda incipiente, aperfeiçoou o modelo de produção, superou desafios logísticos e seguiu investindo enquanto a atividade ainda buscava seu espaço.
Quase vinte anos depois, aquela decisão deixou de ser uma aposta. Tornou-se um dos principais negócios da empresa. Hoje, a Girassol lidera a maior operação de florestas plantadas de Mato Grosso, com mais de 10.500 hectares cultivados, milhões de Reais investidos e uma atividade que já responde por fatia importante do faturamento do grupo. E a história continua. A empresa segue ampliando sua base florestal e investindo para acompanhar uma demanda que cresce junto com a agroindustrialização do Estado.
Essa transformação é o eixo do bate-papo com Gilmar Meneghini, CEO da Girassol Agrícola. Filho de agricultores catarinenses e executivo com sólida experiência em gestão, ele chegou à empresa há dois anos para liderar uma operação que é referência no setor.
Quanto custa produzir uma floresta? Onde estão os riscos? Ainda vale a pena investir? E por que um negócio que exige visão de longo prazo continua atraindo cada vez mais capital?
Perguntas de uma conversa que não fala apenas sobre florestas, mas, acima de tudo, sobre estratégia. Sobre decisões tomadas antes da maioria. E sobre como visão, planejamento e persistência podem transformar uma aposta em um dos negócios mais promissores do agro brasileiro.
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#272 - Alerta para a mosca-dos-estábulos
2026/07/23
O alerta está aceso!
Um ano mais chuvoso aumentou a preocupação com uma velha conhecida do campo: a mosca-dos-estábulos. Pequena no tamanho, mas gigante nos impactos, ela é considerada hoje um dos principais parasitas da pecuária brasileira. Em situações críticas, pode reduzir em até 70% a produção de leite, comprometer o desempenho dos rebanhos, causar prejuízos milionários e desafiar toda a cadeia produtiva.
Mas esse não é um problema que atinge apenas a pecuária. O avanço da praga também mobiliza usinas, exige mudanças no manejo, investimentos em tecnologia e, acima de tudo, um trabalho conjunto entre diferentes setores do agro.
Em um cenário favorecido pela umidade, especialistas já acendem o sinal de alerta. A mensagem é clara: esperar o surto aparecer custa caro. Prevenir continua sendo o caminho mais eficiente.
Quem nos ajuda a entender por que a mosca-dos-estábulos se tornou um dos maiores desafios sanitários do campo é a bióloga e pesquisadora Taciany Ferreira. Referência nacional no tema, ela dedicou mais de uma década ao estudo dessa praga e transformou ciência em soluções práticas para produtores rurais e usinas em diferentes regiões do Brasil.
Da universidade ao campo. Da pesquisa científica ao empreendedorismo. Taciany construiu uma trajetória marcada pela inovação, pela persistência e por um propósito muito claro: transformar conhecimento em resultado.
No bate-papo, ela derruba mitos, explica por que o problema se agravou nos últimos anos e mostra como o monitoramento, a tecnologia e, principalmente, a prevenção podem fazer a diferença.
Mais do que uma conversa sobre controle da mosca-dos-estábulos, este episódio mostra como ciência, conhecimento e cooperação podem substituir a busca por culpados pela construção de soluções que realmente protejam o campo.
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#271 - O valor de um quilo
2026/07/16
"Produtividade é conhecimento aplicado por hectare."
A frase do saudoso engenheiro agrônomo Dirceu Gassen continua traduzindo uma das maiores verdades da agricultura brasileira. Nenhuma grande lavoura nasce apenas da força da terra. Nasce da observação, da pesquisa, da experiência e da coragem de buscar respostas para desafios que mudam a cada safra.
É justamente essa busca que move o convidado de hoje.
Filho de produtores rurais do norte do Paraná, Adilson de Oliveira Júnior cresceu acompanhando de perto a rotina da agricultura. Viu o campo mudar, testemunhou a evolução das tecnologias e escolheu dedicar a própria vida a produzir um dos insumos mais valiosos da atividade rural: o conhecimento.
Há quase duas décadas como pesquisador da Embrapa Soja, ele trabalha para transformar ciência em decisões capazes de aumentar a produtividade, melhorar o manejo dos solos e oferecer mais segurança ao produtor rural. Um trabalho silencioso, muitas vezes distante dos holofotes, mas presente em milhares de propriedades espalhadas pelo Brasil.
Neste bate-papo, gravado no saguão do aeroporto de Vilhena, falamos sobre fertilidade do solo, adubação, altas produtividades e, principalmente, sobre a responsabilidade de quem faz pesquisa pensando em quem está todos os dias do lado de dentro da porteira.
Esse, talvez, seja o maior valor da pesquisa agropecuária: transformar pequenos avanços em resultados gigantescos. Um dado citado pelo próprio Adilson ajuda a dimensionar essa missão. Se a produtividade média da soja brasileira aumentasse apenas um quilo por hectare, o país colheria cerca de 48,5 mil toneladas a mais — o equivalente a aproximadamente R$ 90 milhões em riqueza gerada.
É a prova de que, na agricultura, grandes transformações quase sempre começam em detalhes. E que, quando a ciência encontra espaço para florescer, seus resultados ultrapassam a porteira e ajudam a impulsionar não apenas a agricultura, mas toda a economia do país.
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