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Histórias de ter.a.pia

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★★★★★
5
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6 reviews
This podcast has
249 episodes
Publisher
ter.a.pia
Explicit
No
Date created
2021/05/27
Latest episode
2026/04/23
Average duration
9 min.
Release period
10 days

Description

Histórias reais, de gente como a gente, para você ouvir e se inspirar.

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Depois de perder meus bebês, adotei um filho e engravidei 1 mês depois
2026/04/23
Patrícia passou anos tentando ser mãe. Perdeu gestações, enfrentou tratamentos e viu o seu sonho se desfazer algumas vezes. Quando tudo parecia ter acabado, ela descobriu que a maternidade não chega do jeito que a gente imagina, mas do jeito que precisa ser. Desde pequena, Patrícia sonhava em ter filhos. Quando conheceu o companheiro com quem queria dividir a vida, sentiu que tudo finalmente estava se encaixando. Casaram rápido e logo ela engravidou. Tudo dava a entender que o futuro tinha finalmente começado. Mas a Patrícia perdeu a primeira gestação. Depois veio a segunda, e ela também perdeu. Com as perdas, ela foi atrás de respostas, já que tinha quase 38 anos e o relógio biológico parecia fazer mais barulho que qualquer outra coisa. Ela tentou a fertilização in vitro, investiu o dinheiro guardado para realizar o sonho de conhecer a Europa na tentativa de realizar outro sonho: ser mãe. Mas não deu certo. Foi então que sua irmã mais nova doou seus óvulos, num gesto de amor tão grande que a Patrícia decidiu acreditar mais uma vez. Dessa vez, a gravidez foi progredindo. Saudável, feliz, o quarto estava pronto, o nome do bebê já tinha sido decidido…Até que, no sexto mês, uma dor na perna levou Patrícia ao hospital. Ela estava com a pressão alta, ficou dias internada e precisou entrar em trabalho de parto prematuro. Infelizmente, Patrícia teve que dar à luz um bebê sem vida. Ela voltou para casa sem o filho e uma parte dela ficou naquele hospital. Na varanda de casa, entre lágrimas, ela e o marido falaram pela primeira vez sobre adoção. Não importava como, eles só queriam ser pais. E foi assim que Felipe chegou. Seu filho estava no interior do Maranhão, e ela foi até lá buscá-lo. Quando Patrícia segurou aquele recém-nascido pela primeira vez, ela soube, sem explicação, que ele era seu filho. Não era melhor, nem pior, nem diferente. Era a conexão entre mãe e filho. Três meses depois, enquanto aprendia a ser mãe de Felipe, veio outra surpresa: uma gravidez natural, depois de tudo que ela havia passado. E dessa vez, sem nenhum susto Thiago nasceu saudável. Dez meses mais novo que o irmão. Em menos de um ano, Patrícia teve dois filhos. Depois de tantas perdas, a vida resolveu te presentear em dobro. E ela entendeu que milagre, às vezes, não vem como a gente planeja, mas como tem que ser.
Separadas na infância, irmãs se reencontraram 50 anos depois
2026/04/16
Separadas na infância, Maria, Geisa e Edna se reencontraram por acaso 50 anos depois.  Mesmo crescendo com a ausência umas das outras, as três passaram a vida inteira tentando se encontrar. Geisa, Maria e Edna nasceram em Minas Gerais, parte de uma família de cinco irmãos que foi desfeita cedo demais. Depois da separação dos pais, foram levadas para São Paulo com a promessa de um recomeço, mas o que veio foi outra ruptura. Ainda pequenas, foram separadas e entregues a diferentes famílias. Cada uma seguiu um caminho sozinhas. Geisa lembrava que tinha irmãs, mas não sabia onde elas estavam, mas essa conversa não era aberta dentro de casa com seus pais de criação.  15 anos depois, uma vizinha chegou nela e disse que tinha o endereço de uma das suas irmãs.  Era o endereço de Maria e a Geisa, sem saber o que esperar, foi bater naquela porta.  Quando a porta se abriu, o abraço veio antes de qualquer palavra. E, pela primeira vez em muitos anos, ela deixou de se sentir sozinha. 50 depois, o destino ainda guardava mais um reencontro para as irmãs. Edna apareceu de forma improvável, dentro de um hospital, no meio de um plantão. Na verdade, não foi ela quem apareceu, mas a Bete, que reconheceu na Geisa, que era a enfermeira responsável por sua filha internada, uma semelhança com a Edna, sua amiga.  Em poucos minutos, a vida voltou a se reorganizar 50 anos depois da separação, as irmãs voltavam a se reconhecer. O encontro foi urgente, intenso como se o tempo perdido precisasse ser compensado ali, naquele instante. Depois vieram os churrascos, os filhos, os sobrinhos, a construção de uma família que nunca deixou de existir, só estava espalhada. Agora, entre lembranças e presenças, existe uma esperança de encontrar a quarta irmã, a Nelly.  Mas, dessa vez, a espera é diferente. Ela vem acompanhada de algo que nunca mais faltou: a certeza de que, mesmo separadas, elas sempre pertenceram umas às outras.
Ela levou dois meninos de rua para sua casa e os adotou
2026/04/02
Maria não imaginava que se tornaria mãe de dois meninos que viviam nas ruas de Campinas. Na região central de Campinas, meninos em situação de rua eram vistos como problema. Eles viviam largados, corriam, roubavam, assustavam quem andava por ali e, por isso, eram expulsos da igreja, das lojas e de qualquer lugar que estivessem perto. Ninguém queria por perto aquelas crianças, até que o Padre da catedral pediu para um grupo de moças, que iam lá rezar, fazer alguma coisa. Maria começou a se mexer. Ela corria atrás daqueles meninos, oferecia lanche, conversava, criava jogos e desafios. Num primeiro momento, eles iam desconfiados, mas pelo lanche se aproximavam, e depois voltavam para a rua. Vinham sujos, com fome, com medo de Maria ser do juizado de menores. Quando ela ganhou a confiança deles, se via cercada por dezenas de crianças na escadaria da catedral, e ali percebeu que não dava mais para voltar atrás. Era preciso dar um jeito para que eles não seguissem num caminho sem acolhimento. Mas quem acolhe os indesejados vira motivo de julgamentos. Diziam para ela que aqueles moleques que não tinham solução, não tinham conserto. Maria ouvia tudo, mas seguiu o seu coração. Ela sabia que eles não viviam naquelas condições porque queriam, eram apenas crianças. Junto com seu grupo da igreja, conseguiram dinheiro e alugaram um espaço que, num primeiro momento, oferecia café da manhã e oficinas de trabalho manual. Ela que era costureira da alta sociedade campinense, começou a mexer de artesanato com palha até marcenaria. A casa se tornou a instituição Casa Maria do Nazaré, que há anos muda a vida de crianças em situação de vulnerabilidade. Mas foi a história de Maria que a instituição mudou pra sempre. O maior ponto de virada veio quando dois meninos, dos mais atentados, iam até a casa de Maria e assoviavam na janela. Ela pedia para o porteiro liberar a entrada, e eles iam tomar café com ela. Até que um dia ela perguntou se eles gostariam de morar ali com ela, e eles responderam sim, sem nem questionar. Mais julgamentos vieram, principalmente de um rapaz com quem Maria se relacionava. Ele dizia que ela iria ser roubada, que aqueles moleques iriam levar drogas para a casa dela, e deu um ultimato: ou ele ou os meninos. Maria escolheu os meninos, entrou na justiça pela guarda dos dois. Ela, que não teve filhos biológicos, se tornou mãe daquelas crianças que todo mundo tinha medo. Ela mostrou para eles o que era o amor de verdade. Quase 40 anos depois, os dois meninos cresceram. Têm casa, trabalho, família e seguem o legado da mãe ajudando pessoas em vulnerabilidade. Cresceram sabendo, na pele, que nenhuma criança nasce sem conserto. O que falta, quase sempre, é alguém que não desista no meio do caminho.
Vi meu filho entrar em coma com apenas 28 dias de vida
2026/03/26
A Camila quase morreu na sua primeira gravidez e pensou que não teria mais filhos, até que engravidou de gêmeos. Quando pensou que o pior já tinha passado, ela encontrou com a morte quando um dos gêmeos foi para a UTI. Ainda no começo da primeira gravidez, veio a pressão alta, a internação e uma pericardite que a colocou entre a vida e a morte. Os médicos queriam interromper a gestação para salvá-la, mas a Camila não aceitou. Fez uma promessa e seguiu segurando aquela filha como quem segura o próprio futuro. A bebê nasceu prematura, mas bem. 2 anos depois, mesmo sabendo que uma nova gravidez poderia colocá-la em risco, Camila descobriu que estava esperando gêmeos e que um deles tinha uma questão cardíaca. Com a notícia, o medo seguiu com ela durante a gestação. Quando os bebês nasceram, parecia que tudo ficaria bem, mas poucas horas depois, o Davi ficou roxo e foi levado para a UTI. O bebê recebeu alta, até que um dia, a Camila notou o filho sem reação, ele tava tendo uma parada cardíaca. Davi tinha apenas 28 dias. Foram minutos intermináveis até a chegada do socorro. No hospital, ele teve novas paradas, entrou em coma e depois sofreu um AVC. Mais tarde, os médicos entenderam que o problema no coração explicava tudo. Por ser algo grave, chamaram a família para se despedir e disseram que, se o bebê sobrevivesse, ele talvez não andasse, não falasse, dependeria de cuidados por toda a vida. Camila fez então sua segunda promessa, só que ela não pediu que o filho ficasse, pediu apenas que ele não sofresse. A melhora veio devagar. Primeiro, a atividade cerebral normal. Depois, cada pequeno avanço. Mamar. Respirar. Voltar para casa. A infância de Davi ainda foi cercada de medos e internações, mas não tirou dele aquilo que mais impressiona a mãe: a vontade de viver. Hoje, Davi com 15 anos, sonha em ser astrônomo. E Camila olha para os três filhos como quem olha para o impossível depois que ele aconteceu. Ninguém a ensinou ser forte para enfrentar tudo aquilo, mas entre dor, fé, amor e rede de apoio, ela seguiu firme. Porque às vezes a força de uma mãe não nasce da certeza, mas do amor que decide continuar, mesmo tremendo.
Reencontrei minha mãe biológica 34 anos depois de ter sido deixada num prédio
2026/03/19
Carol tinha apenas 3 dias de vida quando foi deixada no portão de um prédio. O porteiro ouviu o choro, avisou a família que mais gostava no condomínio e, em poucos minutos, aquele bebê já estava nos braços de quem escolheria amá-la para sempre. Enquanto o processo de adoção seguia por anos, Carol crescia cercada de amor, mas ainda assim, havia uma ausência que ela não sabia explicar: sua origem, o motivo de ter sido deixada. Na escola, em casa, no espelho, ela também cresceu tentando entender quem era. Era a única menina negra numa família branca, carregando inseguranças, medo de rejeição e a sensação de não se encaixar por completo. Mesmo sem saber quase nada sobre a mãe biológica, Carol nunca alimentou raiva. Rezava por ela e pedia que estivesse viva, bem, em paz. Como se, em algum lugar, uma parte sua ainda estivesse com aquela mulher. Já grande, Carol começou a buscar quem era sua mãe biológica, pois ela tinha um nome, um sobrenome registrados no hospital onde ela nasceu. Até que, em 2019, ao escrever esse nome de um jeito diferente numa rede social, Carol encontrou um rosto. E, ao olhar aquela foto, sentiu o mundo parar. Era como olhar para si mesma. Carol encontrou uma amiga em comum com a mulher no Facebook e enviou uma carta contando a história. Do outro lado, veio um áudio e uma verdade guardada por 34 anos. A mulher que a deixou nunca a esqueceu, também sonhava com esse reencontro, também carregava culpa, dor e saudade. Quando finalmente se abraçaram, no meio de um shopping, foi um abraço sem cobrança, sem mágoa. E, a partir dali a vida, enfim, costurou o que parecia impossível: a filha deixada, a mãe que sofreu, a mãe que criou. Hoje, as duas mães são amigas, se gostam e fazem parte da mesma história. Porque às vezes o amor não apaga a dor do começo, mas transforma o fim em cura.
Perdi o movimento dos braços e descobri a esclerose lateral amiotrófica
2026/03/12
Edison sempre trabalhou com serviço braçal na empresa: cavava buraco, instalava postes nas ruas…Trabalhar com material pesado sempre foi algo normal até o dia em que tentou erguer um vergalhão de ferro para jogar no caminhão e simplesmente não conseguiu. Um colega menor e mais franzino que ele levantou o material. Edison ficou parado, com a sensação clara de que havia algo errado com o seu corpo. Num primeiro momento, a desconfiança era de uma fraqueza qualquer, mas ele foi investigar. Vieram consultas, exames, ele começou a passar de um médico para o outro, e ninguém conseguia dizer o que ele tinha. A fraqueza, que começou no início de 2025, foi avançando, chegando aos dedos, até que ele perdeu totalmente o movimento dos dois braços. Sem diagnóstico, o dia a dia dele começou a ficar difícil. Coisas banais como coçar o nariz, segurar o celular, comer, tomar banho se tornaram tarefas que ele precisava de ajuda. Até que uma médica, com certa suspeita do que o Edison teria, decide buscar uma resposta para ele e sua família e fecha o diagnóstico: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). O diagnóstico chegou quase um ano depois, em dezembro de 2025, com um misto de medo e alívio. Medo porque o prognóstico é difícil, mas o alívio de nomear aquela fraqueza e iniciar o tratamento correto ajuda Edison e a família a encarar o futuro. Hoje, Edison segue firme no tratamento, com muita fé e apoio da família e amigos. Às vezes o choro vem por ver todos se esforçarem para auxiliá-lo, mas a felicidade de tê-los em sua vida é insuperável. Mesmo com o diagnóstico, Edison escolheu o agora. Quando a cabeça corre para o futuro, ele puxa de volta: vive hoje. Um dia de cada vez. A ELA é uma doença rara que leva à paralisia de forma irreversível devido à degeneração e morte dos neurônios que controlam os músculos responsáveis por atividades diárias1,2. Se perceber sintomas persistentes, procure orientação médica, nem que seja para tirar dúvidas. A história do Edison foi contada em parceria com a @daiichisankyobrasil para a campanha @falesobreela. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e institucional, sem finalidade promocional ou comercial. Material destinado ao público geral. #FaleSobreELA #EscleroseLateralAmiotrófica #ELA Ao clicar no link, você será direcionado para um site de terceiros, fora da gestão da Daiichi Sankyo Brasil. 1. R. H. Brown e A. Al-Chalabi, “Amyotrophic Lateral  Sclerosis,” N Engl J Med, 2017  2. Ministério da Saúde. Esclerose Lateral Amiotrófica.  Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-  br/assuntos/saude-de-a-a- z/e/ela. Acesso em: Fevereiro/2026
Eu não tenho vergonha de ser PUTA
2026/03/05
“Eu sou puta!” É assim que Lourdes se apresenta, sem rodeios. Mas sua história não começa num lugar específico, começa quando o mundo decide que a culpa, quase sempre, cai no colo de uma mulher. Aos 14 anos, Lourdes sofreu abuso sexual de um tio, e o jeito que a família encontrou de lidar com a situação foi expulsando ela de casa, como se ela tivesse culpa. Foi numa praça que Lourdes foi encontrada por uma pessoa que percebeu que ela estava assustada, sem força para explicar o que tinha acontecido, e a levou até um bordel. O que surpreende é que Lourdes se sentia mais segura na casa de prostituição do que em casa, dentro da própria família, afinal, ali estava num ambiente em que outras mulheres estavam juntas, todas se ajudando. No bordel existia união, rotina e uma rede de apoio muito forte. Quando a exploração apertava, elas se organizavam, faziam greve por comida, descanso e dignidade. Lourdes rodou todo o nordeste brasileiro e passou por várias casas até chegar a Belém, cidade em que ela construiu família, criou 4 filhos e virou avó de 10 netos. Em nenhum momento ela romantizou nada. Ela foi empurrada para sobreviver do jeito que dava, e hoje é contra que alguém tão jovem precise passar por isso. Mas Lourdes nunca teve vergonha do que fazia também. Sua profissão sempre alimentou sua família, por isso, ela não mentiu para os filhos sobre de onde vinha o dinheiro, porque para ela a mentira também é uma forma de abandono. Lourdes sempre lutou pelos direitos das prostitutas, dentro dos bordeis e na política também. Na primeira reunião do Conselho dos Direitos da Mulher, em Belém, aconselharam que não dissesse que era puta. Lourdes disse mesmo assim e, ao dizer, conseguiu mobilizar o poder público para existirem direitos para quem vive essa realidade: educação, saúde, moradia, creche para os filhos e, acima de tudo, respeito. No fim, Lourdes mostra que coragem, às vezes, é simplesmente não se esconder, sendo puta ou não.
Eu aceitei a CURA GAY por não aceitar gostar de mulheres
2026/02/26
Thais Araujo aprendeu cedo a desconfiar de si. Dentro da igreja, tudo que ela sentia parecia ter nome de pecado, e o amor, quando apontava para outra mulher, virava motivo de medo. Ela tentou por anos caber no que esperavam dela, seguia padrões, orava mais e jejuava. Foi nessa mesma época que Mayara entrou na vida da Thais. As duas se conheceram na igreja, no grupo musical. Thais com o trombone, Mayara com o violino. Um olhar bastou para nascer aquela vontade de conversar todo dia, como se o mundo ficasse mais leve na presença da outra. Por anos, elas juraram que seriam só amigas. Até o beijo acontecer. E, com o beijo, veio a culpa, a sensação de erro, o impulso de se esconder. Elas ficavam em segredo, até Thais não aguentar mais. Na cabeça dela, Mayara virou um “bloqueio” espiritual, algo a ser cortado para que a vida voltasse ao rumo que lhe prometeram. Thais mudou de igreja tentando fugir da própria verdade. Mas o problema não era Mayara. Quando ofereceram a ela a ideia da “cura gay”, Thais embarcou na falácia. Aos poucos, ela foi perdendo o gosto pelas coisas, a vontade de existir. O gatilho era o fato dela não poder ser quem era. Após algumas crises seríssimas, Thais conseguiu ajuda psicológica e começou a se escolher. Acabou saindo da igreja porque não se sentia acolhida quando mais precisou. Ela melhorou aos poucos, aprendeu que podia viver sem se esconder e amar quem quer que fosse. Com o tempo, até dentro de casa as coisas mudaram. Um dia, a mãe mandou uma mensagem convidando-a para um churrasco e pedindo que levasse a pessoa que amava. Thais quase não acreditou, a mãe era muito religiosa e tinha o mesmo pensamento das pessoas da igreja. Com essa atitude da mãe, ela guardou essa atitude como quem guarda um milagre concreto: pessoas podem mudar. 10 anos depois do rompimento com Mayara, Thais, que nunca a esqueceu, decidiu entrar em contato com aquele amor do passado. As duas se reencontraram mais maduras, prontas para um amor inteiro. Thais não quis deixar a vida passar de novo e perguntou se podiam namorar. Mayara disse sim e, dessa vez, ninguém precisou se esconder.
Meu filho pode usar vestido e brincar de boneca
2026/02/19
Quando o Sebá demonstrou que gostava, também, de “coisas de menina”, a Mari fez um acordo com ela mesma: não iria criar “um menino” ou “uma menina”, ela queria criar crianças. Crianças de verdade, com direito a brincar, testar, mudar de ideia, se encantar e se expressar. Foi assim que Sebastião fez a Mari enxergar uma infância sem rótulos. Um menino que gostava do que o irmão mais velho não gostava, que quis brincar com uma Barbie, que se apaixonou pela ‘Frozen’. E, aos poucos, Mari percebeu que o desafio não era entender o filho, mas enfrentar o mundo tentando reduzir uma criança a uma regra de gênero. Em casa, ela ouviu frases que parecem “preocupação”, mas vêm carregadas de controle e, por um tempo, ela cedeu aqui e ali, porque estava na casa dos pais. Tirava a boneca, fazia com que ele agisse “como um menino”. Até que um dia o próprio Sebastião mostrou o tamanho do estrago: ele disse que queria ser uma menina, só para poder usar a fantasia sem ser julgado. Ali, Mari entendeu que não não era uma questão de gênero, mas de diversão e, por isso, não dava mais para negociar a alegria do filho. Ela decidiu que, dali para frente, brinquedo e roupa seriam apenas isso: brinquedo e roupa. Sem rótulos. E fez o que muita gente tenta evitar: bancou a escolha em voz alta para a família, para a escola e para a internet. Com o tempo, Sebastião ganhou uma coisa que não tem preço: segurança para se nomear. “Eu sou um menino que gosta disso.” E com a felicidade do filho, a Mari entendeu que quando uma criança é acolhida, ela não precisa se esconder. Ela só precisa ser criança.
Minha mãe sumiu numa excursão para Aparecida e foi encontrada atropelada
2026/02/05
Essa é uma história que a gente não gostaria de ter quer contar. A mãe da Ale nasceu na roça, primeira filha de dois avós negros presos a um trabalho sem salário, apenas pela promessa de um teto sem conforto. Ela viu o pai sair para trabalhar e não voltar. Depois viu a mãe sair para tentar um recomeço e achou que também nunca mais a veria. Quando engravidou, foi expulsa sem nem poder pegar as próprias roupas e partiu para São Paulo com o namorado, levando uma mala só e um enxoval pequeno. Ele saiu dizendo que buscaria um lugar melhor e nunca mais voltou também. Ela sobreviveu ajudando feirantes em troca de comida, conheceu o pai de Ale, teve filhos, viveu perdas cedo demais e, mesmo sem ter aprendido a ler, amava livros. A Mãe da Ale costurava enquanto a filha lia em voz alta. Nos fins de semana chuvosos, a casa virava abrigo: o som da máquina, a voz da filha, e uma risada que parecia desafiar a vida. Aos 75 anos, ela já se confundia às vezes, mas seguia fazendo tudo. Até o dia em que foi para uma excursão com seus amigos de anos da igreja e não voltou para casa. As pessoas da excursão disseram que na parada, quando todos retornaram para o ônibus, ela não estava mais lá. E essas pessoas deixaram para a família o impossível: saber por onde começar. Não houve ajuda. As câmeras da parada mostraram a mãe de Ale descendo junto com as outras pessoas, depois se afastando devagar, sendo engolida pela multidão… Depois, nada. Ale transformou a revolta em busca, principalmente quando encontrou a mãe, que havia sido encontrada 7km de distância o local, atropelada. A situação foi tão grave que ela não pôde sequer reconhecer o corpo, que havia sido reconhecido pelos peritos pelas digitais. Para a Ale, a dor maior não foi só a perda, mas a indiferença nessa situação. As pessoas da excursão, amigos de anos da família, sequer foram no enterro. Não rezaram uma Ave Maria. Hoje, a Ale carrega a mãe nas lembranças, na coragem e na decisão de contar essa história atrás de respostas.
A médica me mandou pra casa esperar meu bebê nascer morto
2026/01/29
Com três meses de gestação, Marcely entrou no hospital acreditando que sairia dali com uma notícia leve, o sexo do bebê, um detalhe feliz para guardar. Em vez disso, sentiu o chão sumir quando a médica avisou que ela estava dilatando cedo demais, e iria perder o bebê. O choque foi tão grande que ela mal conseguiu reagir, só chorou. E, no meio do banheiro do hospital, uma desconhecida, sem saber de nada, ofereceu uma frase atravessada de fé que a fez buscar outra opinião médica. No segundo hospital, veio a confirmação e uma aposta diária: internação e repouso absoluto para manter a gestação o máximo possível. Era pandemia, e a Marcely passou dias deitada, olhando para o teto, vivendo de pequenos marcos, celebrando a cada 24 horas por mais um dia conquistado. Quando soube que o bebê que ela gerava era menina, também soube que ela ainda era pequena demais para o mundo. Mesmo assim, Laura ganhava peso e ia crescendo dentro da mãe, e isso dava esperança para Marcely. Duas semanas depois, uma nova infecção mudou tudo. Para proteger mãe e a bebê, os médicos optaram por uma cesárea. Laura nasceu com 1,05 kg e, ficou na UTI neonatal. Por muito tempo, foi mais fios e eletrodos do que pele aos olhos de Marcely. O colo da mãe veio só três meses depois e, justamente ali, no primeiro contato pele a pele, Laura teve uma parada e foi tirada às pressas de seus braços. Marcely saiu daquele momento achando que não era um colo seguro. Os dias seguiram. Intubação, sonda, cada avanço era uma luz acesa na vida da Marcely e da Laura. A bebê nasceu em 15 de março e recebeu alta por volta de 16 de junho. Marcely acreditou que, em casa, a vida finalmente ficaria bem. Mas foi ali que tudo desabou. A força que ela sustentou por meses virou silêncio, e uma depressão pós-parto tomou espaço. Só quando Marcely conheceu outras mães de prematuros, entendeu que sua dor poderia ser compartilhada. Hoje, Laura tem quatro anos. Saudável, brincalhona, sem sequelas. E Marcely aprendeu que cuidar da filha também passa por se cuidar de si, para que a segurança que ela oferece não seja apenas uma máscara, mas um chão firme.
Meu pai não aceitava minha família, até meus filhos chegarem
2026/01/22
A Acácia sempre acreditou que algumas verdades não precisavam ser ditas em voz alta. Ela amava uma mulher, dividia a vida com ela, e achava que os pais sabiam, mas nunca houve um anúncio formal, nem pedido de permissão. Até que o desejo de ser mãe, um sonho antigo da Acácia, exigiu coragem. Depois de entrar na fila da adoção e, no mesmo dia, iniciou o processo de fertilização in vitro. Quando o teste deu positivo logo na primeira tentativa, a primeira pessoa para quem ela ligou foi o pai, a notícia foi bem recebida, sem perguntas, sem detalhes. Acácia acreditou que ele já entendia tudo. Mas quando ela explicou que aquele bebê teria duas mães e que ele seria a principal referência masculina da criança, algo mudou. A ficha caiu e o pai se fechou. A alegria deu lugar ao silêncio e a uma culpa que Acácia nunca soube como carregar. Parentes começaram a dizer que ela estava machucando o próprio pai. Pouco tempo depois, num ultrassom de rotina, ela descobre que coração do bebê havia parado. Ela até tentou a inseminação novamente, mas perdeu de novo. Nesse mesmo período, sua irmã engravidou e foi acolhida com amor. Acácia ficou feliz por ela, mas sentiu, pela primeira vez, o peso de não ter recebido o mesmo afeto. Quando já estava emocionalmente exausta, a vara da infância ligou. Um casal de bebês precisava de uma família. O menino tinha paralisia cerebral e hidrocefalia, mas para Acácia, os dois já eram seus filhos. Antes de seguir, ela tomou uma decisão, precisava contar ao pai. Não por ela, mas pelos filhos. Se eles não fossem aceitos, ela seguiria sem a família. Sentada com o pai à beira do rio, Acácia disse que iria adotar duas crianças com uma história difícil, e que ele não era obrigado a aceitar. Foi quando ele disse que aqueles já eram seus netos, e que os amava. Ele queria ser o primeiro a conhecê-los. E ali, sem discurso nem explicação, algo foi curado. Hoje, Helô e Caetano têm os melhores avós que poderiam ter. Acácia entendeu que nem todo tempo é o tempo certo, e seus filhos estavam sendo gerados de outro jeito. E não poderiam ser outros. Precisavam ser exatamente eles.
Perdi meu marido logo após adotar 5 crianças
2026/01/15
Foi no meio da madrugada que Daniel entendeu que a vida pode mudar para sempre em poucos minutos. Ao sacudir o corpo do marido, tentando acordá-lo, ouviu um pedido que ainda ressoa dentro dele: que não abandonasse as crianças. Ali, sem saber, ele se despedia do amor da sua vida e assumia, sozinho, o cuidado dos 5 irmãos que o casal havia acabado de adotar. Daniel nasceu em Canindé, no Ceará, e saiu de casa ainda jovem para tentar sobreviver em São Paulo. Encontrou preconceito dentro da própria família, foi expulso de casa no meio da noite e dormiu sob um viaduto sem conhecer ninguém. Conseguiu o primeiro trabalho numa pizzaria e, junto com ele, um quarto improvisado. Depois, encontrou abrigo na casa de uma senhora que nunca tinha visto antes, que se tornou sua rede de apoio. Foi nesse tempo que Daniel conheceu Jhonatan. Um encontro quase por acaso, uma conversa simples, o início de uma relação que cresceu bem rápido. Eles juntaram as poucas coisas que tinham e passaram a dividir a vida. Jhonatan sempre quis ser pai e ficou apreensivo quando descobriu que quatro sobrinhos viviam em uma situação grave de vulnerabilidade. Quando decidiu lutar pela guarda das crianças, Daniel não se sentia pronto para ser pai, mas escolheu entrar nessa com o marido. As crianças chegaram. Depois, os dois descobriram que viria mais uma. Ao todo, eram cinco irmãos, uma casa pequena, noites sem dormir, medo, aprendizado e amor construído no improviso. Tudo estava no nome de Jhonatan. Daniel ajudava, apoiava, amava, mas não imaginava que precisaria assumir tudo sozinho tão cedo. Tudo aconteceu muito rápido, quando Jhonatan morreu de dengue hemorrágica e o Daniel precisou engolir o próprio luto para contar às crianças que o pai não voltaria mais. Ouviu do mais velho a pergunta que mais doeu: se ele também iria embora. Mas Daniel jamais abandonaria aquelas crianças porque eram seus filhos também. Ele enfrentou depressão, ansiedade e uma batalha judicial difícil, até conseguir a guarda definitiva. Em 2024, as crianças passaram a carregar oficialmente o sobrenome de Jhonatan. Hoje, Daniel olha para trás e entende que nada foi por acaso, depois de tanto cuidado que ele recebeu, é a hora dele cuidar também.
Fiquei preso injustamente por 3 anos e perdi o nascimento da minha filha
2026/01/08
Quando o Rafael foi preso, ele tinha acabado de descobrir que ia ser pai. A notícia, que deveria inaugurar um novo começo, chegou no mesmo instante em que sua vida desabou. Em poucos minutos, tudo o que ele acreditava estar construindo foi interrompido por uma acusação que nunca foi ouvida de verdade. Rafael cresceu em Sobral, um bairro periférico de Rio Branco, no Acre, marcado pelo estigma da violência, mas que para quem vive ali sempre foi, antes de tudo, um lugar de gente simples tentando sobreviver. Em fevereiro de 2018, uma troca de tiros tomou a rua onde ele morava. Na fuga, dois homens invadiram casas da região, e um deles entrou na casa do Rafael, sem que ele visse. A polícia entrou na casa de Rafael, que comentou não ter mais ninguém além dele ali. Ainda assim, os policiais entraram. Um dos homens foi encontrado dentro da casa do Rafael e, naquele instante, a voz de Rafael deixou de existir. Jovem, negro, morador da periferia, sozinho. Para os policiais, não havia dúvidas. Mesmo repetindo que não tinha envolvimento algum, a suspeita se impôs e o Rafael foi levado preso. Foram três anos encarcerado. Três anos em que ele tentou entender como aquilo podia estar acontecendo com alguém que trabalhava. Mas também foram três anos longe da gestação da filha, do nascimento, do colo, dos primeiros dias de vida. Uma ausência que não se explica, ele simplesmente carrega consigo. Durante o julgamento do caso, tudo mudou rápido demais. O próprio criminoso encontrado, que havia se escondido na casa, confirmou que Rafael era inocente. Os promotores não viram motivo para acusação e o juiz pediu perdão, absolvendo Rafael. Do lado de fora, veio a descoberta mais dura: o tempo não se recupera. Não existem horas extras para os primeiros passos, a primeira palavra, o primeiro olhar de referência. Hoje, Rafael não tenta mais compensar o tempo perdido com a filha. Ele tenta estar presente, inteiro. Porque algumas ausências não se apagam, mas podem ser cuidadas com amor, todos os dias.
Eu precisei reencontrar jesus para continuar na igreja
2025/12/18
Antes de virar criador do perfil @afrocrente, Jackson Augusto já sabia que fé não era sinônimo de poder, mas cuidado e comunidade. E essa foi a pergunta que atravessou toda a sua vida: o que, afinal, significa ser evangélico no Brasil? Jackson nasceu na favela dos Coelhos, uma comunidade ribeirinha do Recife. Filho de uma mulher profundamente religiosa, encontrou na igreja um dos poucos espaços possíveis de socialização.  Não havia dinheiro, nem conforto, mas a igreja foi abrigo e o lugar de infância possível. O pai de Jackson morreu quando ele tinha apenas 7 meses, e a dor transformou a vida da mãe, que precisou criar um filho negro, sozinha, dentro da favela.  Enquanto ela trabalhava, eram as mulheres da igreja, do círculo de oração, que cuidavam dele. A igreja foi proteção num país que expõe corpos como o dele à violência desde cedo. Foi ali que Jackson se formou enquanto pessoa, mas também foi ali que começou o conflito. Quando entrou em contato com o movimento negro evangélico, passou a questionar a fé que havia aprendido.  Um pastor tentou confrontá-lo usando a Bíblia para justificar a escravidão, mas Jackson saiu dali com a certeza de que aquele não era o Jesus que o havia formado. Ao pesquisar a história da igreja batista no Brasil, encontrou raízes escravocratas, racistas, excludentes. Missionários que proibiam casamentos inter-raciais, que associavam a pele negra ao pecado.  Percebeu que a imagem de um Jesus branco não era só estética, mas mais profunda. Um Jesus moldado para servir às elites, não à libertação. Hoje, Jackson defende que ser evangélico não pode ser reduzido a figuras de poder.  Ser evangélico também é ser a mãe de João Pedro, adolescente assassinado dentro de uma comunidade. É ser mulher solo, empregada doméstica, estudante, gente comum tentando sobreviver. No fim, a pergunta segue aberta: ser evangélico é sustentar um projeto de poder ou lutar pela vida?

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