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Psicanálise e Cultura

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This podcast has
144 episodes
Date created
2021/06/13
Latest episode
2026/04/20
Average duration
18 min.
Release period
8 days

Description

Meu nome é Sandro Cavallote. Sou Psicanalista, professor, escritor e comunicólogo e a ideia deste podcast é falar sobre psicanálise, inconsciente, Escuta, linguagem, comunicação, tecnologia, cultura, mídia e o que aparecer na mente. Pensar o "Mal-estar da nossa época". Sem um roteiro pré-definido, a construção do conteúdo é basicamente apertar o REC e gravar o que sai, inclusive erros, sons externos do ambiente e até atos falhos. Nada de muita formalidade, sem pretensão nenhuma de qualquer coisa. Sejam bem-vindos. Novos episódios semanais. Mais informações: https://linktr.ee/sandrocavallote

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141 - A indústria da estética e a manutenção da sua tristeza
2026/04/20
Vivemos cercados por discursos de autoestima, autocuidado e “amor próprio” — mas por que, então, nunca foi tão difícil sustentar uma boa relação com quem somos? Neste episódio, partimos de O Mal-Estar na Civilização, de Sigmund Freud, para pensar como o sofrimento, que é estrutural à vida em sociedade, vem sendo capturado e transformado em produto. A indústria da estética não elimina o mal-estar — ela o administra, mantendo o sujeito em uma busca infinita por adequação. Falamos sobre redes sociais, filtros, tecnologia e os efeitos psíquicos de se comparar constantemente com imagens irreais. Discutimos também como a baixa autoestima não é apenas uma questão individual, mas atravessada por uma cultura que exige performance, aparência e constante melhora, como aponta Byung-Chul Han. Por fim, abordamos o envelhecimento como um fenômeno não só biológico, mas cultural — e como a recusa em lidar com o tempo pode nos afastar ainda mais de nós mesmos. Um episódio para questionar: até que ponto o que você sente sobre si é realmente seu… e quanto disso foi produzido para que você nunca se sinta suficiente?
140 - Informação demais: quando tudo vira ruído
2026/04/13
Vivemos cercados por informação. Vídeos, livros, podcasts, cursos, opiniões — tudo ao mesmo tempo, o tempo todo. Mas será que o problema é realmente “informação demais”? Neste episódio, a proposta é deslocar essa pergunta. Em vez de pensar o excesso como uma falha individual — falta de disciplina, de organização ou de foco —, olhamos para o contexto em que esse excesso se produz: um tempo cada vez mais capturado por exigências de produtividade, performance e atualização constante. A partir de uma leitura psicanalítica e cultural, discutimos como o cérebro não foi feito para acumular, mas para selecionar; como o excesso pode funcionar como defesa contra o vazio; e como a lógica contemporânea transforma o saber em algo a ser exibido, consumido e performado. Mais do que um episódio sobre informação, este é um episódio sobre tempo. Sobre o que fazemos com ele — e sobre o quanto, hoje, ele já não nos pertence completamente. No meio disso tudo, talvez a questão não seja consumir melhor.Mas criar, mesmo que em pequenas brechas, condições para que algo do pensamento possa acontecer. 🎧 Um convite à pausa — e à escolha
139 - Resgatar a complexidade das coisas
2026/04/06
Vivemos uma época em que tudo precisa ser rápido, simples e imediato.Mas… e se essa simplificação estiver empobrecendo nossa capacidade de pensar? Neste episódio, proponho uma reflexão sobre como a lógica dos algoritmos tem moldado nossa forma de consumir conteúdo, produzir opiniões e, principalmente, sustentar ideias. Entre vídeos curtos, respostas prontas e certezas frágeis, o que se perde é justamente aquilo que mais importa: a complexidade. Falamos sobre psicanálise, cultura digital, excesso de opinião, comunidades redpill, educação superficial e o impacto disso tudo na nossa capacidade de criar, aprender e nos relacionar com o outro. Porque nem todo conteúdo informa.E nem toda sensação de saber… é, de fato, saber. Talvez o maior desafio do nosso tempo seja reaprender a pensar — com mais tempo, mais profundidade e menos pressa. 🎧 Ouça agora e sustente a complexidade.
138 - A demonização da CLT e o desamparo contemporâneo: um problema psíquico-social
2026/03/30
Neste episódio, partimos de uma cena cotidiana — idosos recolhendo latinhas — para pensar o futuro, o envelhecimento e o desamparo na sociedade contemporânea. A partir de uma leitura psicanalítica, discutimos a demonização da CLT, o enfraquecimento das garantias coletivas e os impactos disso na saúde mental. Em meio ao discurso sedutor do empreendedorismo, questionamos: o que acontece quando a responsabilidade por sobreviver é totalmente individualizada? E que tipo de velhice estamos ajudando a construir?
137 - Desamparo e ressentimento
2026/03/23
Desamparo e ressentimento não são apenas experiências individuais — são forças que atravessam o laço social e ajudam a explicar muito do que vemos hoje. Neste episódio, partimos da psicanálise de Freud e dialogamos com autores como Nietzsche e Hannah Arendt para pensar como o desamparo, quando não elaborado, pode se transformar em ressentimento — e como isso encontra expressão em discursos simplificadores, na cultura digital e na intensificação dos conflitos sociais no Brasil. Ao longo da conversa, refletimos sobre a construção de inimigos, a economia do ódio nas redes e os efeitos disso na vida coletiva, chegando a um ponto crucial: quando o ressentimento se articula à violência, como no aumento dos feminicídios, o que está em jogo é a incapacidade de simbolizar perdas, frustrações e deslocamentos de lugar. Um episódio para quem quer ir além das explicações fáceis e pensar, com mais profundidade, os atravessamentos entre psicanálise, cultura e política — e, principalmente, quais caminhos ainda são possíveis para não sermos capturados por essa lógica. 🎧 Ouça, reflita e compartilhe.
136 - Somos incapazes de lidar com nossas ambivalências
2026/03/16
Somos realmente capazes de lidar com nossas próprias contradições? Ou precisamos transformar tudo em extremos para conseguir suportar a realidade? Neste episódio, partimos de uma ideia central da psicanálise freudiana: a ambivalência — a coexistência de sentimentos opostos em relação ao mesmo objeto. Amar e odiar, desejar e temer, aproximar-se e afastar-se. Algo profundamente humano, mas que muitas vezes tentamos negar. Ao longo da conversa, discutimos como a cultura contemporânea tem dificuldade em sustentar essa complexidade. Vivemos em um tempo de divisões rígidas: bem x mal, nós x eles, certo x errado. Seja no futebol, na política ou nas disputas morais das redes sociais, a lógica dos extremos acaba eliminando aquilo que existe entre eles: as nuances da experiência subjetiva e coletiva. A partir da psicanálise clássica e de exemplos da realidade brasileira, o episódio propõe uma reflexão sobre como essa dificuldade de lidar com ambivalências atravessa nossas relações, nossos posicionamentos sociais e também o modo como escutamos os adolescentes. Porque talvez maturidade psíquica não seja eliminar o conflito —mas aprender a sustentá-lo. 🎧 Ouça agora no Spotify.Se o episódio fizer sentido para você, compartilhe.
135 - Prover e servir
2026/03/09
Neste episódio, mergulho em uma dinâmica que, mesmo com as mudanças sociais, ainda organiza silenciosamente nossas relações amorosas, familiares e sociais: a oposição entre o provedor e a servidora. Partindo dos campos semânticos das palavras "prover" e "servir", exploramos como essas funções, historicamente ligadas ao masculino e ao feminino, deixaram de ser meros papéis sociais para se tornarem verdadeiras estruturas de identidade e reconhecimento. O que acontece quando um homem não consegue mais prover? E quando uma mulher decide não servir? Por que o dinheiro ainda é usado como moeda de poder para justificar a desigualdade no cuidado? Com exemplos da clínica e um olhar atento à psicanálise, discutimos: Como o machismo estrutural transforma destinos sociais em sofrimento subjetivo. A "carga mental" e o cansaço psíquico de estar sempre disponível. O impacto disso na educação das crianças e na perpetuação de ciclos. A importância de desnaturalizar esses papéis para construir relações mais flexíveis e saudáveis. Não se trata de abolir o ato de prover ou servir, mas de transformá-los de destinos herdados em escolhas conscientes. 🎧 Ouça agora e reflita: como essas dinâmicas se manifestam na sua vida? 📚 Conheça os cursos e livros de Sandro Cavallote.🔔 Inscreva-se no canal do YouTube para mais conteúdos.
134 - O psicanalista deve ser um erudito?
2026/03/02
Neste episódio, partimos dessa provocação para refletir sobre a imagem social do analista como intelectual, culto, detentor de um saber superior — e sobre o quanto essa ideia pode tanto enriquecer quanto excluir. A psicanálise nasce em um ambiente erudito, com Sigmund Freud dialogando com literatura, filosofia e ciência. Mas será que a erudição é condição para a prática clínica ou ela pode se tornar uma performance identitária? Falamos sobre formação, universidade, elitização, “produtização” do saber, linguagem inacessível e o risco de transformar teoria em mecanismo de poder. Discutimos também o lugar das escolas — como a tradição de Jacques Lacan — e o que realmente está em jogo quando alguém se nomeia freudiano ou lacaniano. Mais do que uma resposta fechada, este episódio propõe uma reflexão ética: o saber que acumulamos está a serviço da escuta ou do nosso narcisismo? A psicanálise é performance cultural ou posição diante do sofrimento humano? Uma conversa sobre erudição, linguagem, política e responsabilidade na transmissão da psicanálise. 🎧 Ouça, compartilhe e leve essa discussão para seus espaços de estudo e prática.
133 - A arte de estar consigo: sobre comer, existir e não se abandonar
2026/02/23
Neste episódio do Psicanálise e Cultura, convido você a pensar sobre algo aparentemente simples — mas profundamente revelador: a dificuldade (ou a potência) de estar só. Por que para tantas pessoas é tão angustiante sentar à mesa sozinhas? O que está em jogo quando precisamos sempre de alguém por perto? A partir da clínica e do pensamento de Donald Winnicott, Sigmund Freud, Sándor Ferenczi e Melanie Klein, conversamos sobre a capacidade de estar só, as marcas psíquicas do abandono e a construção de uma relação menos persecutória com o próprio desejo. Estar só não é solidão.Estar só pode ser conquista.Pode ser cuidado.Pode ser reconciliação. Talvez aprender a comer consigo mesmo seja também aprender a não se abandonar.
132 - Psicanálise: substantivo
2026/02/16
No episódio de hoje do Psicanálise e Cultura, proponho uma reflexão direta e necessária: psicanálise é substantivo. Em um tempo em que proliferam versões adjetivadas — psicanálise religiosa, psicanálise cristã, psicanálise coaching, psicanálise “humanizada” — volto à pergunta fundamental: o que acontece quando a psicanálise deixa de ser núcleo e passa a ser complemento? Partindo da própria gramática, discuto a diferença entre substantivo e adjetivo para pensar algo maior: a autonomia ética, clínica e teórica da psicanálise. Porque adjetivar nunca é neutro. Todo adjetivo orienta, normatiza, direciona — e, muitas vezes, captura. Retomo Sigmund Freud, suas advertências sobre neutralidade, abstinência e responsabilidade ética, e passo por Sándor Ferenczi e Donald Winnicott para sustentar uma ideia central: as transformações e debates internos à psicanálise nascem de dentro do campo — não da submissão a morais externas ou a demandas de mercado. Sustentar a psicanálise como substantivo é, hoje, uma posição ética e política. É recusar sua banalização, sua domesticação e seu uso como instrumento de poder ou de salvação. 🎧 Dê o play e venha pensar comigo: quando adjetivamos a psicanálise, o que estamos realmente fazendo com ela?
131 - Por uma vida sem Instagram
2026/02/09
Neste episódio do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote propõe uma reflexão incômoda e necessária sobre o lugar que as redes sociais — especialmente o Instagram — passaram a ocupar na nossa vida psíquica, nos afetos e no desejo. Longe de um discurso tecnofóbico ou moralizante, o episódio investiga como as redes deixaram de ser apenas espaços de troca para se tornarem dispositivos de captura da atenção, da subjetividade e do sofrimento. Uma gramática do olhar que organiza o que deve ser visto, desejado e reconhecido — e, muitas vezes, quem merece existir. A partir da clínica psicanalítica, da cultura digital e da experiência cotidiana, o episódio discute o esvaziamento do desejo, a lógica da performance, a transformação da vida em conteúdo e o empobrecimento do espaço público. Também aborda a importância da regulamentação das plataformas, da proteção de crianças e adolescentes e da responsabilidade dos adultos na educação midiática. “Por uma vida sem Instagram” não é um convite ao abandono da tecnologia, mas à construção de uma relação mais ética, consciente e menos colonizada pelos algoritmos. Uma defesa do direito ao silêncio, à intimidade, à opacidade e ao tempo da elaboração. Entre o brilho da tela e a densidade da vida, este episódio convida à pergunta: o que tudo isso faz conosco? 🎧 Um episódio para quem deseja pensar, sentir e existir para além da lógica da vitrine.
130 - Transferência: responsabilidade, afeto e poder
2026/02/02
🎧 Transferência: responsabilidade, afeto e poder Neste episódio do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote propõe um deslocamento necessário: pensar a transferência não apenas como um conceito técnico, mas como um campo ético, afetivo e profundamente político. A partir de Freud, Ferenczi e Winnicott, a conversa percorre a assimetria da relação analítica, os riscos da idealização, a responsabilidade do lugar de suposto saber e os perigos da captura da transferência como instrumento de poder, tutela ou dominação. Quando a escuta vira controle? Quando o cuidado se transforma em violência? E o que sustenta, de fato, a segurança afetiva na clínica? Um episódio para quem entende que, sem ética e responsabilidade, a psicanálise se perde de si mesma. 🎙️ Apresentação: Sandro Cavallote
129 - Psicanálise é psicoterapia?
2026/01/26
🎙️ Episódio: “A pergunta que não quer calar: Psicanálise é Psicoterapia?”🎧 Apresentação: Sandro Cavallote Neste episódio, adentramos um dos debates mais espinhosos — e fundamentais — do campo psicanalítico: afinal, a psicanálise é ou não uma psicoterapia? Partindo de Freud e da noção inaugural de “cura pela fala”, percorremos as transformações históricas da clínica psicanalítica, a virada da centralidade do sintoma para a verdade do sujeito e a cisão que se estabelece entre psicanálise e psicoterapia. O episódio discute as diferenças de horizonte entre práticas voltadas ao ajustamento e uma clínica orientada pelo desejo e pelo inconsciente. O diálogo passa pela crítica lacaniana à psicoterapia adaptativa, pelo contraponto ferencziano que recoloca o cuidado com o sofrimento no centro da experiência analítica, e pelo modo como, no Brasil, essa distinção ganhou contornos institucionais, éticos e legais. Também refletimos sobre a prática clínica concreta, onde as fronteiras nem sempre são nítidas e a pergunta decisiva passa a ser: a serviço de quê está a escuta? Mais do que oferecer uma resposta fechada, este episódio propõe deslocar a pergunta. Talvez a psicanálise não prometa bem-estar, mas algo mais exigente: um encontro com a verdade e com a responsabilidade subjetiva. Um convite à escuta, à crítica e à reflexão.Siga o podcast, compartilhe e participe do debate nos comentários.
128 - O inferno familiar: por que escolhemos a dor que conhecemos?
2026/01/19
No episódio 128, a fala é sobre por que insistimos em repetir sofrimentos que já conhecemos tão bem?Por que, diante da possibilidade de algo novo, preferimos voltar para a mesma rua escura de sempre? Neste episódio, Sandro Cavallote revisita a compulsão à repetição freudiana para pensar o que nos mantém fiéis ao sintoma, à dor conhecida, ao “diabo familiar”. Não se trata de falta de força de vontade, mas de uma economia psíquica poderosa, protetora e, ao mesmo tempo, aprisionante. Falamos sobre: compulsão à repetição e fidelidade ao sintoma medo do novo e da angústia do desconhecido luto, elaboração e perlaboração por que mudar dói — e por que permanecer dói também Um convite a trocar a dor estéril da repetição por uma dor fértil, capaz de abrir espaço para a invenção de novos modos de existir.
127 - O vocabulário do inconsciente: palavras que não dizem o que dizem
2026/01/12
No episódio 127 do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote nos convida a pensar sobre um dos instrumentos centrais da psicanálise: a palavra. Mas não qualquer palavra — e sim aquelas que escorregam, falham, repetem, silenciam e dizem mais do que aparentam dizer. Em “O vocabulário do inconsciente: palavras que não dizem o que dizem”, o episódio percorre a ideia de que o inconsciente se manifesta justamente nas brechas da linguagem: nos lapsos, nos atos falhos, nas metáforas insistentes, nas escolhas aparentemente banais de palavras e nos silêncios que atravessam a fala. A partir de Freud e da experiência clínica, o episódio aborda: a diferença entre o vocabulário manifesto e o vocabulário latente, a escuta das repetições, hesitações e desvios da linguagem, a palavra como porta de entrada para o desejo e o recalcado, e o papel ético do analista como tradutor de sentidos — nunca como intérprete fechado. Sandro também articula o tema à formação do psicanalista, discutindo o tripé clássico da psicanálise — análise pessoal, estudo teórico e supervisão clínica — como um verdadeiro processo de alfabetização do inconsciente. Uma formação que exige ampliar o vocabulário técnico, mas também sensível, cultural e humano. O episódio defende ainda a importância de uma formação plural: filosofia, artes, história, linguística, literatura e cultura contemporânea como campos que enriquecem a escuta clínica e evitam o empobrecimento da prática psicanalítica. Em uma reflexão que atravessa clínica, cultura e ética, este episódio propõe que cuidar das palavras é cuidar do desejo — e que formar-se analista é assumir um compromisso permanente com a escuta, a linguagem e a singularidade de cada história. 🎧 Um episódio para quem se interessa por psicanálise, linguagem, formação clínica e pelas palavras que nos habitam mais do que imaginamos. Aperte o play e venha escutar o que as palavras ainda não disseram.

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